BIBLIOTECAS: um universo de informação, cultura e educação à disposição da população
Silenciosas para uns, vibrantes para outros, as bibliotecas com seus livros são como verdadeiros refúgios de conhecimento. Apesar de que em 2024, mais da metade dos brasileiros (53%) afirmaram não ter lido nenhum livro (nem parcialmente), as bibliotecas públicas ou de rua continuam sendo espaços vivos, onde a cultura se encontra com a comunidade. Em um cenário de avanços tecnológicos e mudanças nos hábitos, esses lugares enfrentam o desafio de se reinventar sem perder sua essência: garantir acesso democrático à informação e manter acesa a chama do saber coletivo.
Em meio à era digital, esses espaços resistem e se reinventam, oferecendo acesso gratuito à informação, promovendo atividades culturais e servindo como ponto de encontro para diferentes gerações.
Em Três de Maio, às bibliotecas oferecem acervo de mais de 26 mil livros, sendo mais de 20 mil materiais na Biblioteca Pública Municipal e 6 mil obras catalogadas pelo projeto da Biblioteca de Rua, da Casa da Amizade, que garantem a democratização e o acesso facilitado à população.
Com acervo de mais de 20 mil livros, Biblioteca Pública atrai centenas de leitores
Dados repassados pela Biblioteca Pública de Três de Maio apontam que ocorre uma média mensal de 240 empréstimos de livros. Em 2025, foram registrados 2.893 empréstimos, com maior número de retiradas nos meses de fevereiro, abril, julho e agosto.
Conforme a bibliotecária responsável, Rosimere Teresinha Marx, o acervo atual da biblioteca é de 20.346 materiais, entre livros e outros impressos . “A contabilização é realizada por meio do sistema EducarWeb, que gera relatórios com base nas áreas do conhecimento do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), fundação pública federal brasileira vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI)”, detalhou.
Já quanto à organização física do acervo nas estantes, Rosimere explica que ocorre de maneira prática e acessível aos usuários, priorizando as áreas mais procuradas, que atualmente são literatura, conhecimentos gerais e religião.
Nos últimos cinco anos, ocorreram 15,3 mil empréstimos de obras na Biblioteca Pública, o que representa uma média de 3.062 empréstimos ao ano. Segundo a bibliotecária, em 2025, a procura foi menor, e ficou abaixo da média, com 2.893 empréstimos. O ano com o menor número foi em 2021, com apenas 1.872 retirados. Já o maior número de empréstimos ocorreu em 2023, como 3.951 empréstimos. “Houve uma queda significativa nos atendimentos em 2021, em razão da pandemia da Covid-19. Naquele ano, os empréstimos cairam para 1.872. Nos anos seguintes, os números demonstraram recuperação gradual, mesmo diante do crescimento do consumo de materiais digitais, porém ano passado, novamente houve uma queda, com menos de três mil retirados”, ressaltou a bibliotecária.
Conforme Rosimere, a biblioteca segue sendo frequentada por todas as faixas de idade, incluindo pais que buscam incentivar a leitura dos filhos, jovens que ainda preferem o livro físico e adultos que procuram a literatura como forma de lazer e enriquecimento cultural.
Como ocorre a retirada de livros
Para retirar livros é necessário fazer um cadastro, apresentando documento de identidade e comprovante de endereço. Os empréstimos têm o prazo de 15 dias. É possível realizar a renovação por mais 15 dias, caso não haja reserva. O limite é de até três livros por usuário e o serviço é totalmente gratuito.
A reposição e ampliação do acervo são realizadas pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e ocorre através de aquisições em eventos e feiras do livro, por meio de projetos culturais, além de parcerias institucionais, especialmente com o Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas do Rio Grande do Sul e o Sesc, entre outros parceiros.
A secretária de Cultura e Turismo, Rosana Foletto, destaca que a pasta conta com uma parceria com o Projeto Biblioteca de Rua, desenvolvido pela Casa da Amizade de Três de Maio, no qual cede um espaço para a guarda e catalogação do material bibliográfico, garantindo um espaço seguro para os materiais. "Recentemente, firmamos um acordo de cessão definitiva de um espaço da biblioteca para a entidade, reforçando nosso compromisso com a promoção da leitura e o acesso à cultura”, destacou Rosana.
O atendimento ocorre de segunda a quinta-feira, das 7h30 às 11h30 e das 13h às 17h e às sexta-feiras, das 13h às 17h.

‘Os livros são pílulas de conhecimento, relaxamento e aprendizado’
Leio livros da biblioteca pública municipal há pelo menos uns 15 anos. Opto pela biblioteca por serem sem custo, visto que comprar se torna bem caro. E lá também encontro uma boa diversidadede temas.
As minhas preferências são romances, livros de auto-ajuda, psicologia e espíritas. Às vezes leio alguns livros de ficção.
Tento sempre achar algo útil para a vida nos livros. Através de um livro, é possível conhecer lugares e culturas, melhora o meu vocabulário e, ainda, me ajuda na minha ansiedade.
Quando compro um livro, eventualmente, adquiro aqueles que me chamam a atenção sobre algo que quero aprender. Alguns já li mais de uma vez e sempre acho algo a mais que me chama a atenção.
Para mim a leitura é um dos principais meios de lazer: me entretém, conheço lugares, culturas, modos de vida e viajar, tudo sem sair de casa.
Na minha opinião as pessoas deveriam ler mais. Hoje em dia a internet e os celulares estão tomando conta. As pessoas não tiram tempo para elas e a leitura é um ótimo meio de relaxar. Isso deveria ser mais incentivado.
Para mim, os livros são pílulas de conhecimento, relaxamento e aprendizado”.
Mara Adelina Bohn, 57anos,
trabalhou como diarista, auxiliar de cozinha
e empregada doméstica.

‘Como o corpo necessita de exercícios físicos para se manter saudável, a mente necessita de exercício literário para o desenvolvimento’
Utilizo a Biblioteca Municipal há duas décadas, pois ela oferece um repertório bastante amplo de livros e gêneros, com atendimento cortês e especializado.
Quanto aos gêneros literários, sou bastante eclético. Entretanto, tenho especial fascinação por romances históricos. Já minha esposa Mara Lottke, se inspira em romances espíritas.
Penso que, como o corpo necessita de exercícios físicos para se manter saudável, a mente também necessita de exercício literário para o desenvolvimento, apuro, conhecimento e desenvolvimento mental.
Além de leitor assíduo de livros da biblioteca municipal, já fiz várias doações, que recomendo a leitura, como a coletânea de Ramsés, de cinco edições, do escritor Christian Jacq; a coletânea de Gêngis Khan, também com cinco livros, do escritor Conn Iggulden; e os livros Sapiens - Uma breve história da Humanidade e Homo Deus - Uma breve história amanhã, ambos de Yuval Noah Haran. Além do aclamadíssimo Cem Anos De Solidão, de Gabriel Garcia Marquez.
Também tenho fascínio e 'devoro' todos os livros relacionados ao Rio Grande do Sul, desde nossa formação, passando pelas insurgências de 1835 e 1923, até a atualidade.
Por fim, sempre que posso, eu incentivo que as pessoas leiam e que tenham, através do
conhecimento de livros, suas ideias próprias e não partindo da ideia de terceiros”.
Valdir Lottke, 67 anos, oficial de Justiça aposentado.
Bibliotecas de Rua: a democratização ao acesso a livros
Projeto desenvolvido desde 2021 pela Casa da Amizade conta com três unidades em Três de Maio

Ao transformar espaços comuns em pontos de cultura, as bibliotecas de rua mostram que o conhecimento pode estar em qualquer lugar, basta abrir um livro e começar a ler
Uma iniciativa simples, mas poderosa, que leva o acesso à leitura diretamente para população de todas as idades em vários pontos da cidade, disponível em qualquer horário e em todos os dias da semana.
As Biblioteca de Ruas, instaladas em postos estratégicos, simbolizam mais do que o incentivo à leitura — elas representam um gesto de coletividade, solidariedade e democratização do conhecimento. Elas tornam-se uma ponte entre as pessoas de todas as idades e o universo da literatura.
Além disso, esse tipo de iniciativa estimula o hábito da leitura no cotidiano, surpreendendo quem passa pelas estantes, despertando a curiosidade de crianças, jovens e adultos.
Três de Maio conta com três Bibliotecas de Rua, por meio de uma iniciativa da Casa da Amizade do município. Com o lema ‘Leve, leia e devolva’, a primeira estante foi inaugurada em novembro de 2021, em plena pandemia. Localizada no pergolado ao lado do Palácio Municipal Walter Ullmann, a biblioteca foi viabilizada através de uma parceria com a Certhil.
Após um ano e quatro meses, em março de 2023, surgiu a segunda biblioteca. Localizada no Centro Esportivo Jesus de Maria Gonçalves da Silva, o poliesportivo, a estante contou com a parceria da Setrem.
Como o projeto conquistou os leitores de Três de Maio e até de cidades vizinhas, em junho do ano passado, mais uma biblioteca foi disponibilizada à comunidade. Desta vez, no pátio da Igreja Matriz Católica, com o apoio da Abase Sistemas e Cooper Dom Hermeto.
Conforme a coordenadora do projeto Biblioteca de Rua, Neiva Corso, o projeto conquistou leitores, como também inúmeros doadores de livros. Até o momento já foram catalogados mais de 6 mil livros, em sua grande maioria doados por moradores de Três de Maio, além de pessoas de Santa Rosa, Santana do Livramento e Porto Alegre, entre outras cidades, que abraçaram a causa.
Em duas oportunidades, a entidade foi contemplada com projeto do Fundo Social do Sicredi para aquisição de livros. "Também já usamos recursos de nossos eventos para comprar livros, principalmente infantis, para abastecer as bibliotecas", explica a coordenadora.
A coordenadora faz um apelo para a retirada consciente. "Após a leitura, é muito importante que os livros sejam devolvidos para as estantes, para que outras pessoas tenham a oportunidade de também ler", reforça Neiva.
A presidente da Casa da Amizade, Alessandra Reinehr, ressaltou a necessidade de ampliar o projeto para que mais pessoas possam ter acesso a livros. “Este projeto é de suma importância para nossa comunidade. Hoje temos três unidades à disposição de leitores e entendemos que existe espaço para mais uma", avalia.
Conforme a presidente, uma quarta estante será entregue antes do final da gestão 2025/2026, que encerra em 30 de junho. "Estamos em tratativas com dois patrocinadores para viabilizarmos a biblioteca, possivelmente no Hospital São Vicente de Paulo. Entendemos que lá há um fluxo grande de pessoas e também porque muitos acompanhantes de pacientes terão a possibilidade de descer e escolher algo para passar o tempo. Além de que, será uma forma de acolher quem está acolhendo um familiar, amigo ou conhecido”, frisou.

‘A Biblioteca de Rua oportuniza que todos possam ter acesso aos livros e crescer por meio deles’
Sempre gostei de aprender coisas novas e, caminhando pela minha cidade, descobri o projeto da Biblioteca de Rua.
No início, eu não me interessava muito por livros, pois achava que era apenas coisas da escola. No entanto, minha mãe sempre me incentivou à leitura. Desde pequeno, ela comprava livrinhos para mim e, com o tempo, fui percebendo que os livros podem ensinar muito e até transformar a forma como pensamos.
Na Biblioteca de Rua, qualquer pessoa pode pegar um livro, o que torna a leitura mais acessível e prazerosa. Entre as obras que mais me marcaram estão O Poder da Ação, O Segredo da Mente Milionária e O Milagre da Manhã, de Hal Elrod. Um dos trechos que mais me chamou atenção diz que pessoas comuns acreditam apenas no possível, enquanto pessoas extraordinárias conseguem visualizar até o que parece impossível — e, ao fazer isso, começam a tornar esse impossível, em realidade. Essa ideia me fez refletir sobre como nossos pensamentos podem influenciar diretamente nossas atitudes e conquistas.
Hoje, compreendo que a leitura não apenas amplia o conhecimento, mas também contribui para uma boa dicção, melhora a escrita e influencia diretamente na forma de agir no dia a dia. A Biblioteca de Rua demonstra que todos podem ter acesso aos livros e crescer por meio deles, assim como eu venho crescendo.
Por fim, destaco a importância da conscientização: pegar, ler e devolver, para que outras pessoas também possam aproveitar. E se você possui livros que já leu, não os descarte — doe. Certamente, outra pessoa ficará feliz em ter a oportunidade de lê-los.
Rafael Buzanello, 13 anos, morador de Três de Maio.

‘Com a Biblioteca de Rua, você passa, enxerga os livros e dá
aquela vontade de ver aqueles que estão disponíveis’
Sou professora aposentada e sempre gostei muito de ler. Ler é viajar através do imaginário. Acho muito importante as Bibliotecas de Rua porque, muitas vezes, a gente não tira aquele tempinho de ir até uma biblioteca. E quando você adquire um livro, apesar de caro, a gente lê e depois fica ali ou passa adiante. Então, com a Biblioteca de Rua, você passa, enxerga os livros e dá aquela vontade de ver os livros que estão disponíveis. E geralmente, há um livro bom, que ainda não leu e que gostaria de ler.
Eu já retirei livros infantis para minhas netas e outros livros que achei bem interessantes. E o melhor, é que depois a gente devolve para que outras pessoas possam ler o mesmo livro. Outra coisa boa, é que o acervo sempre está sendo renovado.
Parabéns a Casa da Amizade e ao grupo organizador. Continuem com esse projeto, pois é muito importante para toda a comunidade. Diz um ditado que um povo que lê é um povo que tem cultura. Município que incentiva a leitura é um município que cresce na cultura e no conhecimento e isso é muito importante”.
Teresinha da Rosa Maron, professora aposentada,
moradora de Independência.









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