I Mostra de Presépios resgata o verdadeiro sentido do Natal

A I Mostra de Presépios da Comunidade Evangélica São Paulo – IECLB de Três de Maio contou com 61 presépios de 23 expositores, entre clássicos e modernos. A diversidade nos materiais foi do patchwork, palha de milho e de butiá, bucha vegetal, gesso e pintura em tela. A exposição ocorreu entre os dias 11 e 14 de dezembro e fez parte da programação da Biergarten, promovida pela comunidade São Paulo e os Casais Reencontristas. Para ministra diácona Luciana Rucks, ‘foi um incentivo para que as pessoas buscassem e revivessem os princípios de Jesus’.

I Mostra de Presépios resgata o verdadeiro sentido do Natal
Primeira Mostra contou com a participação de 23 expositores e um total de 63 presépios

A ideia da Mostra de Presépios partiu da ministra diácona Luciana Rucks, que promovia uma atividade semelhante na Comunidade Evangélica da Paz, em Giruá, onde atuava antes de chegar a Três de Maio. “A partir da nossa vinda para o município, surgiu a pergunta sobre a possibilidade de realizarmos a exposição de presépios na nossa comunidade durante os dias da Biergarten. Sempre é um desafio propor algo novo, mas a motivação e o engajamento da comunidade e dos Casais Reencontristas foram maravilhosos e garantiu o sucesso do evento”, comenta.

Luciana explica que a participação da Mostra foi aberta ao público através da Secretaria de Cultura com os diferentes departamentos, como escolas, entidades e comércio. “Ao todo foram 23 participantes, com a colaboração de duas escolas, três artesãs da Associação de Artesãos da Artemaio, membros da IECLB e de outras denominações religiosas”, detalha.

Apesar de o grupo organizador do evento não ter se reunido formalmente para realizar uma avaliação, o grupo viu como muito boa a mostra e “merece ser pensada com carinho para o próximo ano”.

Para Luciana, a ampla divulgação feita em parceria com a Secretaria da Cultura e os Casais Reencontristas, além da exposição ocorrer nos dias da Biergarten, garantiu a ampla visitação. “O grande número de visitantes ultrapassou a expectativa da equipe organizadora e evidenciou a importância de espaços, como a Mostra, que resgatem o genuíno sentido do Natal. Além disso, os presépios evidenciam um importante aspecto pedagógico que ficou evidenciado pela participação das crianças que analisavam maravilhadas atentamente cada presépio”, cita.

A ministra reforçou que o objetivo era propiciar a reflexão sobre o verdadeiro sentido do Natal. “Foi um incentivo para que as pessoas buscassem e revivessem os princípios de Jesus, que estão ligados ao respeito, ao amor, a paz e a justiça. Também buscamos incentivar a criatividade e o envolvimento das pessoas nessa data importante do calendário cristão, resgatando memórias afetivas e práticas muitas vezes esquecidas”, conclui.

 

Peças com mais de meio século e materiais variados de arte mesclam o clássico ao moderno

O presépio de Ivone Streicher, 73 anos, com cerca de 60 anos, foi o mais antigo da mostra. “Este presépio foi um presente da avó do meu marido, Vilma Streicher. As peças são todas em gesso e nunca foi feita nenhuma restauração ou pintura. Ele está original”, afirma Ivone.
Ivone não iria participar da exposição, mas foi desafiada pela diácona Luciana. “Faltavam algumas peças pequenas, como as ovelhinhas e animais que compõem o presépio”, acrescenta. 

Segundo Ivone, o presépio possui um significado imenso, pois representa a espiritualidade e a tradição da família. ‘Eu sou descendente de italianos e tínhamos uma espiritualidade muito forte. Tínhamos também o costume de ganhar um presente, que era trazido pelo Menino Jesus, deixado aos pés do presépio. Acompanhava, também, a árvore de Natal montada com galho de araucária”, relembra.

Ivone conta que a família do marido é alemã, e quando casou, ‘pegou’ algumas tradições alemãs, como o tannenbaum (árvore de Natal), que era toda enfeitada. “Hoje em dia já não é possível com árvore natural, mas são as tradições e costumes do Natal que buscamos preservar e manter para as próximas gerações”, conclui.

 

Com cerca de 60 anos, o presépio com peças em gesso de Ivone Streicher era o mais antigo da mostra

 

Entre os presépios expostos estava o de Jainete Scheibler, no Ateliê Jainete Artes. O artigo possui cinco peças de gesso, que foram decoradas com pérolas pintadas e coladas nas peças à mão. A artesã trabalha com customização de arte sacra em pérolas, como imagens santas, como a de Nossa Senhora Aparecida, entre outros santos. “É um trabalho demorado, pois, após as pérolas pintadas, elas são coladas uma a uma, feito com muito carinho e paciência”, destacou.

Presépio da artesã Jainete Scheibler com peças em gesso decoradas com pérolas

 

Outro presépio que chamou a atenção foi confeccionado por Neiva da Rosa, de Giruá. As peças foram produzidas com palha de butiá, com técnica de trançado

 

 

O presépio com cenário da artista plástica Íris Wendland

Artista plástica há 30 anos, Íris Schulz Wendland, 84 anos, criou um presépio para a exposição. Com a ajuda de seu marido, Ronaldo Fredolino Wendland, 84 anos, a obra levou alguns dias para ser concluída. “O meu presépio levou três dias de trabalho para ser montado. Mas todos tinham muita criatividade, o que mostrou que a Mostra foi muito positiva”, diz. 

O presépio permaneceu exposto até o final da Biergarten, encerrado no último domigo (21). “E como houve movimento de crianças no evento, elas puderam ir até a igreja e ver o que representa um presépio. Foi muito importante, pois as professoras conversavam e instruíam as crianças para contar a história do nascimento de Jesus Cristo”, menciona.

Apesar de ser o maior presépio entre os 61 expostos, Íris disse que sua obra foi muito simples. “Em princípio eu tinha um presépio pintado na tela e, como haveria a Mostra, eu iria levar essa tela, mas pensei em fazer um cenário para ficar mais completo”, ressalta.

A artista plástica relata que buscou transmitir a simplicidade do estábulo ao cenário. “Com objetos que tinha em casa, fui montando o presépio. Todos os objetos são símbolos natalinos, que representam o nascimento de Cristo. As ovelhas, com o seu pastor, simbolizam a paz e o cuidado, e lembram que o bom pastor sempre é Cristo. Eu coloquei a estrela, que brilhava e mostrava o caminho para os Reis Magos.” 

O cenário foi enriquecido com verde. “Eu estava estudando sobre a história e a adoração em fazer presépios, que começou no ano 364, na Normandia. E é muito interessante porque, no início, eles comemoravam o Natal com muito verde, celebrando a safra e os cereais, as plantações e o nascimento, pois cada planta renasce, assim como Cristo. Então, por isso, eu incluí muitas plantas verdes”, explica. 

O presépio foi ornamentado com anjos e uma cena de uma vila ao fundo, representando Belém e evidenciando a simplicidade da cidade. A tela de Maria, José e o menino Jesus na manjedoura, Íris tinha em seu atelier há muitos anos. “O que leva mais tempo para mim, em qualquer obra de arte, é sempre fazer a composição. Para produzir uma composição em uma pintura, eu pesquiso e leio a história, também para buscar a inspiração necessária”, relata.

Ao final da entrevista, falou de sua paixão por histórias bíblicas. “Eu acho lindas essas histórias da Bíblia. Eu as leio e me inspiro. Existem muitas ideias de presépios pelo mundo a fora, mas todas têm a mesma finalidade: representar o nascimento de Cristo. Através de todos os objetos, que são simbologias, a gente pode ver a transformação que a arte faz, e o artista coloca na obra de arte a sua criatividade e inspiração”, finaliza.

 

Ronaldo e Íris Wendland junto ao presépio que levou três dias para ser montado para a Mostra