Seminário de Irrigação debate técnicas de manejo em Três de Maio

Evento reuniu mais de 100 participantes e abordou potencial hídrico regional, manejo da água e subvenção para projetos no Rio Grande do Sul

Seminário de Irrigação debate técnicas de manejo em Três de Maio
Foto: José Schafer

Três de Maio sediou o 3º Seminário Regional de Irrigação. Promovido pela Emater/RS, Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação - Seapi e Setrem, o evento foi realizado no Auditório da Setrem, na quarta-feira (10). 

A irrigação, pauta central do seminário, recebeu destaque enquanto estratégia de resiliência frente a adversidades climáticas e tecnologia que contribui para a estabilidade da produção em diferentes contextos. 

Conforme a assessoria de imprensa da Emater/RS, o evento contou com mais de cem participantes, que tiveram a oportunidade de conhecer mais sobre políticas públicas que contribuem para a viabilização da implantação de sistemas de irrigação. O Seminário também contou com o apoio da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS).  

 

Regiões Fronteira Noroeste e Missões contam com 180 milhões de m³ de água em açudes

O assistente técnico regional da Emater/RS-Ascar Marco André Junges afirma que nas regiões abrangidas pelos Coredes Fronteira Noroeste e Missões, existem em torno de 180 milhões de m³ de água acumulados em pequenos e médios açudes, o que é suficiente para irrigar aproximadamente 60 mil hectares, mas que ainda há muito potencial a ser aproveitado, seguindo as legislações vigentes. “Temos disponível uma vasta rede de rios e riachos que aumentam em pelo menos mais de 150% as possibilidades de áreas irrigadas”, destaca Junges, ao lembrar que “é preciso adotar posicionamento mais incisivo em relação ao cessamento das perdas decorrentes de estiagens cada vez mais recorrentes, distribuindo as águas acumuladas em reservatórios ou mesmo correntes em nossos rios e riachos”. 

Se confirmada a previsão de El Niño e suas consequentes chuvas intensas na região no próximo semestre, deve ocorrer a abertura de uma janela de oportunidades para a reservação da água para momentos críticos em que esta se torna escassa. 

Porém, para seu êxito, a irrigação precisa estar inserida e associada a um contexto que permita o melhor aproveitamento da água. Diante disso, o Seminário contou com a palestra do professor da Universidade Federal da Fronteira Sul, campus Cerro Largo, doutor Douglas Rodrigo Kaiser, que abordou o tema “disponibilização de água às plantas e a importância da infiltração”. O engenheiro agrícola Valberto Müller, professor da Setrem, explanou sobre a irrigação desde o planejamento até a implantação.

Compreender como o sistema de irrigação acontece a campo possibilita decisões mais assertivas para a propriedade. O público se muniu de informações sobre o tema de forma prática, com a apresentação de uma das experiências exitosas implementadas no município, apresentada pelos produtores Gelson e Erick Weimer e o extensionista do Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar de Três de Maio, Fábio Karlec.

 

Valberto Müller, professor da Setrem, explanou sobre a irrigação desde o planejamento até a implantação (Foto: Sandro Rambo)

 

Atividade de campo demonstrou o impacto da tecnologia de irrigação na propriedade rural da família Weimer 

Os participantes do seminário também puderam visitar a propriedade da família Weimer para acompanhar demonstrações técnicas sobre irrigação e conservação do solo, onde conferiram, na prática, como esses conceitos são aplicados em uma propriedade que investiu em tecnologia e práticas conservacionistas. Na área da família, onde a irrigação é utilizada na produção de grãos, foram realizadas estações técnicas sobre avaliação das condições físicas do solo, instalação de sistemas de irrigação e estratégias para retenção da água da chuva na lavoura.

A primeira estação foi conduzida pelo professor da UFFS, Douglas Rodrigo Kaiser, que destacou a importância da conservação do solo para a sustentabilidade da agricultura familiar. Segundo ele, mais de 80% das propriedades gaúchas possuem menos de 50 hectares. "Perder solo significa perder capacidade produtiva, especialmente em nossa região, onde predominam propriedades da agricultura familiar", ressaltou.

As avaliações de campo para implantação de sistemas de irrigação foram apresentadas pelo engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar de Santo Cristo, Leandro Seger, enquanto o técnico agrícola da Emater/RS-Ascar de Tuparendi, Albino Motter, abordou práticas voltadas à retenção da água da chuva na lavoura, evidenciando a importância da integração entre irrigação e conservação do solo.

A propriedade da família Weimer também foi apresentada como um exemplo de planejamento e sucessão. Os investimentos realizados e a abertura ao diálogo têm contribuído para a continuidade das atividades, atualmente em processo de transição para a quarta geração, com a presença do filho Eric.

Entre 2024 e 2025, com apoio do Programa Supera Estiagem II, da Seapi, foi implantado um sistema de irrigação por pivô central para atender uma área de 30 hectares destinada ao cultivo de soja e milho. O extensionista da Emater/RS-Ascar Fábio Karlec destacou que os resultados positivos alcançados decorrem da integração entre irrigação, práticas de conservação do solo e terraceamento.

 

Propriedade da família Weimer foi apresentada como exemplo do uso da tecnologia na região,  de planejamento e sucessão familiar (Foto: José Schafer)

 

Aumento da produtividade em áreas irrigadas

Os ganhos de produtividade já foram percebidos no primeiro ano de funcionamento do sistema. Na cultura do milho, a área irrigada alcançou produtividade de 228 sacas por hectare, frente às 173 sacas por hectare registradas na área não teve a técnica implantada, uma diferença de 55 sacas por hectare. Na soja, a produtividade foi de 45,5 sacas por hectare na área irrigada, contra 34 sacas, representando um incremento de 11,5 sacas por hectare.

Além do aumento da produtividade, a irrigação proporciona benefícios indiretos importantes, como maior estabilidade de produção e de renda, melhor estabelecimento das culturas com irrigação pós-semeadura, possibilidade de potencializar práticas de manejo, como a aplicação de adubação nitrogenada no milho, e valorização da área produtiva.

 

Programa Irriga + RS

Durante o evento foi divulgado que seguem abertas, até 30 de outubro de 2026, as inscrições para a Fase 3 do Programa Irriga + RS, da Seapi. A iniciativa oferece subvenção equivalente a 20% do valor dos projetos de irrigação, com devolução de até R$ 150 mil por produtor rural.

Para se inscrever, o produtor interessado deve procurar um técnico para elaborar e enviar o projeto e documentação. O Governo analisa e aprova o auxílio financeiro. Após comprovar a instalação do sistema de irrigação ou reservatório, o beneficiário recebe o valor da subvenção na conta.