A chave de ouro: encerrar ciclos e abrir novos
Por que isso é importante, ao ponto de ser considerado “chave de ouro”?
E, obviamente, não estou falando do que representa esse metal tão cobiçado, mas da qualidade humana em sermos fiéis a nós mesmos. Na tradição alquímica do Egito, o transformar chumbo e ouro referia-se ao ser humano transformar suas densidades, defeitos, em algo íntegro e valioso - é a esta chave de ouro que me refiro: o despertar interior. Esta metáfora, ainda hoje, é pouco compreendida por quem vibra no consumismo materialista, desconectado do valor simbólico da existência.
A vida compreendida em ciclos traz mais clareza para unirmos o tempo e o espaço em que vivemos para, assim, sabermos cultivar o momento presente e desenhar os caminhos que levam aos frutos futuros. Já escrevi sobre isso no meu livro Psi na Prática (2022).
Seguindo com a reflexão do artigo ‘Fechando Ciclos’ (p.107-109), transcrevo minhas palavras:
“A vida é repleta de ciclos e mostra que precisamos flexibilidade psíquica para compreender quando um ciclo fecha. Se negarmos a realidade que está fora do nosso controle, sofremos mais. O desconforto aumenta com a ideia fixa ou o apego. Contudo, a vida sempre reserva algo a mais quando estamos conectados com ela.
Esta compreensão serve para tudo. Só assim podemos transformar, viver o presente, investir em coisas novas, explorar outras potencialidades próprias. Saber que é o fim é o começo da compreensão do que fazer ou deixar de fazer, para depois perceber o novo que abre.”
O contato vibracional que ressoa em expansão dentro de nós é o critério que faz conexão com o mundo da vida. Contudo, nem sempre é fácil perceber que uma profissão já não traz mais realização, ou uma amizade de anos já não tem mais a mesma sintonia ou reciprocidade, ou ainda quando um namoro ou casamento está esvaziado de sentido, ou ainda quando percebemos que não temos mais afinidade com algum membro da família. Muitas vezes isso ocorre porque os caminhos seguem em direções diferentes, e perdem, assim, a conexão, a identidade com aquela pessoa ou situação, simplesmente porque os valores de vida ou escolhas são diferentes. Pode ser incômodo ter que reagir, reposicionar-se, afinal, cada situação tem seus comodismos, seus laços estabelecidos, suas crenças, costumes culturais, hábitos antigos e modelos mentais fixos desde a sua infância. Afinal, desacomodar-se é, sim, desafiante.
Abrir mão do útero quentinho é uma necessidade de vida. Sem isso, damos lugar à morte. Morremos um pouco quando ficamos em relações ou situações não nutritivas por obrigação, quando não nos identificamos mais. Quando alguém rompe um ciclo, desacomoda ou liberta outros, pode causar desconforto e incômodos.
Porém, sendo o ciclo natural traz o respeito pela ordem da vida, e as mudanças beneficiam quem compreende e transcende os apegos, elabora os lutos inevitáveis que a vida nos coloca em diversos ciclos e também transcende os padrões fixos ou as memórias do passado.
Fundamental nesta compreensão é não se colocar na posição de julgar, mas de compreender sentindo o que nos eleva, nos expande ou nos encolhe, e isso acontece conforme a nossa coragem, diz a escritora e pensadora francesa Anais Nin.
Compreendendo que tudo tem um ciclo, quais os ciclos que você precisa fechar?
Refletir sobre os acontecimentos, extrair deles algum ensinamento pode ser a chave de ouro para enriquecer para o ano que vem, diz a Profª. Lúcia Helena Galvão.
Para contribuir com as suas reflexões, sugiro algumas perguntas:
- O que você aprendeu em 2025?
- Quais os comportamentos, ideias, pensamentos e hábitos que você repete, mas que na verdade não se identifica mais, mas segue só por alienação, acomodação ou falta de criatividade e inovação de si mesmo?
- Quem é você agora, neste final de ano, comparando-se com você mesmo no final do ano passado?
- Qual clareza e lucidez você têm sobre você hoje?
- Quais mudanças sutis você percebe em si, o que foi possível resolver dentro de si?
- O que não precisa mais sua energia de luta ou defesa? Quais realidades são mais fáceis de acolher agora?
Busque ter honestidade, generosidade e coragem para responder para si mesmo estas questões, de preferência fazendo uma lista por escrito.
Compreendido isso, avante para realizar o novo ciclo com presença de alma e força de ação coerente com aquilo que faz vida. A chave onde a vida pulsa!
‘As mudanças beneficiam quem compreende e transcende os apegos, elabora os lutos inevitáveis que a vida nos coloca em diversos ciclos e também transcende os padrões fixos ou as memórias do passado’.
Arlete Salanti
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ARLETE SALANTI |









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