Jovem três-maiense transforma visão de mundo após experiência de morar um ano na Finlândia
Augusto Hermes Ritter retorna a Três de Maio após residir na nação considerada a mais feliz do mundo, com novas perspectivas sobre cultura, autonomia e qualidade de vida
Depois de meses enfrentando o rigoroso inverno finlandês, dias curtos e uma cultura marcada pelo silêncio e pela valorização do espaço individual, o estudante Augusto Hermes Ritter, de 17 anos, voltou ao Brasil trazendo na bagagem muito mais do que lembranças da experiência internacional. Participante do programa de intercâmbio do Rotary International, o jovem três-maiense afirma que o período vivido na Finlândia transformou sua maneira de enxergar o mundo e reforçou valores como autonomia, respeito e equilíbrio.
Filho de Ademir Inácio Ritter e Vera Maria Hermes, Augusto escolheu a Finlândia justamente por buscar uma realidade completamente diferente da brasileira. Durante o intercâmbio, residiu em Helsinki, capital do país. "A Finlândia sempre despertou meu interesse. Queria viver uma experiência nova, conhecer pessoas, culturas diferentes e aproveitar essa oportunidade de crescimento", relata.
Logo na chegada, o estudante percebeu características marcantes da sociedade finlandesa. "O que mais me surpreendeu foi o silêncio em locais públicos. Os finlandeses valorizam muito o espaço pessoal e a tranquilidade", conta.
Segundo ele, a adaptação ocorreu de forma tranquila, apesar das diferenças culturais e climáticas. O maior desafio foi compreender o comportamento mais reservado da população.
Idioma e rotina escolar
Outro obstáculo foi o idioma. O finlandês é considerado um dos mais difíceis do mundo por possuir estrutura bastante diferente das línguas mais conhecidas. Mesmo assim, Augusto conseguiu se comunicar sem grandes dificuldades graças ao domínio do inglês pelos moradores.
Durante o intercâmbio, viveu com uma família anfitriã, que procurava apresentar aspectos da cultura e da história finlandesa em passeios e momentos de convivência.
A rotina também era diferente da brasileira. Os horários das aulas variavam diariamente, com início entre 8h15 e 9h40 e término entre 14h e 16h. Após a escola, costumava encontrar amigos ou frequentar o centro da cidade. Duas vezes por semana participava de aulas de finlandês.
Ele estudou em uma escola particular, mas explica que, na Finlândia, esse conceito difere do Brasil. "As escolas particulares também são gratuitas, seguem a mesma base curricular das públicas e oferecem os mesmos serviços. A diferença está na metodologia de ensino ou em currículos internacionais e religiosos", explica.
Natureza, pontualidade e qualidade de vida
Entre os aspectos que mais admirou estão o contato constante com a natureza e o estilo de vida mais tranquilo. Segundo Augusto, é comum que famílias possuam casas de verão em áreas isoladas, cercadas por florestas ou lagos, onde passam fins de semana descansando.
Outro hábito marcante foi a pontualidade. "Eles chegam sempre no horário ou até alguns minutos antes. Se vão se atrasar cinco minutos, avisam."
Da experiência, pretende manter o hábito de valorizar momentos de silêncio. "Percebi como isso ajuda a desacelerar, organizar os pensamentos e aproveitar melhor o presente."
Em contrapartida, muitas perguntas feitas pelos finlandeses revelavam curiosidade sobre o Brasil. "Eles perguntavam se aqui existem muitas festas e queriam saber se falamos brasileiro ou espanhol."
Augusto também observou diferenças no uso da tecnologia. Segundo ele, crianças utilizam menos celulares e, entre os jovens, Snapchat e TikTok são mais populares do que Instagram e WhatsApp, como no Brasil.

Na Finlândia, famílias possuem o hábito de terem momentos junto à natureza para sair da rotina do dia a dia
Lapônia e tradição da sauna
Entre as experiências mais marcantes está a viagem promovida pelo Rotary à Lapônia, região localizada no extremo norte do país, onde o frio é intenso e com bastante neve. "Lá vivem as renas e tivemos a oportunidade de ver a aurora boreal. Foi a experiência mais incrível da minha vida."
Na viagem, o grupo também praticou esqui, atividade inédita para o estudante. "Com certeza é um lugar que quero voltar assim que tiver a oportunidade."
Outro símbolo da cultura finlandesa que chamou sua atenção foi a sauna, reconhecida pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. "Ela faz parte da rotina dos finlandeses. É um momento de relaxamento e bem-estar. Muitos alternam a sauna quente com mergulhos em lagos gelados ou até na neve durante o inverno."
Na culinária, o doce salmiakki foi o alimento que mais lhe causou estranhamento. "É um doce preto, amargo e muitas vezes salgado."

Augusto passou um Natal diferente em 2025, ao lado da família anfitriã

Acampamento de orientação na primeira semana com todos os intercambistas que foram para Finlândia e Estônia
Transporte público eficiente e incentivo à cultura
Para Augusto, um dos destaques da Finlândia é a qualidade da infraestrutura.
O sistema de transporte público integra trens, ônibus, metrôs e bondes, com tarifas acessíveis, veículos aquecidos durante o inverno e predominância de ônibus elétricos. "O custo de vida é elevado, mas compatível com os salários e com a qualidade dos serviços públicos."
Na área cultural, o estudante destaca que Helsinki oferece diversos eventos gratuitos, além de entrada livre para menores de idade em museus e descontos para estudantes.
Uma experiência que transforma
Ao retornar ao Brasil, Augusto afirma que a maior aprendizagem foi compreender que a vida não precisa ser vivida com tanta pressa. "A maior lição que trouxe foi que não precisamos viver com tanta angústia. A vida não é uma corrida e nunca estaremos atrasados no que é nosso."
Ele também recomenda o intercâmbio a outros jovens. "É uma experiência que muda a vida de quem participa. Você aprende, amadurece e passa a enxergar o mundo de outra forma."
Para o estudante, viver em outro país amplia horizontes e mostra que existem inúmeras formas de viver e compreender a realidade. "A gente só percebe o quanto o mundo é maior do que a bolha em que vivemos, quando saímos dela. Existem outras culturas, outros costumes, outras formas de enxergar o mundo. Sou extremamente grato por ter vivido essa experiência."

Augusto viu de perto as famosas renas na Lapônia

Esquiar foi uma das experiências mais marcantes para o jovem intercambista









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