Área de canola safra 2026 é maior já registrada em Três de Maio

São 900 hectares destinados à oleaginosa nessa safra de inverno

Área de canola safra 2026 é maior  já registrada em Três de Maio
Lavouras de canola tem apresentado um desenvolvimento normal na propriedade de Elias Fischborn, em Lajeado Câncio

A área destinada ao cultivo da  canola na safra de inverno de 2026 já é a maior implantada em Três de Maio. Segundo o escritório municipal da Emater/RS-Ascar, os agricultores três-maienses destinaram a cultura 900 hectares, ante a projeção inicial de 400 hectares. A área superou em 125% as expectativas iniciais.

O extensionista e chefe do escritório local da Emater Leonardo Rustick ressaltou que muitos agricultores migraram do trigo para a cultura nesse ano. “O nosso município nunca tinha cultivado canola com tanta intensidade como em 2026. O máximo de área era de 400 hectares. É uma cultura que oscila bastante de área de um ano para o outro. O aumento significativo da área, é o reflexo de alternativas que os produtores estão buscando para culturas de inverno”, detalhou.

 

Estimativa de rendimento médio de 1,5 mil kg/ha 

A canola é muito utilizada para a produção de óleo comestível. Neste momento, a cultura segue com desenvolvimento normal. “As áreas foram semeadas de forma escalonada. As primeiras lavouras já estão em floração”, detalhou.

Alguns produtores estão cultivando pela primeira vez a canola. “Nesses casos, orientamos que é uma semente bem miúda e que precisa de conhecimento técnico e maquinário adequado. Mesmo assim, é uma cultura com grande viabilidade para cultivo de inverno”, acrescentou.

O rendimento médio esperado é de 1.500 kg/hectare (25 sacas/ha). “Esse rendimento, já foi alcançado em outros anos no município. Quanto ao cenário de valor de comercialização, o preço da saca é melhor que a soja. Todos esses fatores contribuem para que ocorra esse aumento na área cultivada no município”, acrescentou.

 

Área com trigo cai 44% em Três de Maio

Principal cultura para a época do ano, o trigo registra um recuo de 44%  na área cultivada em Três de Maio se comparado à safra de 2025. São 7 mil hectares destinados ao cereal. 

Além do preço de comercialização, girando em torno de R$ 68 a saca no Estado, o trigo é mais dependente das condições climáticas, entre elas o, quando há excesso de chuva, especialmente na época de colheita. Como a previsão de El Niño está se confirmando nesse ano, os produtores rurais deixaram de investir tanto no cereal. “Comparado ao trigo, a canola não é tão sensível quanto a chuva. O trigo perde muita qualidade caso ocorram muitas chuvas no momento da colheita, o que não ocorre com a canola. A única preocupação é de que esteja seca e que tenha condições climáticas para efetuar a colheita”, explicou. 

 

 

“É um mercado que tende a crescer e tem boa precificação”, diz agricultor que cultiva canola pela primeira vez

Pela primeira vez, o agricultor Elias Vinícius Fischborn, de 28 anos, apostou no cultivo de canola e destinou 40 hectares da propriedade da família para a cultura na safra de inverno. A área fica na localidade de Lajeado Câncio, no interior de Três de Maio, onde ele trabalha ao lado dos pais Cleusa e Sandro  Fischborn.

Até a safra passada, o espaço era ocupado pelo trigo após a colheita da soja safrinha. A mudança, segundo Elias, foi motivada pelo cenário desfavorável enfrentado pela cultura tradicional. “O trigo vem registrando preços muito baixos. Por isso, optamos pela canola, que é um mercado em expansão e apresenta uma boa precificaçãoIsso nos motivou a investir na cultura”, afirma.

 

 

Para realizar o plantio, no fim de maio, foi necessário adaptar a plantadeira às exigências da canola. De acordo com o produtor, a regulagem é diferente da utilizada em outras culturas, mas não representa um grande obstáculo. “A maior dificuldade foi acertar a regulagem da plantadeira. A canola utiliza entre 1 e 1,3 quilo de sementes por hectare, então é fundamental fazer uma boa distribuição para garantir a população adequada de plantas”, explica.

Apesar dos desafios iniciais, Elias avalia que o desenvolvimento das lavouras tem sido satisfatório. Parte da área já recebeu aplicações de defensivos, enquanto o restante aguarda melhores condições climáticas para a realização dos tratos culturais. Também está prevista a aplicação de ureia, considerada essencial para o desenvolvimento da cultura.

Além do potencial econômico, o agricultor destaca benefícios agronômicos da canola para o sistema de produção. “Mesmo deixando pouca palha sobre o solo, a canola possui uma raiz pivotante, semelhante à do nabo, que ajuda na descompactação do solo”, observa.

Outro aspecto ressaltado pelo produtor é o manejo da área após a colheita. Diferentemente do trigo, a canola exige um intervalo antes da implantação da soja. “Após colher a canola, é preciso esperar entre 20 e 30 dias para plantar soja na mesma área. Esse período evita problemas de alelopatia, que podem comprometer o desenvolvimento da cultura seguinte”, conclui.

 

No Estado,  352 mil hectares são destinados ao cultivo da canola

No Estado, a semeadura da canola deve atingir uma área de 353,3 mi hectares, conforme estimativas iniciais da Emater/RS-Ascar. O incremento da área em  102,64% em relação a 2025,  faz com que a canola se consolide como a principal cultura em expansão entre os cultivos de inverno na Safra 2026 no RS. 

De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater do fim de junho, as primeiras lavouras implantadas ingressam na fase de florescimento, enquanto a maior parte das áreas apresenta adequado desenvolvimento vegetativo. 

A produtividade média está projetada em 1.619 kg/ha, resultando em produção estimada de 571.975 toneladas.

 

Trigo continua sendo a principal cultura de inverno

Já a semeadura do trigo no Estado avançou e alcança cerca de 70% da área projetada. A cultura de trigo apresenta retração significativa da área, segundo estimativa da Emater/RS-Ascar. Com projeção de 814,2 mil hectares, a redução ser[a de cerca de 30% em relação a safra em 2025. 

Apesar do recuo, o trigo permanece como o principal cereal de inverno do Estado. A produtividade média projetada é de 2.701 kg/ha, e produção estimada de 2,2 milhões de toneladas. 

A redução da área cultivada é reflexo da combinação de menor rentabilidade, custos de produção elevados, restrições de crédito e maior percepção de risco climático para o ciclo de inverno. Também se observa redução do nível tecnológico em parte das áreas, como racionalização do uso de insumos e maior utilização de sementes salvas.