TRÊS DE MAIO E SUA HISTÓRIA - OS PADRES DA CONGREGAÇÂO CONSOLATA
OS PADRES DA CONGREGAÇÂO CONSOLATA
José Allamano fundou a congregação dos Padres Missionários da Consolata no dia 29 de janeiro de 1901 em Turim – Itália. A primeira missão foi na África e alguns anos depois vieram para o Brasil abrindo campo de missão entre os indígenas em Roraima e em seguida São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Os missionários entraram no Rio Grande do Sul em fevereiro de 1947, quando os padres João Batista Bísio e Domingos Fiorina fizeram uma viagem até o Estado para verificar se havia possibilidade de novas aberturas para o trabalho vocacional na região, quando então, decidiram se estabelecer em Erechim.
O primeiro Missionário da Consolata a vir desenvolver os trabalhos da congregação no Estado, foi o padre Afonso Durigon, que chegou a Erechim no dia 20 de maio de 1947 e pôs-se a trabalhar com o cônego Benjamim Busato, pároco da paróquia São José, desempenhando fielmente o cargo de coadjutor. Em seguida veio o padre Emílio Montin, que no segundo semestre de 1947, trabalhou por algum tempo como coadjutor do pároco de Tucunduva, padre Pedro, e talvez tenha sido a partir deste contato que o pároco de Três de Maio, Monsenhor Vicente Testani, tenha tomado conhecimento da presença dos missionários no Estado.
Em 1948, com a saída dos freis capuchinhos de Três de Maio, depois de dois anos de trabalhos junto à comunidade – período o em que deram início aos trabalhos de construção do Ginásio Pio XII – Monsenhor Testani decidiu entrar em contato com o então Instituto Missões Consolata para saber se os padres desta congregação podiam vir ajudá-lo, e inicialmente veio a Três de Maio o padre João Garbolino, para principiar as conversações com Testani.
Entabularam-se entendimentos, Testani consultou o Bispo de Uruguaiana e após sua concordância, ainda em 1948, o Padre João Garbolino veio a Três de Maio, seguido pelo padre José Zintu, para assumirem as responsabilidades como professores do Ginásio Dom Hermeto José Pinheiro e dar andamento nas atividades que envolviam a construção do futuro Ginásio Pio XII, o qual em 1954 seria entregue às mãos do padre Orestes Ghibaudo, que a partir daí dirigiria o destino do estabelecimento de ensino por trinta e dois anos.
Em seguida vieram para Três de Maio os padres Antônio Ronchi e Emílio Montin, assumindo como coadjutores do pároco Heitor Rossato, que naquele momento estava à frente da paroquia de Três de Maio de forma provisória enquanto Monsenhor Testani cuidava de sua saúde no hospital em Ijuí.
No dia 1º de janeiro de 1949, o Bispo de Uruguaiana, Dom José Newton de Almeida Batista, entregou aos Missionários da Consolata, de forma oficial, a paróquia Nossa Senhora da Conceição e a direção do Ginásio Pio XII, com fiscalização do Estado, e em fevereiro de 1949, como reforço nos trabalhos junto à comunidade, a congregação enviou para Três de Maio os padres Carlos Cremonesi, Vicente Rampino e Lívio Gabrielli.
Com solo fértil para a descoberta de novas vocações, em 1952 ocorreu o primeiro aceno referente à fundação de um seminário na Vila, quando foi assinado um contrato entre a Diocese de Uruguaiana e o Instituto Missões Consolata no qual se estabelecia que os missionários permaneceriam por dez anos em Três de Maio, período em que poderiam adquirir um terreno para a construção do seminário.
Assim, em junho de 1952, a Delegação do Brasil decidiu comprar um terreno nos arredores da cidade que seria destinado à construção do futuro Seminário Nossa Senhora de Fátima. A licença para fundar o seminário seria concedida pelo bispo diocesano de Uruguaiana a 11 de abril de 1956.
A construção da obra começou em 1957 e sua inauguração deu-se em 12 de fevereiro de 1961, com a presença do novo Bispo de Uruguaiana, Dom Luís Filipe de Nadal e do então Governador do Estado, Leonel de Moura Brizola.
No início, as visitas dos padres às comunidades do interior eram feitas com raridade e na medida do possível, devido a enorme extensão territorial da região abrangida pela paróquia, além das dificuldades de locomoção.
Os padres que atendiam as capelas deslocavam-se a cavalo, charrete ou carroças puxadas a cavalo, conduzidas pelos moradores. Para prosseguir com o itinerário pastoral, se hospedavam em casas de famílias e no final da viagem eram levados de volta à matriz.
Mais tarde o jipe foi o veículo utilizado, e foi durante esta transição que, em 1956, o padre José Radici chegou em Três de Maio, assumindo as funções de “vigário da roça”, quando passou a levar os santos sacramentos as comunidades do interior, atividade que exerceu até 1963.
Quatorze anos depois, em 1977, o padre retornaria a Três de Maio, permanecendo aqui até 1980. Logo que aqui chegou, Radici percorria cerca de 16 comunidades numa extensão de 120 quilômetros de estradas de chão, e em poucos meses de atuação no interior elevou o número de comunidades para 36. Dentre elas, foram criadas as comunidades de Nossa Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora Auxiliadora, Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora de Lourdes, Nossa Senhora das Graças, Nossa Senhora do Carmo, Medianeira, Conquistadora, São Roque e algumas que hoje pertencem ao município de Independência.
O padre José Radici destacou-se como construtor de capelas, sendo que foram mais de trinta por ele orientadas com muito dinamismo. A Comunidade Católica Nossa Senhora da Saúde de Rocinha, por exemplo, que ao longo de alguns anos já reunia recursos e materiais para construir sua nova capela, mas sem qualquer plano ou prazo para início da obra, deu o primeiro passo na concretização deste objetivo por iniciativa do padre José Radici no ano de 1957, quando as 120 famílias sócias, mais as agregadas, organizadas em seis grupos distribuídos em dias da semana, trabalharam incansavelmente durante quarenta semanas, inaugurando a obra no dia da festa da Padroeira, em 24 de novembro.
Ainda em 1957, Radici contribuiu para a implantação da Associação Sulina de Crédito e Assistência Rural (Ascar), e, a partir disso, foi criada a Frente Agrária Gaúcha (FAG), com forte atuação na comunidade da Rocinha. Este foi o marco para a fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, em 26 de fevereiro de 1962.
Sempre preocupado com a realidade dos agricultores, José Radici foi um dos criadores do programa de rádio “A Hora Católica”, que possuía até o slogan “Na luta pela defesa dos interesses da classe rural! Colonos, uni-vos!”.
Ao longo dos anos em que desenvolveram suas atividades em Três de Maio os padres do Instituto Missões Consolata influenciaram os destinos de muitas pessoas e comunidades, conduzindo-os por caminhos espirituais fortemente fundamentados na disciplina moral, e mesmo após terem se desligado de Três de Maio, seguiram sendo faróis para muitas pessoas, em alguns momentos, mesmo para aquelas que não professavam a fé católica.
Um dos casos mais curiosos foi o do padre João Garbolino, o primeiro religioso do Instituto Missões Consolata a se estabelecer em Três de Maio, que após um tempo aqui, deu início a uma peregrinação por vários lugares e vários países, e em 1959, estando ele em Moscou, na Rússia, com alguns crucifixos benzidos pelo Papa João XXIII no bolso, conheceu três jovens aos quais presenteou com os crucifixos que trazia consigo.
Os jovens, por sua vez, quando se despediram do padre, deram a ele uma antiga cruz ortodoxa que, segundo disseram, era uma “relíquia”, a qual quase lhe foi tirada pela polícia russa.
Os anos se passaram, e em 1969, encontrando-se o padre João Garbolino em Pittsburgh, nos Estados Unidos, quando a humanidade se preparava para a maior aventura espacial de todos os tempos, movido pelo seu instinto missionário, ele decidiu sugerir a um dos astronautas levar consigo na viagem até a lua um sinal da fé cristã, para dar a viagem a benção divina.
O coronel Aldrin, de confissão presbiteriana, pareceu-lhe o mais sensível dos três astronautas que fariam parte da missão, e foi para ele que João Garbolino enviou a cruz ortodoxa que havia recebido dos três jovens russos dez anos antes.
O padre não obteve nenhuma resposta imediata, mas no dia 23 de setembro, o correio lhe entregou um pacote que provinha da NASA e dentro estavam o crucifixo russo e uma carta de Aldrin, nos seguintes termos: “Obrigado, padre pela estimulante carta que nos enviou antes da partida da Apollo 11. Lhe restituo o crucifixo, que sobrevoou a lua em 20 de julho passado. Entretanto, pouco pode ser deixado sobre o solo da lua. Em vista do grande significado que esta relíquia tem para vós, penso que é muito justo devolvê-la”.
Passada uma semana, um novo pacotinho chegou até o mesmo endereço, também proveniente da NASA e dentro dele o padre encontrou outra cruz, de metal niquelado, colada sobre uma folha branca, com dizeres escritos a mão pelo próprio Aldrin: “Caro Padre Garbolino, este crucifixo voou a bordo da nave auxiliar ‘Águia da Apollo 11’, que pousou na lua a 20 de julho de 1969”.
Assim, dois dos crucifixos que haviam abençoado a aventura científica do século estavam nas mãos de João Garbolino. Neste mesmo período, o padre conheceu a filha mais nova do ex-ditador russo, Josef Stalin, Svetlana Stalin, que, após a morte de seu pai, havia adotado o sobrenome de sua mãe, Alliluyeva, e que em 1967 havia fugido para os Estados Unidos onde conseguiu asilo político.
Stalin tinha um afeto especial por sua filha Svetlana e todos diziam que ela era a única pessoa no mundo que conseguia amolecer o coração do ditador.
Garbolino então se tornou um pai espiritual de Svetlana no acidentado caminho em direção a fé católica e, certo dia, decidiu presentar Svetlana com a cruz ortodoxa que havia recebido de volta pelo Coronel Aldrin e que também havia viajado pelo espaço com a missão Apollo 11, ao que ela ficou profundamente agradecida.
Svetlana se converteu ao catolicismo e, anos depois, presentearia sua filha, Olga, com a cruz, a qual ela passaria a carregar pendurada ao pescoço por muitos anos.
Em fevereiro de 1986, com a entrega da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, da Direção do Colégio Cardeal Pacelli, e com o fechamento do Seminário Nossa Senhora de Fátima, os Missionários da Consolata encerraram suas atividades em Três de Maio.
Padre Ettore Fattor, encarregado da administração dos bens do Instituto, permaneceu ainda por algum tempo em Três de Maio, cuidando dos interesses do IMC. Neste ínterim, ofereceu ajuda pastoral, especialmente como capelão do Hospital São Vicente de Paulo.
Ao longo dos 38 anos em que os padres da congregação Consolata estiveram em Três de Maio, os missionários que assumiram a responsabilidade de pároco na Matriz Católica de Três de Maio foram os padres: Antônio Ronchi (1949 - 1952), Dionísio Peluso (1952 - 1955), Afonso Durigon (1955 – 1959), Silvano Sabatini (1959 - 1960), João Tolosano (1960 - 1963) Afonso Durigon (1963 - 1971), Alberto Agustini (1971 - 1985) e Gianni Basso (1985 - 1986).
Atualmente, com exatos 125 anos de existência, o Instituto Missões Consolata atua em mais de trinta países espalhados por quatro continentes, dedicando-se principalmente a missões focadas na evangelização, consolação e apoio aos mais vulneráveis.

Grupo de padres italianos do Instituto Missões Consolata que desenvolveu trabalhos no Brasil. Destes, apenas os padres Dionisio Peluso, Afonso Durigon e Antônio Ronchi assumiram funções em Três de Maio - da esquerda para a direita em pé, o segundo, quarto e quinto religiosos respectivamente
Revisão do Dr. Prof. Leomar Tesche









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