Seminário regional reúne especialistas e produtores para debater a cadeia produtiva do melão e da melancia
Evento promove a difusão de tecnologias e incentivos estratégicos para a diversificação da agricultura familiar, visando à ampliação da renda
Produtores rurais, técnicos, estudantes e profissionais ligados à horticultura lotaram o auditório do Centro Administrativo do Parque de Exposições Alfredo Leandro Carlson, no dia 14 de julho, para participar do 1º Seminário Regional de Melão e Melancia. Promovido pela Agropecuária do Galo, de propriedade de Olímpio Bock, em parceria com o Hortigranjeiros, o evento integrou a programação do Hortishow e se consolidou como um importante espaço de difusão de conhecimento e fortalecimento da cadeia produtiva regional.
Durante todo o dia, especialistas de diferentes regiões do Sul do Brasil apresentaram tecnologias, inovações e tendências voltadas ao cultivo de melão e melancia. A programação incluiu palestras sobre polinização, enxertia, sementes, insumos biológicos, adubação foliar, proteção solar dos frutos, além de estratégias de mercado e assistência técnica aos produtores. O seminário também favoreceu a troca de experiências entre agricultores, pesquisadores e empresas do setor.
De acordo com o Censo Frutícola 2025, realizado pela Emater/RS-Ascar, a região de Santa Rosa produz anualmente cerca de 1.018 toneladas de melancia em uma área de aproximadamente 60 hectares. Já a produção de melão alcança 402 toneladas, cultivadas em 38,8 hectares. Os dados evidenciam o potencial de expansão dessas culturas como alternativa de diversificação da produção e incremento da renda da agricultura familiar.
A coordenadora do Hortishow e uma das organizadoras do seminário, Carmem Izabel, destacou que a iniciativa está alinhada ao propósito do Hortigranjeiros de promover a qualificação contínua dos produtores. Segundo ela, o interesse do público demonstrou a busca por novas oportunidades no campo. “O Hortigranjeiros pensa no aperfeiçoamento da agricultura familiar. Os produtores abraçaram essa ideia e vieram em peso para conhecer alternativas de diversificação da renda nas pequenas propriedades, com culturas de ciclo mais curto, como o melão, que pode ser colhido em cerca de 75 dias, e a melancia, cujo ciclo varia entre 90 e 100 dias”, afirmou
Além da atualização técnica, o seminário aproximou produtores de empresas referências no segmento, ampliando o acesso a novas tecnologias e soluções para o campo. A iniciativa reforça o compromisso do Hortigranjeiros com a inovação, a capacitação e o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar, incentivando a adoção de práticas que contribuam para o fortalecimento da horticultura regional.
Produtor aposta na melancia para diversificar a produção e ampliar a renda da família
A diversificação da produção tem sido uma das estratégias adotadas por agricultores da região para fortalecer a renda das propriedades. É o caso do produtor Tiago Maier, que iniciou no ano passado o cultivo de melancia no Sítio Maier, localizado na comunidade de Lajeado Cachoeira, a cerca de dois quilômetros da área urbana de Três de Maio.
A propriedade é conduzida pela família. Além de Tiago, trabalham no sítio os pais, Dirceu e Arlete Maier, a esposa, Andreia Henges, que concilia as atividades no campo com a profissão de professora, a filha Nicoli, a irmã Michéli Maier e o cunhado Fernando Knebel.
A principal atividade da propriedade é a produção de morangos, além do cultivo de hortaliças como verduras, brócolis e couve-flor. A melancia passou a integrar o sistema produtivo como uma alternativa para diversificar a produção e ampliar as oportunidades de comercialização.
Para a segunda safra, o plantio está previsto para ocorrer entre o fim de agosto e o início de setembro. Segundo Tiago, a boa aceitação do produto no mercado trouxe confiança para ampliar a atividade. "Quando se produz com qualidade, a comercialização acontece. Aqui no sítio temos cerca de oito mil pés de morango e sempre existe demanda pela fruta. Com a melancia foi da mesma forma. Comercializamos por meio da Cotrimaio e também vendemos diretamente aos consumidores, tanto na propriedade quanto na cidade e em Consolata", relata.
Apesar dos resultados positivos, o produtor destaca que o principal desafio da cultura é o clima. Conforme explica, o frio e os ventos registrados no início do plantio dificultaram o desenvolvimento das plantas, além da necessidade de controle constante de doenças, como antracnose e míldio. "Mesmo com essas dificuldades, tivemos uma primeira safra muito boa. Não temos do que reclamar", afirma.
Animado com os resultados, Tiago pretende ampliar gradativamente a área cultivada. "Estamos começando nessa atividade e a ideia é crescer aos poucos. À medida que as pessoas conhecem nossos produtos, a procura aumenta", conclui.
Produção de melancias e melões se destaca pela qualidade em Três de Maio
Dados do escritório municipal da Emater indicam que o município de Três de Maio conta com quatro hectares cultivados com melancia, conforme estimativas do IBGE. A produtividade média é de 25 toneladas por hectare, totalizando cerca de 100 toneladas da fruta por safra. Atualmente, seis produtores rurais desenvolvem a cultura de forma comercial, comercializando a produção diretamente aos consumidores locais.
No caso do melão, são cultivados dois hectares, com produtividade média de oito toneladas por hectare, resultando em uma produção aproximada de 16 toneladas. Quatro produtores rurais se dedicam à atividade no município.
O extensionista-chefe do escritório municipal da Emater, Leonardo Rustick, destaca que o sucesso do cultivo de melancias e melões depende, principalmente, das condições climáticas. “São frutas que exigem bastante luminosidade, clima mais seco e não toleram excesso de chuva. Neste ano, os produtores estão atentos às previsões de El Niño, que indicam precipitações acima da média. Para essas culturas, esse cenário não é favorável”, explica.
Segundo Rustick, um dos diferenciais da produção local é a qualidade das frutas. “As frutas produzidas em nosso município chegam a apresentar qualidade superior às provenientes dos grandes polos produtores, como Mato Grosso, Tocantins e Bahia. Isso ocorre porque são produzidas e comercializadas localmente. Com um transporte mais curto, há menos perdas por esmagamento e os consumidores recebem frutas mais frescas”, afirma.
Para aumentar a eficiência da produção, alguns agricultores têm investido em sistemas de irrigação por gotejamento. Conforme o extensionista, a tecnologia contribui para o controle de doenças e favorece o desenvolvimento das lavouras. “O melão e a melancia são culturas da fruticultura que vêm crescendo no município, com bom potencial produtivo e excelente qualidade”, ressalta.
O melão, assim como a melancia, também necessita de baixa umidade durante o desenvolvimento. O excesso de chuvas favorece o surgimento de doenças e o apodrecimento dos frutos, comprometendo sua qualidade. Outro fator que beneficia a produção local é a proximidade entre produtor e consumidor. Enquanto frutas de outras regiões precisam ser colhidas ainda verdes para suportar o transporte, em Três de Maio elas podem permanecer mais tempo no campo, sendo colhidas no ponto ideal de maturação.









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