Endividamento dispara entre três-maienses e valor das dívidas cresce 84,7% em um ano
Dados da Serasa Experian mostram avanço da inadimplência em toda a região; número de consumidores negativados aumenta e dívidas bancárias lideram os débitos
O número de pessoas inadimplentes e o volume de dívidas cresceram de forma acelerada em Três de Maio e municípios da região no último ano. Dados da Serasa Experian apontam que, apenas em Três de Maio, o valor total das dívidas passou de R$ 33,67 milhões em março de 2025 para R$ 62,2 milhões em março deste ano , alta de 84,7%.
No mesmo período, o número de consumidores inadimplentes subiu de 5.341 para 6.735 pessoas, crescimento de 26,1%. Já a quantidade de dívidas saltou de 18.739 para 32.065 registros, aumento de 71,1%.
O avanço acompanha o cenário nacional. O Brasil atingiu, em março de 2026, 82,8 milhões de pessoas com restrições no CPF, segundo o Mapa da Inadimplência da Serasa.
Em Três de Maio, o ticket médio por inadimplente também aumentou de forma expressiva. Em março de 2025, cada consumidor negativado devia, em média, R$ 6.304,63. Um ano depois, o valor chegou a R$ 9.235,52, crescimento de 46,5%. O ticket médio por dívida passou de R$ 1.796,95 para R$ 1.939,85, alta de 7,9%.
Região registra alta generalizada
O crescimento da inadimplência também foi registrado nos demais municípios da região.
Em São José do Inhacorá, o valor total das dívidas praticamente triplicou, passando de R$ 1,44 milhão para R$ 4,26 milhões, avanço de 194,8%. O número de inadimplentes cresceu 26,3%, enquanto a quantidade de dívidas aumentou 48,6%.
O ticket médio por inadimplente no município saltou de R$ 6.231,18 para R$ 14.545,76, crescimento de 133,4%.
Em Boa Vista do Buricá, o total devido passou de R$ 9,67 milhões para R$ 16,9 milhões, aumento de 74,7%. O número de inadimplentes cresceu 13,8%.
Já em Independência, o valor total das dívidas aumentou 69,6%, passando de R$ 10,15 milhões para R$ 17,22 milhões. O número de consumidores negativados teve alta de 15,8%.
Em Nova Candelária, embora o número absoluto seja menor, o crescimento proporcional foi um dos mais elevados da região. O valor total das dívidas avançou de R$ 2,62 milhões para R$ 8,42 milhões, aumento de 220,5%. A quantidade de dívidas cresceu 67,8%.
No município de Alegria, o montante devido passou de R$ 4,91 milhões para R$ 8,1 milhões, crescimento de 64,9%.
Bancos e cartão de crédito lideram dívidas
Dados nacionais da Serasa mostram que o setor financeiro concentra quase metade das dívidas negativadas do país. Bancos e cartões de crédito representam 27% dos débitos registrados pelos consumidores brasileiros. Levantamento realizado pela Serasa em parceria com o instituto Opinion Box aponta que 49% dos brasileiros endividados com bancos concentram mais de uma dívida na mesma instituição financeira.
O cartão de crédito aparece como principal origem das dívidas, citado por 73% dos entrevistados. Em seguida aparecem empréstimos pessoais e o uso do cheque especial.
Segundo a diretora da Serasa, Aline Maciel, o endividamento está cada vez mais ligado à manutenção das despesas básicas. "A pesquisa reforça que o endividamento bancário no Brasil não está ligado ao consumo impulsivo, mas a uma tentativa de manter o básico em dia. Quando despesas essenciais, como alimentação e saúde, passam a ser financiadas no crédito, o risco de efeito bola de neve aumenta significativamente", afirma.
O levantamento também mostra que 38% dos brasileiros atribuem o endividamento ao desemprego ou à perda de renda.
Desenrola amplia renegociação
Diante do crescimento da inadimplência, o programa Desenrola Brasil voltou a oferecer possibilidades de renegociação de dívidas bancárias.
A plataforma Serasa Limpa Nome reúne ofertas com descontos que podem chegar a 90%, incluindo acordos com bancos, financeiras e empresas de diferentes setores.
No Rio Grande do Sul, mais de 253 mil ofertas de renegociação estão disponíveis. Entre as instituições participantes estão Itaú, Santander, Bradesco, Banco Pan, BMG, BV, Neon e Nubank.
Para aderir, o consumidor deve acessar o site ou aplicativo da Serasa, consultar as ofertas disponíveis no CPF e escolher a forma de pagamento. Após a quitação, a empresa tem até cinco dias úteis para retirar a negativação do nome.
Segundo a Serasa, 71% dos consumidores inadimplentes já tentaram negociar suas dívidas, e descontos maiores e redução de juros aparecem entre os principais fatores que poderiam facilitar os acordos.









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