TRÊS DE MAIO E SUA HISTÓRIA - O HOTEL QUITANDINHA

TRÊS DE MAIO E SUA HISTÓRIA - O HOTEL QUITANDINHA

O HOTEL QUITANDINHA

 

Armindo Petrofsky, filho de Holdina Petrofsky, nasceu em Ijuhy no dia 17 de agosto de 1919, e alguns anos depois, tendo se mudado para Giruá, Armindo conheceu Lucia Schimdt, natural de São Leopoldo, nascida em 29 de fevereiro de 1920 e filha de Jacob Schimdt e Amália Klein. 
Armindo e Lucia acabaram unindo-se em matrimônio no dia 23 de março de 1942 e o casal teve três filhas: Marli (1945), Clarise (1947) e Marina (1953). Neste período, a família já havia se mudado para a Vila Três de Maio, onde a mãe de Armindo acabou se casando com Willy Herberts, e deste enlace nasceram Adolfo, Avelino, Frida, Alzira, Ana, Alma e Lídia. 
Na Vila, Lucia começou a trabalhar como costureira e Armindo empregou-se como motorista de caminhão na empresa Tecidos Bonamigo, onde passou a receber um modesto salário que complementava fabricando telas de arame em suas horas vagas.
Em 1955, Armindo Petrofsky decidiu iniciar um negócio próprio, no ramo da hotelaria, e adquiriu um imóvel situado na Avenida Santa Rosa, em um local bastante úmido, devido as nascentes existentes naquele terreno que, inclusive, formavam um pequeno lago nos fundos do imóvel, localizado próximo a Casa Bretin, e que até então pertencia a Edgar Atkinson, que ali possuía uma selaria e sapataria. 
Inicialmente, Armindo começou adequando o espaço e instalando cinco quartos para hospedagem, além de um bar e uma churrascaria, sendo que mais tarde, o hotel chegaria a ter 28 quartos. Sem uma data certa para a inauguração de seu negócio, Armindo Petrofsky iniciou várias festividades com distribuição de prêmios para quem adivinhasse o nome que ele havia escolhido para dar a seu estabelecimento, e após diversas tentativas, o jovem Zauri Alves Wachholz acabou acertando o nome: Hotel Quitandinha – Café e Churrascaria. 
Sugere-se que a escolha do nome do hotel tenha se dado por conta do famoso Palácio Quitandinha, construído em 1944 em Petrópolis, no Estado do Rio de Janeiro, com o intuito de se tornar o maior cassino hotel da América do Sul, e que havia recebido este nome do Bairro Quitandinha, onde estava localizado, o qual no passado havia sido ponto de feira dos produtos agrícolas que iam e vinham das Minas Gerais, quando a região era o principal caminho para o interior do país. 
Naqueles anos, o hotel passou a ser muito comentado no noticiário da Rádio Nacional do Rio de Janeiro (que tinha alcance em praticamente todo o território do país) por ser frequentado por pessoas ilustres, como artistas estrangeiros famosos, políticos e até Harry Truman, presidente dos Estados Unidos, tendo, inclusive, sido nas dependências do Palácio Hotel Quitandinha que os países americanos assinaram a declaração de guerra contra os países do Eixo, durante a Segunda Guerra Mundial. 
Já no estabelecimento da família Petrofsky, Lucia Petrofsky passou a trabalhar na recepção do hotel, auxiliando os hóspedes em tudo que lhes fosse necessário, e passou também a produzir um sorvete de frutas que acabou se tornando muito bem aceito pelos moradores locais. Armindo trabalhava principalmente como churrasqueiro, servindo o chamado “espeto corrido” nas mesas dos clientes (função que exerceu por 35 anos), enquanto suas filhas auxiliavam servindo bebidas nas mesas. 
O hotel servia também o chamado “prato servido”, que já vinha montado da cozinha, com carne, arroz, feijão e legumes, pela irmã de Armindo, Alma Deckmann, que por várias décadas exerceu a função de cozinheira do hotel, sempre cozinhando com maestria em um fogão a lenha número 09, o qual, todos os dias, antes de o sol raiar, já estava aceso esquentando a água para o chimarrão dos hóspedes. 
Além da irmã de Armindo, trabalhava também nas dependências do hotel, o jovem João Ernani Bao, ajudando a família em tudo o que fosse necessário, e que permaneceu neste serviço por 18 anos. O local logo passou a ser bastante frequentado e aos sábados, a dupla de cantores Maninho e Mauri passou a cantar e tocar para os clientes e frequentadores do hotel, tendo suas apresentações transmitidas ao vivo pela Rádio Colonial. Além destes, o prof. Santino de Oliveira Ferreira, que vinha todas as semanas de Tuparendi para apresentar um programa na Rádio Colonial (no qual cantava e tocava violão), também, nestas oportunidades, hospedava-se no hotel. 
Em 1963, quando se iniciou a campanha eleitoral para prefeito, o então candidato Ceslau Sawitzki (em sua primeira campanha para prefeitura de Três de Maio), e que possuía residência no distrito de Alegria, hospedou-se no hotel para, juntamente de seu candidato a vice, Ervino Mensch, partirem todos os dias dali para fazerem campanha na sede do município e arredores, e por isso, Ceslau passou a contar sempre com Armindo Petrofsky como seu cabo-eleitoral em todas as suas campanhas, tendo este, inclusive, por diversas vezes assumido a função de motorista do então candidato durante estas atividades, utilizando seu próprio veículo. 
Além de Sawitzki, foram também pensionistas no Hotel Quitandinha o jovem Dr. Armando Eickhoff, Dr. Luiz Matana Saciloto, Fritz Jaeger, Dr. Albino Ivanovski, Dr. João Mendes da Silva e Armando Steffen (mais conhecido como “Pipa”). 
Após se aposentarem, Armindo e Lucia foram morar na Rua Padre Cacique 1147, onde viveram até o fim de suas vidas. Em 1980, venderam a existência do hotel e alugaram o estabelecimento para o Sr. Lari Drescher. 
E em 2007, muitos anos depois do hotel ter fechado suas portas em definitivo, o imóvel foi vendido e posteriormente demolido para dar lugar a construção de um outro prédio, mais moderno. 
Armindo Petrofsky veio a falecer no dia 21 de agosto de 1996, e sua esposa, Lucia, no dia 30 de dezembro de 2003. 
Hoje, o Hotel Quitandinha ainda é uma lembrança acesa na memória de uma cidade que por muitos anos teve neste estabelecimento um lugar onde qualquer um que chegasse de fora pudesse se sentir verdadeiramente acolhido.

Participou das pesquisas para elaboração deste artigo, Dr. Professor Leomar Tesche.

 

O Hotel Quitandinha funcionou por quase 40 anos no mesmo endereço e foi o  primeiro ponto de parada para diversas pessoas que depois viriam se estabelecer e trazer grandes contribuições para Três de Maio, como Ceslau Sawitzki, Dr. João Mendez da Silva e Luiz Matana Saciloto

 

A filha do casal, Clarise, ajudando Armindo Petrofsky a servir as mesas

 

Armindo e Lúcia Petrofsky (em pé) socializando com hóspedes durante um evento no hotel