“Essa faixa é uma continuidade de uma caminhada de nossa entidade tradicionalista”

Afirmação é de Luisa Tormöhlen, representante do CTG Sentinela do Rio Grande de Independência, eleita a 3ª Prenda Adulta do Rio Grande do Sul

“Essa faixa é uma continuidade  de uma caminhada de nossa  entidade tradicionalista”
Luisa Tormöhlen foi eleita durante a 55 ª Ciranda Cultural de Prendas; é a primeira vez que uma representante da entidade conquista título na categoria

A prenda Luisa Tormöhlen, 25 anos, do CTG Sentinela do Rio Grande, de Independência, foi eleita a 3ª Prenda Adulta do Rio Grande do Sul. A conquista veio durante a 55ª Ciranda Cultural de Prendas, entre 21 e 23 de maio, em Erechim. É a primeira vez em que uma prenda adulta da entidade conquista um título estadual.

Além dela, Ana Clara Kerber, de São Martinho, ficou com a faixa de 2ª Prenda Mirim, e Matheus Thomas Schneider, de Boa Vista do Buricá, conquistou o 3° Piá.

Ao Semanal, Luisa conta sobre a trajetória no tradicionalismo até conquistar o título, que passou pela fase interna (no CTG) e regional (pela 20ª RT), além de participações em ações e eventos. “As provas começam assim que conseguimos nossa faixa, em que precisamos participar de projetos e eventos. Participamos de sete eventos regionais e um estadual, além de precisar comprovar em relatório de atividades”, cita.

Outro destaque é a promoção de eventos. “Três deles têm caráter cultural, com o intuito de preservação das nossas tradições e um deles é um evento social, no qual nós desenvolvemos uma campanha de arrecadação de produtos de higiene e de limpeza para as mulheres que sofrem violência doméstica e que são amparadas pela Patrulha Maria da Penha em Três de Maio, que atende os municípios de nossa região”, salienta.
 

Foram várias etapas até chegar ao título estadual 

Luisa explica que a pesquisa para o concurso teve o tema guia ‘A vida e o legado das prendas estaduais da região tradicionalista’, onde entrevistou Verônica Lorenzetti Padoin, 2ª Prenda Juvenil do RS na gestão de 2012/13, do CTG Tropeiros do Buricá. “A Verônica marcou a história da região por ser a primeira prenda a conquistar um título estadual. Na época, eu tinha 10 anos e participava da minha primeira Ciranda Cultural de Prendas no CTG Sentinela do Rio Grande, quando eu e minhas colegas de gestão – Rayana e Giulia – fomos impactadas pela conquista, pois recebemos apoio direto dela e em especial da Bernadete Lorenzetti Padoin”, recorda. 

No concurso, em Erechim, Luisa passou pelas provas de conhecimentos gerais (sobre a história, geografia, tradição, tradicionalismo e folclore), e uma redação sobre temas atuais do tradicionalismo e sociedade. No segundo dia ocorreu a mostra folclórica, com apresentação de sua pesquisa.

No terceiro dia ocorreu a prova artística, com uma prova oral. Por sorteio, ela falou sobre como a tradição gaúcha auxilia na formação da identidade nacional brasileira. “Também há a prova de declamação (escolha da prenda). Inclusive compus a poesia em parceria com meu professor Luciano Salerno, com o título ‘Ode à Voz da Terra’, que traz a força da terra de Independência e, principalmente, um afeto muito genuíno com a minha questão familiar e com o solo, com a terra forte e vermelha do Alto Uruguai e Independência”, acrescenta.

Na apresentação das danças tradicionais e de salão, a prenda foi acompanhada pelo Peão Farroupilha do RS Gestão 2025/26, Leônidas Augusto da Silva, que foi seu colega de gestão na 20ª RT em 2014. “A Ciranda Cultural de Prendas, além de ser um palco onde evidencia um protagonismo da mulher, da prenda e da jovem, ela nos transforma enquanto ser humano, pois o processo de preparação das provas nos torna pessoas melhores, tradicionalistas e cidadãs conscientes e mais preparadas para enfrentar as problemáticas da nossa sociedade”, declara.

 

Luisa, ao lado das coordenadoras culturais do CTG Sentinela do Rio Grande e amigas de longa data, Rayana e Giulia

 

‘Acredito que a  nossa maior responsabilidade, enquanto gestão de prendas, é de estar cada vez mais próxima da juventude tradicionalista’

Para a jovem prenda, a conquista possui muitos sentidos e é parte de um sonho. “Quando concorri pela primeira vez no concurso de Prenda Mirim do CTG Sentinela do Rio Grande, conquistei o título de 3ª Prenda Mirim. Na época, minhas colegas de gestão foram Rayana Augusta Schrer (1ª Prenda) e Giulia Pietra Paim do Rosário (2ª Prenda) e  criamos vínculos significativos e que permanecem ao longo do tempo. Isso prova que o CTG é um espaço sadio e seguro, onde existe amizade e relações verdadeiras entre as pessoas. Essa conquista representa uma união. Se eu voltei a concorrer, foi por nós. Elas fazem parte desse momento. Quinze anos depois de nossa primeira Ciranda Cultural realizamos o nosso sonho”, declara.

Luisa lembra que ao longo dos anos foram muitas participações em concursos, porém nenhum havia conquistado a possibilidade de representar o CTG no Estado. “Com empenho de todos, conquistamos recentemente títulos, com Rafaela Mariane Bertoldo Bozz, que foi 3ª Prenda Mirim em 2020-2021, e Luis Antônio Fiorin, 3° Guri Farroupilha gestão 2025-2026. E essa faixa de agora é uma continuidade de uma caminhada de nossa entidade”, ressalta.

A prenda ressalta que quer atuar junto à gestão 2026/2027 para que o movimento se aproxime da juventude. “Nos últimos anos, muito vem-se falando da responsabilidade social do movimento. Esse ano, o tema anual é o combate à violência contra a mulher e nós, enquanto juventude, precisamos assumir esse papel social e continuar trabalhando para a maior inclusão de pessoas dentro do movimento. Por isso eu acredito que a nossa maior responsabilidade, enquanto gestão de prendas, é de estar cada vez mais próxima da juventude tradicionalista, mas também continuar fortalecendo o papel social de cada tradicionalista”, conclui.