A vida dos três-maienses pelo mundo afora

Em 2020, em meio à pandemia, Marcelo Ruaro, 33, recebeu um convite para assumir uma vaga de pós-doutorado em uma universidade na França. Ele era pesquisador em Engenharia da Computação pela PUC e professor na Setrem de forma remota. A esposa Fabiana Ziegler, 29 anos, estava finalizando o Mestrado em Engenharia Civil e era sócia de uma empresa de engenharia. Na época, não estava nos planos do casal morar no exterior, mas a curiosidade de viver essa experiência prevaleceu. A primeira parada foi na cidade de Lorient, localizada na região da Bretanha, litoral da França. Atualmente, moram na glamourosa Paris. Marcelo é filho de Sílvio e Marinês Ruaro, residentes em Consolata. Ele fez o ensino fundamental na EEE Senador Alberto Pasqualini de Consolata e o ensino médio no IEE Cardeal Pacelli. Fabiana é filha de Lauri e Ivânia Ziegler, moradores de Esquina Bela Vista. Fez toda a formação básica na EEEM Castelo Branco.

A vida dos três-maienses pelo mundo afora
Marcelo e Fabiana em Lorient, localizada na região da Bretanha, litoral da França

Depois de morar por quase 10 anos em Porto Alegre, período em que Marcelo trabalhou e fez mestrado, doutorado e pós-doutorado pela PUC-RS e Fabiana cursou mestrado em Engenharia Civil, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e atuou em empresas de engenharia, o casal retornou à Três de Maio na metade de 2020.

Já em Três de Maio, Marcelo trabalhava como pesquisador na PUC e professor na Setrem de maneira remota. Fabiana estava finalizando o Mestrado e era sócia de uma empresa de engenharia. Foi então que Marcelo recebeu um convite para assumir uma vaga de pós-doutorado na cidade de Lorient, localizada na região da Bretanha, litoral da França. “A ida para o exterior não estava nos nossos planos, e após algumas semanas de reflexão, decidimos ir, pois a curiosidade era enorme. Eu já tinha morado em Vienna na Áustria por um ano, porém era algo com prazo fixo para retornar. Então a mentalidade era mais de turista do que residente. A vinda para a França era diferente, tínhamos a oportunidade de nos estabelecer por aqui”, conta Marcelo.

Em janeiro desse ano, o casal se mudou para a capital, Paris.

 

Morar na Europa

O cientista em Computação destaca que quanto mais viaja e conhece pessoas diferentes, mais percebe que as pessoas são iguais, não importa o lugar. “Todas têm os mesmos anseios, medos, irritações... Isso é ainda mais evidente em países com religião cristã, como são a grande maioria dos países da Europa”, declara.

Como sempre viveram no Rio Grande do Sul, o frio não foi nenhuma grande novidade. Lá as estações também são bem definidas, com a diferença do inverno durar cerca de dois meses a mais – e a neve não ser algo raro de acontecer.

O que realmente é diferente na Europa é que as construções e instalações não deixam as pessoas sofrendo dentro de casa com o frio. “A casa sempre está quente, podemos usar roupa curta mesmo que esteja uma temperatura abaixo de zero lá fora”, revela. As roupas também são preparadas para o inverno, diferentemente do Brasil. 

 

Qualidade de vida 

Em Lorient o casal teve experiências únicas. A cidade é pequena, em torno de 65 mil habitantes, com forte cultura marítima e belas praias. Eles aproveitaram estar ao máximo em contato com a natureza, com muitas  caminhadas ao ar livre.

Já na capital Paris, o contexto é bem diferente. A cidade reúne pessoas de toda a parte do mundo e é bem mais movimentada. “Porém, ao longo desses meses, nos chamou a atenção como essa cidade é capaz de proporcionar um bem-estar nas pessoas que vivem ali”, justifica. 

Marcelo revela que como a maioria imagina, a cidade realmente transmite uma grandiosidade e beleza nas construções e infraestrutura, o que é impressionante. Além disso, ele conta que o francês local é extremamente polido no tratamento com terceiros. “A qualidade e beleza dos parques é algo que parece cena de filme, especialmente agora na primavera.  Isso traz um bem-estar que faz muita diferença na nossa vida”, afirma.

 

Desafios e conquistas

A documentação e o idioma foram as principais dificuldades ao chegar no país. “Por mais que nossos vistos estavam feitos, muita coisa em termos de documentação precisava ser feita no país (sistema de saúde, contas da casa, conta em banco, telefone)”, diz.

A mudança para Paris foi outro desafio. Por optarem por seguir o fluxo tradicional, pois o preço é mais baixo, eles entraram em contato com uma imobiliária local e seguiram o protocolo de locação tradicional, apesar de existir caminhos próprios e mais fáceis pra estrangeiros.

Quanto ao idioma, o casal acredita que o período em que passaram em Lorient foi muito importante para aprender a língua. “Poucas pessoas falavam inglês ou sabiam, porém evitavam falar, então isso nos forçou a aprender o francês", revela. 

Para o casal, a barreira do idioma é algo muito complicado, principalmente quando é preciso resolver problemas, tirar dúvidas, etc. "No início, coisas simples do dia a dia eram difíceis, como chegar na padaria e pedir um pão e entender o valor a pagar... na dúvida a gente sempre dava um dinheiro a mais para garantir.”

Marcelo diz que no começo fazer as compras no mercado durava cerca de três horas, pois precisavam utilizar o tradutor o tempo todo para conhecer o produto. "Hoje, fizemos todas as compras em menos de 30 minutos". Outra dificuldade era receber ou fazer uma ligação telefônica. "Mas com o tempo fomos aprendendo. A melhor forma de você aprender um novo idioma é quando você é exposto a ele”, ressalta.

As maiores conquistas do casal nestes últimos dois ano foram profissionais. Conseguir alugar e mobiliar o apartamento também foi muito importante, além de aprender a falar francês.

O casal no Castelo de Josselin, em Bretanha, na França

 

Rotina do casal

Marcelo, que é cientista em Computacação, trabalha atualmente em uma empresa. A rotina de trabalho inicia às 9 horas e o retorno ocorre por volta das 18h30. O trajeto geralmente é feito de bicicleta. Já Fabiana está fazendo alguns cursos e possui uma rotina similar. "Nos finais de semana não paramos em casa, assim como fazíamos em Lorient. Aproveitamos cada momento para conhecer novos lugares, ter novas experiências”, revela o casal.

 

Sistema de saúde  e economia

O sistema de saúde francês, segundo os três-maienses, é muito bom, porém não é gratuito. “O governo francês cobre uma porcentagem das despesas. Caso queira uma cobertura maior, é necessário pagar por um plano de saúde particular, que vai cobrir a parte que não é paga pelo sistema público”, explica Marcelo.

Quanto à infraestrutura das casas de saúde, o casal considera  excelente. “Diferente do Brasil, aqui a grande maioria dos médicos não atende em hospital, mas tem seu próprio consultório. As pessoas precisam ter o seu médico generalista para atendimentos de rotina. Caso você precise de um especialista, é o médico generalista que irá avaliar se é necessário ou não fazer o encaminhamento" . 

Quanto à economia, Marcelo relata que o poder de compra na França é maior que o do Brasil. O salário mínimo é em torno de R$ 6.500,00 (€ 1.200,00). Já o aluguel é algo caro. "Aqui em Paris passa facilmente de 1000 euros por um apartamento de 40 m²”, conta.

 

Ficar na Europa

Desde que foram para a França, eles ainda não vieram ao Brasil, mas já estão com as passagens compradas para agosto. “O planejado é visitar os familiares a cada um ano ou um ano e meio no máximo”, conta.

Quanto a ficar em definitivo na Europa, o casal diz que no momento não é possível concluir nada. "Estamos vivendo o momento, por enquanto".

 

Viver experiências fora do Brasil

“Apesar dos problemas, em geral, o Brasil é um país maravilhoso e só quando saímos dele percebemos seus pontos fortes (a alegria das pessoas e a comida saborosa). Diria que se surgir a oportunidade de vir para cá, não há nada demais em tentar viver um período completamente diferente na sua vida que nunca mais irá esquecer. Óbvio que não é fácil, mas isso todo mundo já sabe”, aconselha o casal.