Escola Estadual Professora Glória Veronese poderá ser municipalizada

Estado ofereceu a estrutura do Ciep ao Município de Três de Maio, que manifestou interesse. O educandário tem capacidade para mais de 300 alunos. Atualmente, são 180 estudantes matriculados na instituição

Escola Estadual Professora Glória Veronese poderá ser municipalizada
Escola com excelente infraestrutura tem área construída de 4,6 mil metros quadrados em um terreno de 13,5 mil metros quadrados, com capacidade para mais de 300 alunos (sendo 200 em turno integral). Atualmente tem 180 estudantes matriculados. Localizada no Bairro São Francisco a maioria dos educandos é oriunda de famílias em situação de vulnerabilidade social

A rede municipal de ensino de Três de Maio, composta por mais de dois mil alunos, da Educação Infantil ao Ensino Fundamental, pode ter um acréscimo considerável de alunos a partir deste ano letivo. Caso se concretize a municipalização da Escola Estadual de Ensino Fundamental Professora Glória Veronese (Ciep), serão em torno de 180 estudantes a mais, sob a responsabilidade do Município. 


A possibilidade de ser transferida a mantença da escola do Estado para o Município surgiu após recente encontro entre a direção da 17ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), o prefeito Marcos Corso e equipe do governo municipal de Três de Maio. Na oportunidade, a coordenadora regional, Beatriz Cancian Milbradt ofereceu a estrutura (prédio) da escola para o Município.


Beatriz alega que a municipalização da Escola Glória Veronese é muito importante para a comunidade: “a transferência de mantença em questão trará benefício para o estudante, além de fortalecer um regime de colaboração entre os federados (Estado e Município) e qualificar ainda mais o ensino”, ressalta. 


Para a coordenadora regional, “a escola é pública, independente se tem um E de Estado ou M de Município”. Ela afirma que a oferta do Ensino Médio é do Estado e do Ensino Fundamental é preferencialmente do Município. “Na rede estadual atendemos mais de 2,4 mil escolas. O Município consegue estar mais presente (que o Estado) da comunidade assumindo a escola. Quando se fala em troca de mantença, a gente oferece para o gestor – Município – essa possibilidade. Se há interesse das duas partes, o quadro de professores (nomeados) permanece, nesse ano. Caso não exista interesse dos profissionais da educação, serão remanejados para outras escolas.” 


Conforme Beatriz, o Poder Executivo manifestou interesse na oferta do Estado, pois pretende aumentar a oferta de vagas e tem projetos futuros para ocupar a escola. “O interesse existe. Já estamos montando o processo de transição”, adiantou a coordenadora ao Semanal.


A secretária municipal de Educação, Vera Kühler confirmou ao Semanal a declaração da coordenadora da 17ª CRE. “Temos o interesse na estrutura da escola para ofertar mais vagas na rede municipal. Estamos em tratativas com a Coordenadoria sobre a possibilidade da municipalização da escola Glória Veronese”, afirmou, dizendo que nos próximos dias haverá novas informações.  

 

Escola com excelente infraestrutura tem área construída de 4,6 mil metros quadrados em um terreno de 13,5 mil metros quadrados, com capacidade para mais de 300 alunos (sendo 200 em turno integral). Atualmente tem 180 estudantes matriculados. Localizada no Bairro São Francisco  a maioria dos educandos é oriunda de famílias em situação de vulnerabilidade social

 

 

‘Ficamos abalados com a notícia’, diz o diretor Osmar Sipmann

 

Com uma área construída de 4,6 mil metros quadrados em um terreno de 13,5 mil metros quadrados, e capacidade para mais de 300 alunos (sendo 200 em turno integral) a Escola Estadual de Ensino Fundamental Professora Glória Veronese (Ciep) foi fundada em 16 de julho de 1993, tendo o início das suas atividades letivas em 12 de maio de 1993. 


Atualmente, conta em seu quadro de recursos humanos com 31 professores (entre nomeados, com convocações e com contratos) e 15 funcionários (entre nomeados, contratados e terceirizados). 


Diretor da escola desde junho de 2010, o professor Osmar Sipmann revela que no dia 28 de janeiro foi surpreendido por “terceiros” com a informação de que a escola estava sendo oferecida ao Município para ser transformada em escola municipal. “A equipe diretiva ficou extremamente abalada com esta notícia, pois este era o último dia antes das férias coletivas”, recorda, dizendo que a partir deste momento foi atrás de informações mais concretas junto à 17ª CRE e a Prefeitura.


Segundo o diretor, no dia 3 de fevereiro, foi convocada uma reunião com professores e funcionários para dar a notícia. “Todos ficaram desolados, sem chão, se sentindo traídos. Foi solicitada a presença da coordenadora da 17ª CRE na escola, que se fez presente na parte da tarde, informando que realmente estava em negociação avançada com o Município e este estava aceitando, pois a escola está em ótimo estado de conservação e bem equipada.” 


Osmar explica que os professores e funcionários nomeados/concursados poderão ficar atuando na escola até o final do ano letivo de 2021. Já as convocações e contratos seriam retirados e realocados nas escolas estaduais do município, conforme necessidade deste ano letivo. “Contamos com uma estrutura muito bem cuidada e organizada pelos professores e funcionários. Anos de muito trabalho e dedicação que não estão sendo valorizados. Professores e funcionários que ao retornarem de férias vão estar desempregados. É muito triste”, lamenta o diretor.

 

Equipe de professores e funcionários da escola

 

Para diretor do Cpers, decisão do Município precisa de planejamento. Marino Simon também afirma que escola não será fechada

 

Na avaliação do diretor do 35º Núcleo do Cpers Sindicato, professor Marino Simon, a decisão por parte do Município precisa ser baseada em um planejamento. “Sensato seria nesse momento o Município dizer que este ano não quer o prédio. Fazer um estudo para ver se tem capacidade de assumir a escola e trabalhar com a qualidade que ela merece. Porque assumir agora? Não, tem que pensar no futuro”, sugere o professor. 


Para ele é precisa haver um estudo, pois trata-se de uma negociação séria. “De fato, o Município precisa deste espaço? Existe espaço ocioso na escola São Francisco, que foi fechada e municipalizada. Penso que não dá pra se precipitar”, questiona o diretor do Cpers. 


Segundo Marino, neste momento é importante preservar o emprego e a ocupação de todos os professores e funcionários da escola. “Deve ser feito um estudo do impacto financeiro para o Município. Porque assumir mais este ônus agora? Futuramente vai ter recursos para atender todos os alunos da pré escola e ensino fundamental? Vamos discuti, conversar, dialogar. O Estado está querendo se livrar dos professores, funcionários e dos encargos todos”, lamenta o professor. 


O diretor do Sindicato alega que, caso o Município não assumir a escola, ela não irá fechar. “Isso precisa ficar claro. Nós já estamos conversando com professores, vereadores, vamos nos mobilizar para que pelo menos este ano permaneça a escola sob responsabilidade do Estado. Que o governo estadual e o Município negociem então para o próximo ano, observando as condições que o Município tem (ou não). Vamos ouvir a comunidade se ela quer (ou não) a municipalização da escola. Como ficam esses profissionais que dedicaram anos de sua vida ao educandário? Caso o Município de fato quiser o prédio, que seja para o próximo ano. Para uma decisão tão impactante, é preciso que todos tenham sensatez”, declara Marino Simon.