‘O professor hoje precisa ser um mediador de experiências, um articulador de saberes e um promotor de aprendizagens ativas e significativas’
No dia 15 de outubro é comemorado o Dia Nacional do Professor. A data remete ao ano de 1827, quando Dom Pedro I, Imperador do Brasil, assinou um Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil.
Posteriormente, a data foi instituída por decreto nacional, como dia dedicado aos professores e feriado escolar, em 1963. A data também remete ao Dia de Santa Teresa d’ Ávila, padroeira dos professores no Brasil.
Na edição desta sexta-feira, o Semanal traz uma entrevista com Elisabete Andrade, doutora em Educação nas Ciências pela Unijuí, com período de doutorado sanduíche na Universidade de Lisboa em Portugal e coordenadora do Curso de Pedagogia da Faculdade Três de Maio – SETREM.
Elisabete relata os desafios da profissão, o uso das tecnologias, perspectivas do mercado de trabalho e principais áreas que já faltam profissionais. O Semanal também conversou com duas acadêmicas do Curso de Pedagogia da Setrem sobre as perspectivas para o futuro na profissão.
Como você avalia o atual mercado de trabalho para os professores?
O mercado de trabalho para os professores vive um momento de transformação. A docência está cada vez mais valorizada em áreas que demandam inovação, empatia e competências humanas — especialmente em um contexto no qual a inteligência artificial e as novas tecnologias vêm alterando profundamente a forma de aprender e ensinar. Há oportunidades crescentes para profissionais que conseguem aliar domínio de conteúdo, sensibilidade pedagógica e habilidades digitais. No entanto, ainda há desafios relacionados à valorização salarial, às condições de trabalho e à necessidade de constante atualização.
Em qual área existe a maior dificuldade para encontrar profissionais?
Atualmente, percebe-se uma escassez significativa de professores nas áreas de Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental, especialmente nas redes municipais e em cidades de menor porte. No Ensino Médio e Técnico, há carência em disciplinas específicas, como Matemática, Física e Química. Também há uma demanda crescente por educadores preparados para atuar em contextos não escolares — como espaços corporativos, hospitais, organizações sociais e ambientes digitais de aprendizagem.
Tanto o setor público quanto o privado buscam profissionais com formação sólida e capacidade de inovação, o que reforça a importância de cursos de licenciatura atualizados e conectados com as novas exigências do mundo do trabalho.
Quais os principais desafios enfrentados pela profissão?
Entre os maiores desafios estão a valorização profissional, a atualização pedagógica frente às mudanças tecnológicas e o equilíbrio emocional em um contexto de intensas demandas. O professor hoje precisa ser um mediador de experiências, um articulador de saberes e um promotor de aprendizagens ativas e significativas. Isso exige investimento em formação continuada, apoio institucional e reconhecimento social.
Como o Curso de Pedagogia da Setrem tem se preparado para esse cenário?
A Setrem está atenta a esse novo contexto e, por isso, a partir do ingresso de 2026, o Curso de Pedagogia contará com uma nova proposta curricular e o formato semipresencial. Essa reformulação nasce de um processo de escuta e de alinhamento às novas Diretrizes Curriculares Nacionais, às demandas do mercado e às tendências contemporâneas da educação.
O novo currículo privilegia o protagonismo discente, a integração entre teoria e prática desde o início do curso, e a formação de professores para múltiplos espaços educativos. O formato semipresencial amplia as possibilidades de acesso e de flexibilização, sem abrir mão da qualidade do acompanhamento docente, marca registrada da SETREM ao longo de seus 25 anos de história na formação de educadores.
Nosso compromisso é preparar profissionais capazes de transformar realidades, inspirar pessoas e inovar na prática pedagógica, com sensibilidade e competência.
‘Ser educador é plantar sementes que florescem para toda a vida’

“O que me motivou a seguir nesta profissão foi, em primeiro lugar, o amor pelas crianças e pela educação. Contudo, o que realmente me faz permanecer nessa caminhada é a certeza de que, por meio da educação, é possível transformar realidades, despertar sonhos e construir um futuro mais humano e justo. Cada sorriso, cada conquista e cada novo aprendizado de uma criança reafirmam diariamente o valor dessa escolha.
Em relação ao futuro, minhas expectativas são de continuar crescendo como educadora, buscando constantemente aperfeiçoamento profissional e novos desafios que me permitam contribuir ainda mais para a formação integral dos alunos. Desejo seguir atuando com compromisso, criatividade e paixão, pois acredito que educar é um ato de amor e coragem.
Para quem sonha em seguir a área da educação, deixo uma mensagem: nunca deixem de acreditar no poder transformador do conhecimento e na importância de cada gesto dentro da sala de aula. Ser educador é plantar sementes que florescem para toda a vida.
E, em homenagem ao Dia do Professor, deixo meu reconhecimento e gratidão a todos os profissionais que dedicam tempo, paciência e amor à arte de ensinar. Que jamais falte inspiração, esperança e orgulho por fazer parte da construção de um mundo melhor através da educação”.
Raiana Laís Pagani Wille, 21 anos, residente em Horizontina. Acadêmica do 8° semestre do curso de Pedagogia na SETREM e atua na área desde 2022. Atualmente trabalha no SESI, como Monitora dos Projetos Educacionais na trilha de Pesquisa e Tecnologia.
‘Ser professora: entre o sonho e o compromisso com o humano’

“Desde muito cedo, percebi que ensinar era mais do que uma profissão, era uma forma de transformar o mundo ao meu redor. O desejo de compreender o outro, de contribuir com o crescimento e a descoberta das pessoas, sempre me acompanhou. Foi esse sentimento de encantamento pelo aprendizado, pela troca e pela escuta que me motivou a buscar o curso de Pedagogia. Mais do que aprender sobre teorias e metodologias, eu buscava compreender o sentido profundo de educar: formar seres humanos capazes de pensar, sentir e agir com empatia e consciência no mundo.
Escolher a Pedagogia foi, para mim, um ato de coragem e afeto. Coragem para enfrentar os desafios de uma profissão muitas vezes desvalorizada, e afeto por acreditar no poder que existe em cada encontro com uma criança, um estudante, um colega de profissão. Cada olhar curioso, cada conquista pequena dentro da sala de aula ou fora dela, reafirma diariamente que estou no caminho certo. Educar é também ser aprendiz, e foi na Pedagogia que descobri que o ensino é uma via de mão dupla, em que quem ensina também cresce, se transforma e se humaniza.
Durante a caminhada acadêmica, descobri que ser pedagoga é muito mais do que ensinar conteúdos. É observar, compreender e acolher as diferentes formas de ser e estar no mundo. É valorizar as potencialidades de cada criança e acreditar que todas têm algo a ensinar. Essa percepção me leva, a cada dia, a buscar práticas educativas que sejam mais sensíveis, criativas e inclusivas. A Pedagogia me ensinou a ver a educação como um espaço de diálogo e de esperança, onde o conhecimento floresce junto com o respeito e o amor.
Minhas expectativas profissionais estão profundamente ligadas a esse compromisso com a transformação. Quero continuar atuando de forma que minha prática pedagógica promova autonomia, empatia e pertencimento. Pretendo seguir construindo espaços em que cada estudante se sinta visto, ouvido e parte de algo maior. Acredito que a educação tem o poder de mudar destinos e quero ser instrumento dessa mudança, principalmente em contextos onde a escola é o principal espaço de acolhimento e oportunidade.
Desejo seguir aprendendo, pesquisando e ampliando meu olhar sobre a realidade da educação, especialmente quando falamos de inclusão. Sonho com uma docência que seja viva, conectada à comunidade, que respeite os saberes locais e promova o diálogo entre o conhecimento científico e a sabedoria popular. Ser pedagoga é também ser ponte entre mundos, gerações e histórias.
Hoje, ao olhar para a profissão que escolhi, sinto orgulho e responsabilidade. Ser professora é acreditar que cada gesto tem um impacto, que cada palavra pode plantar um futuro. É acreditar, mesmo diante das dificuldades, que vale a pena insistir na beleza do ensinar e aprender. A Pedagogia não apenas me formou como profissional, ela me formou como ser humano. E é com esse sentimento que celebro o Dia do Professor, reafirmando o compromisso com a educação como um ato de amor, de resistência e de esperança”.
Laisa Gabriela Dallalba, 21 anos, residente em Santa Rosa. Acadêmica do 6° semestre do curso de Pedagogia na SETREM. Trabalha com Educação Especial









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