'Sou muito grata por estar onde estou e por participar de entidades que considero importantes para a nossa sociedade'

Gerenciar uma loja aos 22 anos, com mais de 20 anos de história é um grande desafio. Desde os 18 anos, Ivana Raquel Krämer, tem se dedicado a manter o legado da família. Neste período, ela passou a administrar a Loja Preferida, que, até então era comandada por seu pai, Magnos Rogério Krämer. Hoje, a jovem também participa de entidades, como ACI e Sindilojas, clubes de serviço e é coordenadora do Núcleo de Mulheres Empreendedoras

'Sou muito grata por estar onde estou e por participar de entidades que considero importantes para a nossa sociedade'
Além de administrar a loja, Ivana é diretora de comércio da ACI e do Sindilojas de Três de Maio e participa do Rotaract Club

O empreendedorismo da família Krämer está no sangue. Começou com o pai Magnos Rogéio Krämer, conhecido como Maninho, e passou para a filha Ivana Raquel Krämer, 22 anos. Embora muito jovem, ela gerencia desde 2018 uma loja do ramo de confecções, calçados e acessórios - a Loja Preferida, cuja tradição se mantém há 22 anos.

A responsabilidade e o desafio de dar continuidade ao legado do pai não intimida a jovem, que até assumir a administração da empresa, não havia atuado em outro lugar profissionalmente.

Conforme a jovem empresária, o ambiente familiar contribuiu muito para a decisão, pois a empresa da família faz parte da história desde a infância, das suas memórias afetivas, da construção do seu caráter e da sua vida. "Acho que é uma vocação de fazer negócios, se relacionar com pessoas e amar o que faz, além de dar continuidade ao negócio da família", avalia.

A mãe Juliane, além de cuidar do lar, é também confeiteira. A irmã Kauana está cursando bacharelado em Administração, na Setrem – e auxilia na loja e também nos doces que a mãe produz. Já a irmã Alana, 10 anos, – a mais nova – é estudante.

Em 2018, quando concluiu o ensino médio e ingressou no ensino superior, Ivana decidiu que iria na trabalhar no empreendimento da família. “Iniciou de forma natural. Claro, teve uma influência familiar, pelo fato de que senti a necessidade de auxiliar meu pai no negócio e poder aprender com ele. Isso foi em abril, e em novembro do mesmo ano decidimos abrir mais uma loja - A loja Pague Menos, que passou a ser gerenciada pelo pai. Portanto, estou há quase cinco anos trabalhando na empresa. É minha primeira e única experiência profissional", revela.

 

Mudanças ocorreram para melhor atender demanda

Desde que ingressou na empresa, Ivana lembra que ocorreram diversas mudanças. “Com o tempo, fomos incorporando novas marcas aos nossos produtos, devido a necessidade de buscar melhorar a qualidade dos produtos e atender a demanda de nossos clientes”, salienta, ressaltando que quando houve mudança para um novo endereço, há cinco anos, todas as colaboradoras permaneceram, a fim de manter a essência da empresa, em todos os sentidos, inclusive, no crediário, que também permaneceu o mesmo. “Já a loja Pague Menos, começou do ‘zero’, com novas colaboradoras”, ressalta. 

Dentre as mudanças, ela destaca o investimento em divulgação nas mídias sociais. “Nas fotos e publicações, sempre procuro obter mais conhecimento, principalmente no que diz respeito ao marketing, já que é algo tão essencial nos dias atuais”, pontua. 

A jovem acrescenta que em relação ao controle financeiro, controle de compras e vendas, o processo foi automatizado, para ser mais dinâmico. “Além de várias outras mudanças que vão ocorrendo de forma natural conforme os anos passam”.

 

A segurança e o desafio de trabalhar com pai

A jovem revela que está cada vez mais preparada para dar continuidade ao empreendimento e que hoje não se vê fazendo outra coisa. “Acredito que, quando meu pai não tiver mais condições ou quiser se desligar das empresas, eu darei continuidade, já que estou envolvida em todo o processo há alguns anos e me sinto mais preparada para seguir no ramo”, considera.

Os desafios surgem no cotidiano de Ivana. “Já tomei várias decisões que não foram as mais assertivas, isso é natural acontecer, ainda mais para quem está iniciando, mas sempre aprendemos com os erros e eles nos permitem evoluir e amadurecer. Contudo, assumir as lojas não me impossibilita de ter algum outro empreendimento, o que pode vir a acontecer com o tempo, mas ainda é muito cedo para ter certeza disto. Trabalhar lado a lado com meu pai é algo muito desafiador e, ao mesmo tempo, me dá mais segurança, visto que tenho uma pessoa com uma grande bagagem e muita experiência me auxiliando e dando apoio”, avalia Ivana, complementando que existem momentos de conflitos e diferença de opiniões, mas isso é natural pela diferença nas gerações. “Mas tudo isso me faz refletir e buscar a melhor solução sempre”, observa.

A relação família e empresa é algo muito forte para pai e filha. “Muitas vezes, não conseguimos separar ‘empresa’ e ‘família’, pois é difícil se ‘desligar’ totalmente. Mas acredito que isso faz parte do dia a dia de quem têm empresas familiares”, reforça.

 

Participação em entidades 

Ivana participa da ACI e do Sindilojas, como Diretora do Comércio, é coordenadora do Núcleo de Mulheres Empreendedoras e faz parte do clube de serviços, Rotaract Club. 

“Fazer parte dessas entidades foi uma iniciativa minha, já que sempre me interessei e senti a necessidade de fazer algo a mais, podendo contribuir para o desenvolvimento da nossa cidade e podendo ajudar o próximo. Acredito que participar dessas entidades possibilitam eu ser uma pessoa cada vez melhor, tanto em minha vida pessoal, quanto profissional”, ressalta.

 

‘Há uma manifestação muito forte das mulheres na sociedade’

Ela considera que a mulher sempre teve potencial para assumir empresas, cargos maiores, e enfim, é capaz de fazer o que quiser. “Porém, antigamente a mulher era discriminada, excluída, reprimida, enfim... Isso foi mudando com o passar do tempo e, principalmente hoje, há uma manifestação muito forte das mulheres na sociedade”. 

A administradora segue dizendo que “infelizmente ainda há desigualdade, um certo pré-conceito de que a mulher é mais fraca ou incapaz, porém, o mundo está entendendo que não tem mais “espaço” para esse tipo de atitude na sociedade. 

“Ainda há muito para evoluirmos, mas acredito que estamos no caminho certo, mostrando cada vez mais o nosso potencial, força, determinação e coragem”, comemora.

 

Persistir é necessário

A jovem diz que a persistência é algo fundamental para o empreendedorismo. “Meu conselho para as mulheres que têm vontade de empreender, mas que, por diversos motivos, acabam desistindo ou se acomodando, é persistir, ser forte e ter em mente o que desejam para a sua vida. Mentalize, pois com toda a certeza deste mundo, o pensamento positivo atrai e podemos fazer o que temos vontade, ser o que quisermos ser e conquistar o que desejamos conquistar”, declara, lembrando também, da importância de sempre buscar conhecimento.

Ela acrescenta, ainda, que é extremamente importante e necessário ter o apoio da família, conversar com pessoas que já passaram por essa situação e também ter o apoio de entidades, como o Núcleo das Mulheres Empreendedoras. “O Núcleo existe para auxiliar mulheres que têm seu próprio negócio, bem como, qualificá-las para que tenham o conhecimento ideal para alavancarem seus negócios. Sou muito grata por estar onde estou e por participar de entidades que são tão importantes para a nossa sociedade”, conclui Ivana.