TRÊS DE MAIO E SUA HISTÓRIA - A INSTALAÇÃO DO MUNICÍPIO
A INSTALAÇÃO DO MUNICÍPIO
Na manhã do dia 28 de fevereiro de 1955, diversas lideranças locais e regionais, além de numeroso público, estavam presentes no salão histórico do Clube Buricá para acompanhar o cerimonial de instalação do município de Três de Maio, juntamente a tomada de posse dos primeiros vereadores, prefeito e vice-prefeito, eleitos no pleito ocorrido alguns dias antes.
Após empossados os representantes do poder Legislativo e realizada a eleição da mesa diretora da Câmara, para a qual foi eleito presidente o vereador José Knorst, deu-se início a cerimônia de posse do prefeito e vice-prefeito eleitos, os senhores Walter Ullmann e Avelino Haas, momento em que os mesmos prestaram seus juramentos diante de todo o público presente, sendo em seguida aberto espaço para todos aqueles que quisessem tomar a palavra.
Então diversas pessoas se revezaram ao microfone, enaltecendo aquele momento histórico para o recém criado município de Três de Maio, e por último falou o recém empossado prefeito Walter Ullmann, que após saudar todas as autoridades ali presentes, leu o seguinte discurso: “Meus senhores e minhas senhoras! Estes instantes históricos para a nova comuna de Três de Maio, hão de ser um elo de ligação inesquecível aos grandes feitos de nossos antepassados, para com os homens que aqui vivem num trabalho de abnegação a construir a grandeza da pátria. Neste torrão abençoado há de surgir uma unidade federativa mais pujante, mais unida e benfazeja para os anseios sagrados de seus habitantes, marcando heroica e valentemente desde os dias em que aqui aportaram os primeiros heroicos colonos que, vindos de terras longínquas, há menos de 40 anos abriram as primeiras clareiras de nossas florestas, abrindo as primeiras picadas para o transporte a cavalo, e com abnegação e perseverança típica de quem deseja ver concluídos os seus empreendimentos, aqui se fixavam para iniciar uma jornada de trabalho que vem até os nossos tempos.
Assim como no momento em que se instala a nova comuna, também naquele tempo tudo estava por fazer, com a diferença, porém, dos meios de que dispomos em nossos dias. Era objetivo daqueles primeiros imigrantes trazer a esta região o desenvolvimento, proporcionando conforto e novas esperanças para melhores dias.
Já antes do ano de 1915, haviam chegado a estas ricas e ubérrimas terras do Buricá, colonos vindos de Cachoeira do Sul e de outros municípios do Estado, entre estes: Frederico Redel, Germano Pless, Jacob Kamm, José Scheer, Faustino e Lauterio.
No decorrer do ano de 1915, aqui chegava um dos expoentes do progresso de Três de Maio, Frederico Willig, que já então fundava neste recanto a primeira indústria. Sua pequena ferraria, naquele tempo, era o recurso de todos quantos chegavam dispostos a lutar contra os árduos obstáculos da natureza bruta, porque a eles fornecia os instrumentos necessários para abrir os primeiros caminhos em plena mata virgem.
Existia, naquela época, uma pequena casa comercial pertencente a Casemiro Korchewitz e com o avançar dos anos, em 1920, já se contavam mais as casas comerciais de Frederico Frank, Eduardo Rebhein, Germano Dockhorn e Carlos Hentschke.
Nessa época surgia o primeiro hotel pertencente a Alberto Mertens e finalmente, em 1924, foi nomeada a primeira autoridade, o Major Joaquim Rodrigues, que vinha dirigir administrativamente o então 7° distrito de Santo Ângelo, elevando a localidade a categoria de povoado com a instalação do Cartório Distrital.
Sucessivamente, eram criadas as paróquias das igrejas católica e evangélica, vindo a ser construído o primeiro colégio das religiosas Filhas do Sagrado Coração de Jesus, trazidas da Itália pelo saudoso Monsenhor Testani, naquele tempo, já vigário da paróquia. Tal era o desenvolvimento de Três de Maio, que lá pelo ano de 1934 já disputava com 14 de Julho (hoje cidade de Santa Rosa) a sede municipal de Santa Rosa.
Fatores alheios as aspirações deste povo, concorreram, evidentemente, para a instalação da sede municipal em 14 de Julho, a qual Três de Maio passou a pertencer como distrito de maior projeção política e econômica, centro comercial e industrial de renome, cujo prestígio vinha crescendo a passos largos pela fibra e tenacidade de sua gente.
A esta altura, Três de Maio exigia com vigor o suprimento de força hidroelétrica, vindo mesmo a movimentar-se com energia para que fosse implementada a obra da cascata do Rio Santa Rosa, porém, o vultoso e elevado custo do empreendimento fizeram com que a iniciativa não fosse executada pelas autoridades administrativas daquele tempo. Data do ano de 1939 a primeira tentativa de emancipação política e era reclamada a instalação da Coletoria Estadual.
A par do desenvolvimento industrial e comercial, crescia largamente a produção agrícola dirigida pelos bravos colonos que aqui se fixavam no decorrer dos anos. Já então haviam surgido dois hospitais de primeira ordem, colégios, grupo escolar e muitas escolas municipais e particulares disseminadas pelo interior do distrito.
Apesar dos fatores adversos motivados pela Segunda Guerra Mundial, Três de Maio não diminuiria a marcha de seu progresso, enxergando novos horizontes com a redemocratização do país.
Com a promulgação da Constituição de 1946, novo advento da liberdade de pensamento, vitória inolvidável da democracia, já no ano de 1948, um novo movimento emancipacionista surgia perante a consciência democrática do país, numa marcha que vinha sendo liderada inicialmente pelo eminente Monsenhor Testani, de saudosa memória.
Frustrada a tentativa em virtude da inconstitucionalidade da Lei 534, e após movimentados recursos até o Supremo Tribunal Federal, eis que pela primeira vez cai o ânimo deste povo ordeiro e trabalhador, para voltar mais forte e coeso no novo movimento emancipacionista de 1953, quando a Assembleia Legislativa do Estado tomava a si o encargo de facilitar o grande problema das emancipações.
Voltara o clima de confiança para com os distritos inolvidáveis forjados por uma população que exausta lutava pelo seu prêmio, o de sua independência econômica, política e social.
E apesar de mais uma vez ser tentada a invalidade da lei das emancipações através de plebiscitos de triste memória, desta vez a justiça não tardou e o direito as emancipações prevaleceu. Estava criado o nosso querido município de Três de Maio e, com essa providência, abria-se ao antigo povoado novas esperanças de progresso e feliz porvir.
Conhecidos agora os resultados eleitorais do pleito mais democrático já havido em nossa terra, e quiçá, no Estado e no País, Três de Maio, com o ímpeto da força de vontade de sua gente, volta seus olhos para uma nova estrada da prosperidade.
Aqui, onde todos trabalham, onde domina a preocupação de cada um em fazer alguma coisa, o progresso há de surgir com um encanto que recompense os esforços de nossos antepassados.
Unidos como sempre estivemos em todas as boas causas, habitantes da cidade e do interior dos distritos, todos reunidos em torno das autoridades legitimamente constituídas, havemos de vencer. Havemos de vencer porque não nos é lícito falhar a esta altura dos acontecimentos em que ensejamos a instalação do nosso município.
Tudo está por fazer, tudo deve ser organizado e tudo será difícil porque tudo falta e por isto, não há tempo a perder.
Três de Maio, símbolo do esforço e da boa vontade de sua gente, há de progredir mais unida e mais alvissareira perante as demais comunas de nosso Estado. Como prefeito eleito, conclamo a todo o povo de nosso grande município a serrar fileiras numa cooperação mútua, visando única e exclusivamente cooperar na solução de nossos problemas. Unidos todos em torno da causa de Três de Maio, imprimindo aos nossos atos um cunho apolítico, visando apenas o bem da coletividade, havemos de vencer, porque lutando venceremos!" , finalizou.
Todos os presentes então, pondo-se de pé, aplaudiram o novo prefeito de forma calorosa e prolongada.
Naquele momento era dado o início de uma caminhada que desde então teria a frente do executivo municipal os seguintes prefeitos e vice-prefeitos:
- Walter Ullmann e Avelino Haas (28.02.1955 – 31.12.1959)
- Germano Dockhorn e Rudolfo Rückert (1960 – 1963)
- Ceslau Sawitzki e Ervino Mensch
(1964 – 31.01.1969)
- Walter Ullmann e Ernesto Fleck (31.01.1969 – 31.01.1973)
- Ceslau Sawitzki e Edson Azambuja (31.01.1973 – 31.01.1977)
- Olívio José Casali e Dorildo Goelzer (31.01.1977 – 31.01.1983)
- Ceslau Sawitzki e Henrique Becker Filho (31.01.1983 – 31.12.1988)
- Olivio José Casali e Pedro Paulo Fischer (1989 – 1992)
- Pedro Paulo Fischer e Mario Pires Machado (1993 – 1996)
- Luiz José Lena e Vilarin Abreu
(1997 – 2000)
- Altair Copatti e Fernando Trague
(2001 – 2004)
- Altair Copatti e Alceu Inácio Stein
(2005 – 2008)
- Olívio José Casali e João Mella Neto (2009 – 2012)
- Olívio José Casali e Eliane Zucatto Fischer (2013- 2016)
- Altair Copatti e Eliane Zucatto Fischer (2017-2020)
- Marcos Corso e Josias Correa
(2021 – 2024)
- Marcos Corso e Josias Correa
(2025 a 30 de abril 2026......)
Ao final daquela manhã histórica para a mais nova comuna Rio-Grandense, ao meio-dia um grande churrasco comemorativo foi realizado, também no Clube Buricá, encerrando as buscas da população Três-maiense ao seu mais antigo e audacioso sonho, e dando início a novos anseios de progresso e prosperidade. Estes foram alguns dos acontecimentos do primeiro dia de existência do MUNICÍPIO DE TRÊS DE MAIO.

Desde sua instalação, em 28 de fevereiro de 1955, Três de Maio teve oito prefeitos distintos
totalizando até hoje 17 gestões administrativas
Revisão do Dr. Prof. Leomar Tesche









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