Carros elétricos ganham espaço pelas ruas e mudam cenário da cidade

Número de veículos eletrificados teve aumento de 40% em um ano no município; apesar do avanço, participação na frota ainda é pouco mais que 0,20%

Carros elétricos ganham espaço pelas ruas e mudam cenário da cidade

A presença de veículos elétricos e híbridos nas ruas de Três de Maio ainda é discreta, porém em um ano o aumento foi de 40% em um ano e tem contribuído para mudar o cenário da cidade. Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), vinculada ao Ministério dos Transportes, mostram que em abril de 2025, no município eram 35 veículos elétricos e híbridos registrados. Um ano depois, o número chegou a 49, representando a incorporação de 14 novos veículos à frota local. O crescimento é significativamente superior ao observado entre os veículos movidos a combustão. No mesmo período, a frota convencional aumentou 1,36%, passando para 21.179 unidades. Em números absolutos, entretanto, o acréscimo foi maior: 285 novos veículos foram incorporados à frota municipal.

Mesmo com a expansão, os eletrificados ainda representam uma parcela reduzida do total de veículos registrados no município. Em abril de 2025, correspondiam a 0,16% da frota. Um ano depois, a participação subiu para 0,22%

Os dados indicam que a eletrificação da mobilidade começa a ganhar espaço também em municípios do interior gaúcho, acompanhando uma tendência observada em todo o país. Embora a adoção ainda ocorra de forma gradual, o aumento da oferta de modelos, a redução dos custos de algumas tecnologias e a busca por alternativas mais eficientes têm contribuído para o crescimento do segmento.

 

Tendência estadual

O avanço registrado em Três de Maio acompanha o movimento observado no Estado. Conforme dados do Detran-RS, o Estado encerrou maio de 2026 com 50,9 mil veículos eletrificados em circulação.

Apesar do crescimento acelerado dos últimos anos, os veículos elétricos e híbridos ainda representam uma pequena fração da frota gaúcha. Os automóveis movidos a gasolina, etanol e diesel somam cerca de 7,7 milhões de unidades, evidenciando que a transição para novas tecnologias ainda está em estágio inicial.

Especialistas do setor apontam que o forte crescimento percentual dos eletrificados ocorre sobre uma base relativamente pequena. Por isso, embora as taxas de expansão sejam elevadas, a predominância dos veículos a combustão deve permanecer por vários anos.

 

Mercado em expansão

O crescimento da frota também reflete o desempenho do mercado nacional. Em 2025, as vendas de veículos eletrificados cresceram 26% em relação ao ano anterior no Brasil.

A expansão tem sido impulsionada pela chegada de novas marcas ao país, especialmente fabricantes chinesas, pela ampliação do número de modelos disponíveis e pelo aumento do interesse dos consumidores em tecnologias que prometem menor gasto com combustível e redução das emissões de poluentes.

Além dos veículos totalmente elétricos, os modelos híbridos têm liderado boa parte das vendas. Esses automóveis combinam motor elétrico e motor a combustão, permitindo maior autonomia e reduzindo uma das principais preocupações dos consumidores: a disponibilidade de pontos de recarga.

 

Desafios permanecem

Apesar do crescimento consistente, a eletrificação da frota ainda enfrenta desafios. Entre eles estão o custo de aquisição dos veículos, a infraestrutura de recarga, especialmente em cidades menores, e a necessidade de adaptação das redes de distribuição de energia para atender ao aumento da demanda futura.

 

PRINCIPAIS VANTAGENS DOS CARROS ELÉTRICOS
MENOR CUSTO POR QUILÔMETRO
A eletricidade normalmente custa menos do que gasolina ou etanol para percorrer a mesma distância.
MENOS MANUTENÇÃO
Não têm troca de óleo.
Não usam correia dentada.
Não possuem escapamento.
O desgaste dos freios é menor devido à frenagem regenerativa.
MENOR EMISSÃO DE POLUENTES
Não há emissão direta de gases pelo veículo. 
CONDUÇÃO MAIS CONFORTÁVEL
Aceleração imediata.
Menos ruído.
Menos vibração.
POSSIBILIDADE DE RECARGA EM CASA
Muitos proprietários carregam o veículo durante a noite, sem precisar ir a postos de combustível diariamente.
DESVANTAGENS
Preço inicial ainda mais elevado.
Tempo de recarga maior que o abastecimento convencional.
Rede de carregadores em expansão, mas ainda limitada em algumas regiões do interior.
Desvalorização e mercado de usados ainda em fase de amadurecimento.
Troca da bateria pode ser cara após muitos anos de uso.
EM GERAL, COSTUMA VALER MAIS A PENA PARA QUEM:
Roda bastante na cidade.
Tem garagem para instalar carregador.
Pretende ficar vários anos com o veículo.
Busca reduzir gastos com combustível e manutenção.
Para quem faz viagens longas frequentes ou mora em regiões com pouca infraestrutura de recarga, um híbrido pode ser uma alternativa mais prática atualmente.

 

 

Proprietário de carro elétrico estima uma economia de pelo menos R$ 25 mil ao ano

Há sete meses dirigindo um elétrico, o empresário Andriel Bittencourt Krugel, 28 anos, optou pelo veículo pela economia e o impacto ambiental reduzido pela redução da queima de combustível. “Como tenho placa solar, o meu custo foi a zero. Não há despesas para andar na cidade, e mesmo indo para a estrada, o valor do kw/h se torna mais barato que o combustível”, pontua.

Há sete meses, o casal Suélen Nicoli Hossel e Andriel Bittencourt Krugel optou por um carro elétrico e não se arrepende da escolha 

 

Quanto aos locais para recarga, Krugel ressalta que estão mais acessíveis atualmente.  “Hoje em dia já há bastante postos de recargas. Fazendo escala em uma viagem, por exemplo, dá para ir a qualquer lugar do Brasil”. 

O empresário também viu uma oportunidade de negócio com a chegada dos carros elétricos na cidade e municípios próximos. “Para atender a demanda, estou colocando um eletroposto aqui em Três de Maio, acoplado na Eletrocar, com um carregador de 80 kw sendo o primeiro da cidade nessa potência”, menciona.

Quanto à economia, Andriel vê uma boa redução nas despesas sobre o carro elétrico. “O veículo é isento de IPVA, não tem óleo para trocar, somente preciso carregar e andar. Fiz um cálculo aproximado e, andando na cidade, vou gerar uma economia de R$ 25 a 27 mil ao ano se comparado com um carro a combustível”, contextualiza.
Por outro lado, o empresário ressalta que ainda há uma dificuldade quanto a reposição de peças e o desgaste prematuro de pneus se não fizer geometria e balanceamento regularmente. “Mesmo assim é recomendável comprar um carro elétrico, além de economizar muito dinheiro preservamos o meio ambiente”, conclui.
 

Eletroposto instalado na empresa Eletrocar já está em funcionamento

 

‘Cada dia vemos mais elétricos e híbridos nas ruas. Vieram para ficar, mas não vão, pelo menos a curto prazo, substituir os veículos a combustão’, avalia empresário do ramo de manutenção de veículos

Além do contínuo aumento na frota de veículos elétricos ou híbridos, o movimento também demanda por serviços de manutenção especializada. A reportagem do Semanal entrevistou Ocimar Arnemann, o Nego da Motorgirus,  formado em Administração de Empresas, além de  diversos cursos na área Técnica de Mecânica Automotiva, com atuação há 38 anos. 
O profissional destaca as diferenças entre os motores, a demanda por manutenção e também as vantagens  e desvantagens entre cada tipo de veículo. 

 

‘Pesquise, teste e compare. Faça a melhor escolha para a segurança e conforto da sua família’, recomenda Ocimar Arnemann - Nego,  sobre escolha por compra de veículo elétrico

 

Jornal Semanal: Quais as diferenças entre híbridos e elétricos?

Ocimar Arnemann: Os carros elétricos, ou EVs, são 100% movidos pela carga armazenada pela bateria. Seja por tomada de carregador ou pela regeneração nas frenagens. 
Os carros híbridos (HEVs), utilizam a combinação de motor elétrico, com motor a combustão. Cada montadora utiliza um tipo de combinação diferente para entrada em funcionamento do motor a combustão.

JS: Quanto à manutenção, comparado a um veículo a gasolina, quais as diferenças?

Nos veículos 100% elétricos a manutenção é mínima. Os motores são construídos para durar a vida inteira do carro. Não vai óleo, correias, filtros, etc... Inclusive os freios duram muito mais, pois em desaceleração, o próprio motor atua como freio, diminuindo o desgaste do sistema. Como, pelo peso alto de bateria e pelo torque elevado do motor, itens de combustão e pneus requerem atenção. Nos híbridos há motor elétrico e o motor a combustão. Nesses veículos há manutenção normal de motor flex e, pela soma dos dois sistemas, costumam ser mais pesados, requerendo cuidados com suspensão e pneus. 

JS: Hoje existe demanda por mão de obra quantificada para atuar na manutenção de veículos elétricos? Qual é o principal desafio para ter mão de obra especializada nesse ramo?

Antes mesmo do advento dos elétricos no Brasil, já registramos a falta de profissionais treinados para acompanhar as novas tecnologias automotivas. Com os elétricos isso fica mais acentuado.

Há uma carência por cursos técnicos, treinamentos nas montadoras e as próprias concessionárias das marcas sofrem com a qualificação do quadro. Fiz o meu primeiro curso de HEV e EVs em 2019 e venho fazendo outros sobre essa tecnologia. No início de maio, fiz mais um curso. Mas ano que vem, novos sistemas surgirão e precisarei repassar este conteúdo para nossa equipe da Motorgirus, para que quando, a manutenção chegar, estarmos aptos para executar.

Outro fator muito importante e perigoso nesses sistemas, é que trabalhamos com voltagens superiores a 400 volts de corrente contínua, letal para um ser humano. Para o nível 3 de manutenção do sistema de alta voltagem, exige-se norma NR10, e local e equipamentos para testes e avaliações. Até para colaborar com a segurança de colegas de profissão e socorristas, que ainda não conhecem esses sistemas, todas as linhas de alta voltagem, no veículo, são na cor laranja. Nunca toque ou interfira nesses itens.

JS: Como o senhor analisa os veículos elétricos em nossa cidade ou região? É um ramo que tem aumentado demanda?  

Cada dia vemos mais elétricos e híbridos nas ruas da região. Vieram para ficar, mas não vão, pelo menos a curto prazo, substituir os veículos a combustão. Muitas montadoras projetaram não fabricar mais carros a combustão até 2026. Mas estão revendo seus planos. A autonomia dos 100% elétricos, ainda não é a ideal. O investimento em novas baterias pode e deve melhorar. O tempo de recarga também ainda é longo. Os pontos de carregamento têm que multiplicar muito. Na Europa, há um carregador disponível para cada três carros. No Brasil, é de em média um para vinte.

JS: Qual é o melhor para a minha compra, híbrido ou elétrico?

Cada um deles tem suas qualidades e limitações e seu uso é que vai determinar a melhor escolha. Se meu trajeto é de trechos curtos, a melhor opção como segundo carro, é um elétrico. O custo do quilômetro rodado é bem baixo. É mais barato, mas na grande maioria deles, não oferece autonomia para viajar acima de 300 ou 400 km. Além de demorar em média uma hora para recarregar 80% da bateria.

Com híbrido puro ou plug-in (PHEV) posso viajar o mundo. A autonomia não é mais problema. A diferença é que costumam ser econômicos no uso urbano e menos econômicos em rodovia. Outro fator, como conciliam as duas motorizações, são mais caros.

Se o meu uso for bastante rodoviário, os tradicionais flex ou diesel são boas opções.

JS: Qual a sua opinião quanto às novas marcas que estão no mercado?

O brasileiro adora carros. Muitas vezes a escolha acaba sendo mais passional que racional. 

O Brasil já tinha mais de 60 montadoras registradas no país. Esse número aumenta a cada ano. Sobretudo de marcas asiáticas. Muitas não existirão em 10 anos. E a manutenção? Fornecimento de peças? Revenda? Por isso a dica é: pesquise, teste e compare. Faça a melhor escolha para a segurança e conforto da sua família.