Distribuição regional da Chama Crioula é amanhã, no CTG Tropeiros do Buricá
Após 19 dias de cavalgada, centelha chegou a Três de Maio na terça-feira
Após 19 dias de cavalgada e 450 quilômetros percorridos, a comitiva formada por 49 cavaleiros chegou a Três de Maio trazendo a Chama Crioula. Na terça-feira, dia 1°, a equipe de cavaleiros do CTG Tropeiros do Buricá desfilou pela Rua Horizontina e nas Avenidas Uruguai e Santa Rosa carregando a Centelha até o CTG Tropeiros do Buricá. Foi a primeira vez que o CTG buscou a centelha da Distribuição Estadual.
O trajeto iniciou em Rio Pardo, onde ocorreu a distribuição estadual da Chama Crioula às 30 Regiões Tradicionalistas do Rio Grande do Sul.
As entidades da 20ª Região Tradicionalista, composta por 29 municípios, a distribuição a Chama Crioula ocorre nos dias 4 e 5 de setembro. Hoje à tarde, os tradicionalistas se deslocam até a propriedade da família de Paulo Alberto da Silva (em memória), tradicionalista homenageado em 2026, onde a centelha está neste momento. A chama será conduzida até o CTG Tropeiros do Buricá à tarde e, à noite, ocorre um jantar com apresentação de invernadas artísticas e fandango.
Amanhã pela manhã, ocorre a distribuição regional, com realização de um evento cultural no CTG.
“A patas de cavalo nós conduzimos a chama de Rio Pardo a Três de Maio para manter viva a tradição gaúcha”
Durante 19 dias, uma comitiva formada por tradicionalistas da 20ª Região Tradicionalista (20ª RT) percorreu o interior do Rio Grande do Sul para conduzir a Chama Crioula de Rio Pardo até Três de Maio. A cavalgada reuniu, diariamente, cerca de 26 pessoas e 16 cavalos, além de uma equipe de apoio responsável pela estrutura, alimentação e organização do acampamento.
Ao Jornal Semanal, o coordenador da cavalgada, José Sparrenberger, relatou os principais momentos do percurso, as dificuldades enfrentadas e a satisfação de contribuir para a preservação da tradição gaúcha.
A comitiva deixou Três de Maio no dia 13 de agosto e chegou a Rio Pardo no fim da tarde, onde a Chama Crioula foi distribuída. Já nos primeiros dias, a chuva intensa obrigou os cavaleiros a alterar os planos. O local inicialmente previsto para o pernoite, um seminário, ficou inacessível devido ao excesso de barro. Como alternativa, o grupo passou a noite em um aeroclube da cidade.
A comitiva permaneceu na região até o domingo, quando seguiu viagem juntamente com integrantes da 9ª Região Tradicionalista, que reúne municípios próximos a Ijuí. O trajeto passou pelo distrito de Albardão, em Rio Pardo, e posteriormente pelo Parque de Eventos de Candelária.
Nesse trecho, a comitiva respeitou uma tradição entre as regiões tradicionalistas: enquanto percorre o território de outra região, não conduz o candeeiro e as bandeiras. “Isso não é uma regra, mas é uma tradição gaúcha entre as regiões e que é respeitada no fio do bigode. Depois que você passa a cidade, você pode conduzir as bandeiras e o candeeiro”, explicou Sparrenberger.
Após Candelária, as regiões seguiram caminhos distintos. A 20ª RT passou por Lagoa Bonita, Cerro Branco e Ibarama, seguindo até Salto do Jacuí. No município, a comitiva recebeu familiares vindos de Três de Maio e também novos integrantes, enquanto outros participantes retornaram temporariamente para acompanhar seus compromissos profissionais e nas propriedades rurais.
A viagem prosseguiu por Boa Vista do Incra, com passagem pela Fazenda Santa Fé, e depois por Cruz Alta, onde o grupo esteve na Fazenda Produza, no Parque de Exposições e na comunidade de Faxinal.
O trajeto também incluiu o Parque de Exposições Vanderlei Burmann, em Ijuí, onde está localizado o Parque de Rodeios, além do Parque de Rodeios de Catuípe, seguindo posteriormente em direção a Colônia das Almas.
Mudanças no trajeto
As condições climáticas também exigiram alterações no roteiro originalmente planejado. Um dos trechos previstos, passando por Esquina Bonfim, precisou ser abandonado devido às condições da estrada..
A alternativa foi seguir por Esquina Araújo, onde a comitiva foi recebida pelo patrão da campeira, Nereu Fiorim. De lá, o grupo atravessou o interior de Independência em direção a São Miguel.
Na comunidade, os tradicionalistas participaram de uma confraternização com apresentação artística de João Kristium e Dona Janete, presidente da comunidade.
Depois, a comitiva retomou o caminho em direção a Três de Maio, onde chegou na última terça-feira, encerrando a jornada.
Equipe de apoio foi essencial
Para Sparrenberger, o sucesso da cavalgada também está diretamente relacionado ao trabalho realizado pela equipe de apoio. “Não existe cavalgada sem equipe de apoio. O nosso apoio foi eficiente e de um atendimento imediato”, destacou.
Entre os responsáveis pela estrutura estava Paulo Ferrazza, chefe de cozinha e de acampamento. A estrutura também contou com um caminhão-furgão de 46 metros cúbicos, disponibilizado por Vanderlei Kunz, no qual foi instalada uma cozinha móvel.
Além dos tradicionalistas de Três de Maio, a comitiva contou com participantes de Boa Vista do Buricá, Horizontina e Tenente Portela. Para o coordenador, a união entre os integrantes foi fundamental para superar as dificuldades encontradas ao longo da viagem. “Todos se ajudando. E isso que precisa ressaltar, porque todos sabiam da dificuldade. Estávamos em território estranho, em que precisávamos nos adaptar todo dia”, afirmou.
Entre as tarefas diárias estavam desmontar e montar o acampamento, recolher o lixo, lavar os utensílios e organizar toda a estrutura para o dia seguinte.
Chuva e frio foram os principais desafios
O clima foi apontado por Sparrenberger como o maior obstáculo enfrentado pela comitiva. Durante o percurso, foram dias de chuva intensa, frio e temperaturas próximas de 3°C.
Em Salto do Jacuí, por exemplo, a temperatura chegou a 3°C às 5h. Na Fazenda Santa Fé, a comitiva encontrou geada, com gelo nos para-brisas dos veículos. Próximo a Três de Maio, as temperaturas ficaram mais amenas, mas a chuva voltou a acompanhar o grupo em trechos como Catuípe e Esquina Araújo até São Miguel.
Para os animais, segundo o coordenador, o frio é menos prejudicial do que o calor intenso, principalmente em razão do desgaste físico. Já a chuva traz dificuldades tanto para os cavaleiros quanto para os cavalos. “Na chuva forte, mesmo que você use a capa de chuva, umedece a roupa, os arreios do cavalo e o pelego”, relatou.
A distância percorrida variou conforme as condições encontradas. A média ficou entre 28 e 30 quilômetros por dia, com trechos de aproximadamente 18 quilômetros nos dias mais difíceis e outros de até 36 quilômetros.
Convivência e aprendizado
Além do desafio físico, a cavalgada proporcionou momentos de convivência e aprendizado entre os participantes. Segundo Sparrenberger, a equipe manteve uma média de 26 a 28 pessoas diariamente no acampamento. Nos últimos dias, já nas proximidades de Três de Maio, mais de 40 pessoas chegaram a participar.
Para o coordenador, a diversidade de pensamentos e experiências foi um dos aspectos mais marcantes da jornada. “Foram trinta escolas diferentes. Quando eu falo de escolas, quero dizer que são cabeças pensantes diferentes, convivendo por 19 dias. Cada pessoa pensa de uma forma. Foi uma convivência extraordinária e um aprendizado maravilhoso”, avaliou.
O trabalho coletivo, fez com que os participantes aprendessem a confiar uns nos outros, dividindo tarefas e responsabilidades ao longo da viagem.
Manter viva a tradição
Com o encerramento da cavalgada, fica a sensação de dever cumprido e, principalmente, o compromisso de transmitir o tradicionalismo às novas gerações.
Sparrenberger afirma ter apenas gratidão pela experiência vivida junto aos integrantes da comitiva que conduziu a Chama Crioula de Rio Pardo até Três de Maio. “Tenho somente gratidão por ter vivenciado estes momentos com a equipe que conduziu a centelha da Chama de Rio Pardo até Três de Maio, mantendo viva a tradição gaúcha que pula em nosso peito”, declarou.
Para ele, o maior desafio está justamente em garantir que esse legado continue sendo transmitido. “O maior desafio é passar essa tradição para as novas gerações que virão. Gaúcho não se entrega na chuva, no frio ou no calor. A patas de cavalo nós conduzimos a chama de Rio Pardo a Três de Maio para manter viva a tradição gaúcha”, finalizou.









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