Três a cada dez trabalhadores três-maienses têm ensino superior
Cerca de 80% dos empregados com curso de graduação estavam contratados no setor de serviço em 2025, apontam dados do Ministério do Trabalho e Emprego
Trabalhadores com ensino superior completo representam quase um terço dos empregos formais de Três de Maio. Dos 7.094 trabalhadores do mercado formal local, 2.131 possuem formação em algum curso superior, o que representa 30,04% do total dos trabalhadores. É a segunda escolaridade com mais trabalhadores do município, segundo dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), referentes ao ano-base 2025, divulgados recentemente pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
O setor econômico que possui o maior número de trabalhadores com essa escolaridade é os serviços, com 1.682, representando 78,9% do total. Na sequência vem o comércio, com 264 trabalhadores, indústria 181, agropecuária três e construção, apenas um.
Outro dado é que o trabalhador com ensino superior tem uma média salarial de R$ 5.672,73. Na sequência vem os trabalhadores com ensino superior incompleto, com média de R$ 3.483,40; médio completo R$ 2.988,67, fundamental completo R$ 2.912,05, fundamental incompleto R$ 2.653,92 e médio incompleto R$ 2.374,61. A remuneração real média dos trabalhadores analfabetos não está disponível no painel da RAIS 2025.
Apesar dos trabalhadores com ensino médio continuarem representando a maioria, este percentual vem caindo a cada ano. Em 2022, representava 55,39%, passando para 51,26% em 2023, 50,78% em 2024 chegando a 50,48% no ano passado.
O maior aumento de trabalhadores com carteira assinada ocorreu entre os profissionais com ensino superior. Em 2022 eram 1.388 trabalhadores, passando para 2.131 em 2025, aumento de mais de 50% em quatro anos.
Quanto à remuneração real média, somente os trabalhadores com ensino médio completo e superior incompleto tiveram aumento em 2025, com aumento médio de R$ 35,39, e R$ 61,81, respectivamente.
Já nos grupos onde houve redução salarial média, a menor queda foi entre os trabalhadores com ensino superior completo (-R$ 6,35), seguido com ensino médio incompleto (-R$ 19,13), fundamental completo (-R$ 39,51). A maior queda salarial ocorreu entre os trabalhadores com ensino fundamental incompleto, com uma redução de R$ 154,96 na média mensal.

Profissionais com ensino superior recebem, em média, 90% mais do que trabalhadores com ensino médio
Apesar de registrar um leve recuo na remuneração média dos trabalhadores com graduação em 2025, este grupo de profissionais chega a ter uma remuneração quase duas vezes superior à de trabalhadores com apenas ensino médio.
A diferença pelo grau de escolaridade é de R$ 2.684,06 entre o Ensino Médio e Superior e de R$ 2.760,68 comparando o Fundamental ao Superior. Percentualmente, aqueles trabalhadores com Ensino Superior recebem 89,8% e 94,8% a mais, respectivamente.
Nos setores em que é detalhado a remuneração real média pela RAIS 2025, as maiores diferenças estão nos serviços. Neste setor, um trabalhador com grau de ensino superior recebe em média 93% a mais comparado a um trabalhador com ensino médio ou fundamental.
No comércio, a diferença é de 74,6% comparando formação em superior ao ensino médio e de 79,1% entre trabalhadores graduados com ensino fundamental.
Na indústria, a diferença entre trabalhadores com graduação e ensino médio é, em média, de 65,8%, mas com relação a aqueles apenas com ensino fundamental, o percentual é de mais de 92%.

Aumento de escolaridade é reflexo de uma tendência global
Para o administrador, professor da Faculdade Três de Maio/Setrem e doutor em Desenvolvimento Regional, Jesildo Lima, o aumento no número de trabalhadores com nível superior nas empresas de Três de Maio, reflete uma tendência global. “O Brasil também vem, de certa forma, cumprindo o seu papel com um aumento do grau de escolaridade, que é fruto da acessibilidade. Há uma disponibilidade maior de acesso ao ensino superior. Além das modalidades presencial, da diversidade, tanto de instituições privadas, filantrópicas e públicas, o EaD também veio para facilitar os programas que já existem de acesso ao ensino superior. Hoje, basicamente, aquela demanda contida de pessoas querendo acessar o ensino superior não existe mais”, pontuou.
Para Jesildo, esse cenário também se evidencia nas empresas três-maienses. “Se anteriormente as pessoas acessavam o mercado de trabalho com o ensino fundamental ou médio, hoje avançam até ter uma graduação e, a partir daí, acessam o mercado de trabalho e os dados são reflexo de tudo isso”, acrescentou.

Jesildo Lima é administrador, professor da Faculdade Três de Maio/Setrem e doutor em Desenvolvimento Regional
Desafios do mercado atual
O doutor em Desenvolvimento Regional ressalta também que o grau de ensino mais elevado aumenta as habilidades e competências dos profissionais nas suas áreas específicas. “As empresas ainda buscam profissionais com maior capacidade de trabalho em grupo de gestão ou de liderança. Por mais que as universidades trabalham – e trabalham muito nesse ponto – ainda temos observado essa demanda em nossas empresas. Exemplo disso é que os estudos e as estatísticas mostram que as pessoas são contratadas por qualificações técnicas e, muitas vezes, são demitidas dos seus postos de trabalho por questões comportamentais. Isso envolve falta de atitude, falta de capacidade proativa, por vezes de ações negativas ou relação com os colegas ou clientes. Tudo isso tem afetado o mercado de trabalho local”, cita.
Para Jesildo o aumento de pessoas com ensino superior é um sinal muito positivo. “É sinal de que nós estamos evoluindo. Mas, ao mesmo tempo, também precisamos ter essa maturidade ainda maior e que as pessoas busquem atrelar esta prática, que é algo necessário”.









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