Três de Maio registra pior primeiro semestre no mercado de trabalho desde a pandemia

Município encerrou os seis primeiros meses de 2026 com saldo negativo de menos 48 empregos com carteira assinada; comércio lidera fechamento de vagas

Três de Maio registra pior primeiro semestre no mercado de trabalho desde a pandemia

Três de Maio encerrou o primeiro semestre de 2026 com saldo negativo na geração de empregos formais. Conforme dados atualizados do Novo Caged, entre janeiro e junho foram registradas 1.356 admissões e 1.404 desligamentos, resultando no fechamento de 48 postos de trabalho com carteira assinada. O desempenho representa uma retração de 0,78% em relação ao estoque de empregos existente em dezembro de 2025.

O desempenho do semestre é o pior para o período desde a pandemia de Covid-19. Em 2020, Três de Maio havia perdido 86 empregos formais nos seis primeiros meses do ano. Desde então, todos os primeiros semestres apresentaram saldo positivo: 31 vagas em 2021, 55 em 2022, 190 em 2023, 80 em 2024 e 78 em 2025.

 

Comércio concentra as maiores perdas de vagas

O comércio foi o setor mais afetado no município, encerrando o semestre com saldo negativo de 73 vagas.

Os maiores recuos ocorreram no comércio varejista de supermercados (-18), seguido pelo comércio atacadista de insumos agropecuários (-18). e de artigos de vestuário e acessórios (-16).

Mesmo diante do cenário desfavorável, alguns segmentos apresentaram crescimento. O destaque é para o comércio atacadista de hortifrutigranjeiros que criou 28 vagas no período. No varejo, apenas dois segmentos registraram saldo positivo: comércio de produtos alimentícios, bebidas e fumo com nove novas vagas e comércio de artigos culturais, recreativos e esportivos com duas novas vagas. 

A agropecuária também encerrou o semestre com saldo negativo de seis empregos, mesmo resultado registrado pela indústria.

Dentro do setor industrial, o comportamento foi distinto entre os segmentos. As empresas fabricantes de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos, fecharam 21 postos de trabalho, enquanto a fabricação de produtos cerâmicos reduziu dez vagas. Em contrapartida, a indústria de laticínios criou 16 empregos formais. Nos demais segmentos industriais, os saldos oscilaram entre quatro vagas positivas e três negativas.

 

Construção civil e serviços sustentam geração de empregos

Os únicos setores que apresentaram saldo positivo no município foram a construção civil e os serviços com a criação de 20 e 17 empregos formais, respectivamente.

Nos serviços, o crescimento foi impulsionado principalmente pelas áreas de saúde humana e serviços sociais com 16 novas vagas,  seguida pelas áreas de educação (+11), e alojamento e alimentação (+4).

Já segmentos como transporte, armazenagem e correio apresentaram retração, com oito vagas a menos.  
 

 

Fronteira Noroeste gera apenas 67 novas vagas de empregos no período

A economia da  Região da Fronteira Noroeste, formada pelos 20 municípios da Amufron, fechou o primeiro semestre com saldo positivo, porém com apenas  67 novos postos de trabalho. Os números refletem o ritmo lento de geração de novas vagas na região.

Entre os 20 municípios, oito municípios registraram saldo positivo. Os principais destaques foram Santo Cristo (+133) e Santa Rosa (+91), além de Porto Mauá (+28), Alecrim (+19), Alegria (+16), Nova Candelária (+16), Campina das Missões (+13) e Boa Vista do Buricá (+7). Porto Lucena encerrou o período com saldo zerado.

Por outro lado, as maiores retrações ocorreram em Cândido Godói com menos 68 postos; São José do Inhacorá com menos 64 e Três de Maio que eliminou 48 vagas com carteira assinada. Também registraram saldo negativo Senador Salgado Filho (-17), Porto Vera Cruz (-12), Doutor Maurício Cardoso (-10), Tucunduva (-10), Novo Machado (-9), Tuparendi (-7), Independência (-7) e Horizontina (-4).

 

Comércio e indústria puxam retração regional

Na análise por setor econômico, comércio e indústria concentraram as maiores perdas de empregos na região.

O comércio fechou o semestre com saldo negativo de 196 vagas, retração de 1,41%. A indústria perdeu 290 postos de trabalho, redução de 1,96%. A agropecuária também apresentou resultado negativo, com saldo de -19 empregos.

Em contrapartida, a construção civil criou 251 vagas formais, crescimento de 10,41%, enquanto o setor de serviços apresentou o melhor desempenho regional, com saldo positivo de 321 empregos, alta de 1,89%.

Nos seis primeiros meses foram 12.058 admissões contra 11.991 desligamentos. 

Ao final de junho, a Fronteira Noroeste contabilizava 49.828 trabalhadores com carteira assinada, conforme os dados do Caged.