Comunidade de Rocinha completa 100 anos de história
Atualmente a associação da comunidade é composta por 41 famílias
Neste domingo (17), a comunidade de Rocinha promove sua festa em comemoração ao centenário de fundação. A programação contará com a celebração da missa, a partir das 9h, na Igreja da Nossa Senhora da Saúde. Ao meio-dia haverá almoço, com buffet feito pela comunidade, ao valor de R$ 50. À tarde haverá animação do Grupo Sol Maior.
O ano de 1926 remonta aos primeiros alicerces da Comunidade Nossa Senhora da Saúde, a partir da chegada dos primeiros colonizadores.
Hoje, a associação conta com 41 famílias sócias ativas. A comunidade de Rocinha mantém ativa a igreja, onde são celebrados as missas, salão de festas e eventos, campo de futebol e cemitério. Ainda, conta os prédios da escola e da quadra esportiva, atualmente desativadas.
Conforme informações do documentário sobre o histórico da Comunidade de Rocinha, elaborado no ano de 2007, tendo como colaboradores Teresinha Turra e Nelsis José Turra, o surgimento do nome da comunidade ocorreu quando os primeiros agrimensores (medidores de terras) que chegaram à localidade encontraram uma pequena roça em meio a mata virgem e identificaram o local com o nome Rocinha.
A chegada de imigrantes italianos ocorreu entre 1918 e 1920. Alí encontraram alguns luso-brasileiros: Carapeva, Vidal, Mambuca, Nunes, Verdum, Lima, entre outros.
Entre as primeiras famílias descendentes de italianos estão Jacó Padoin, Luis Padoin, Emilio Maschi, Pedro Strapasson, Pedro Ribolli, João Andreazza, Rústico Boz, Luciano Tibola, Ernesto Benedetti, Giácomo Turra, Festivo Benedetti, Pedro Lorenzet, Antônio Martinelli, João Veronezi e Isidoro De Carli.
A comunidade também registrou outras etnias, como germânica, polonesa e lusitana. Em seu auge, a comunidade contou com mais de 170 famílias associadas, entre 1965 e 1970.
O histórico completo da comunidade de Rocinha também está disponível no site www.portalturra.com.br, na aba ROCINHA, com informações em módulos, com os históricos da Comunidade, da Educação, do Esporte e da Família, além de uma galeria de fotos.

Foto aérea da comunidade de Rocinha
Tradição da comunidade em vocações religiosas
Em 1924 foi construído o primeiro capitel, onde foi colocado um quadro com a imagem de Nossa Senhora da Saúde. Este templo serviu para os encontros religiosos até 1933, quando foi construída uma capela um pouco maior, em madeira.
No passado as pessoas se encontravam na comunidade no domingo pela manhã para rezar o terço e à tarde para jogar baralho, futebol, caçador e outras diversões.
O Padre Vicente Testani introduziu em cada casa e fez a consagração da família ao Sagrado Coração de Jesus, surgindo, assim, o ‘Apostolado da Oração’. Também introduziu a Ação Católica em 1938, que ajudou na formação cristã, fraternidade e solidariedade entre os pioneiros. A primeira catequista foi a professora Corona Corso, em 1932.
A religiosidade também era cultivada através do grupo de homens os ‘Congregados Marianos’, grupo das ‘Cruzadas Eucarísticas’ composto de crianças, moças integravam as Filhas de Maria, ‘Apostolado da Oração’ formado por senhoras.

Registro da Igreja de Nossa Senhora da Saúde e moradores datada no ano de 1933
Vocações religiosas
Especialmente nas décadas 1960 e 1970, grande parte dos adolescentes ingressou em seminários ou colégios. Os meninos, após a quarta ou quinta série do primário, iam para o Seminário Nossa Senhora de Fátima, em Três de Maio, dirigido pelos padres Missionários da Consolata. As meninas iam para o Colégio Cristo Rei, de Horizontina, das freiras da Consolata ou Dom Hermeto. Após, novos sonhos em seminários superiores, Erechim, São Paulo, colégios profissionalizantes ou faculdades mais distantes: Ijuí, Santa Maria e Porto Alegre.
Padres Missionários da Consolata: Pe. Elio Rama. Irmãs Missionárias da Consolata: Margarida Benedetti, Paulinângela Lorenzet, Rosinês Fiorentini, Inês Fiorentini, Lúcia Tibola, Lucimar Tibola. Irmãs Filhas do Sagrado Coração de Jesus: Euzébia Benedetti, Lucia Inês Compagnoni, Lúcia Balsan, Inês Roberti, Assunta Roberti e Rosa Telka.
Construção da capela
A construção da atual capela contou com grande incentivo do Padre José Radicci. Foram utilizados 120 mil tijolos fornecidos pelas olarias de Liberato Corso e de Antoninho Salante. A capela tem 28 metros de comprimento, 11m de largura e 25m de altura. A cruz de cimento tem 1,5m de braço. Padre Túlio Martinelli foi o engenheiro responsável pelo projeto e o pároco era o Pe. Afonso Durigon. Foi um exemplo de unidade e superação para atingir a meta de inaugurar a igreja no dia da Festa da Padroeira.

Ontem, dia 14, a comunidade de Rocinha completou os 100 anos de fundação. Atualmente, são 41 famílias sócias ativas: Alceu Corso e esposa, Aladia Dernardin Benedetti, Barbara Peripolli, Ceserez Behrenz e esposa, Cleci Maria Girardi e família, Cléber Alessandro Corso e família, Dorin Bianchi e esposa, Eroni Turra, Elton Antônio Bottega e família, Euclides Lorencet, Elio Demboski, Eugênio Cesar Corso, Fernando Peripolli e família, Hilário Compagnon e esposa, Henrique Corso e família, Innocente Antônio Tibola, Inelci Demboski Dallemolle, Inês Zucatto, Izolino Freling e esposa, Irma Turra Bottega, Jean Turra e família, Laurindo Antônio Tusset e esposa, Lucia Compagnon, Leonardo Dembogurski e família, Luan Tibola e esposa, Lourdes Bianchi, Marcia Bianchi, Marli Fiorentini e família, Marcio Dalcin e família, Marino Padoin e família, Moacir Tibola e família, Matias Dembogurski e família, Maristela Telka, Pio Rama e esposa, Rosina Dalcin, Rosalia Dalcin, Simão Dembogurski e família, Sebastião Compagnon e familia, Sonia Tibola , Taise Roberta Roberti Corso e família e Vilmar Ferrari e família
Datas que marcam a história
Dia 21 de novembro é dedicado à padroeira Nossa Senhora da Saúde. Na data, no ano de 1933 ocorreu a inauguração da segunda capela e introdução da atual imagem de Nossa Senhora da Saúde, doada pelo devoto e fundador João Andreazza, como pagamento de uma promessa feita em favor de sua saúde. A procissão festiva, acompanhada por muita gente, saiu da residência de Ernesto Benedetti até a capela de madeira.
Dia 2 de fevereiro de 1940 ocorreu a aprovação dos ‘Estatutos da Sociedade Física e Moral Nossa Senhora da Saúde de Rocinha’. Na presidência estava Liberato Corso. Dia 20 de janeiro de 1957 ocorreu o lançamento da Pedra Fundamental para a construção da capela atual, no dia da festa de São Sebastião, Padroeiro da Juventude. Já em 21 de novembro de 1957 foi a inauguração festiva da atual capela.
Dia 11 de novembro 1984 foi celebrada a primeira missa, pelo padre Elio Rama, ordenado no dia 10 de novembro de 1984 na Matriz Nossa Senhora da Conceição de Três de Maio, filho de João Rama e da imigrante italiana Justina Fiorentini Rama. Ele foi o primeiro sacerdote filho desta terra.
De 30 de dezembro de 1986 a 1° de janeiro de 1987 foi realizado o “I Rittornare” – Reencontro de congraçamento, de volta às raízes, dos filhos nascidos ou vividos em Rocinha e espalhados pelo Brasil.
Curiosidades da comunidade
A área onde está construída a capela, salão e quadra de esportes, escola, pomar e outras dependências comunitárias, foi desmembrada de área maior pertencente a Ernesto Benedetti e escriturada para a Mitra de Uruguaiana, hoje, Angelopolitana.
A primeira parteira foi Inocência Verdum e depois dela desempenharam esta nobre missão a Amábile Padoim e Paulina Lorenzet.
A primeira escola funcionou na residência da professora Coronoa Corso, que iniciou a primeira turma com 40 alunos.
Nas proximidades da capela e antiga escola, bem no início, havia muito mato e as festas da comunidade eram realizadas em espaços abertos na mata, onde construíam as mesas e bancos. A churrasqueira feita no chão escavado e os espetos feitos de varas cortadas do mato, de madeiras e espessura selecionadas, descascadas onde a carne (que ficava na salmoura para temperar, de um dia para o outro) era espetada e ia para o braseiro.
O sino da capela veio de Garibaldi, pesando 348 kg. De início foi colocado sobre dois cepos, próximos do chão. Em 1949, Dovílio Turra e o Missio de Tucunduva construíram, ao lado da capela de madeira, o campanário de 6 a 7 metros de altura, onde foi colocado e permaneceu até a construção da atual capela.
O primeiro cemitério localizava-se onde atualmente há o pomar da escola, em frente à lateral leste do campo de futebol. Foi transferido, no início da década 1970, para sua localização atual, em um terreno doado por Liberato Corso. O cemitério está situado no município de Tucunduva, considerando que o lajeado Rocinha é o referencial que divide os territórios dos municípios.
Empreendimentos
Na década de 1960, funcionavam diversos empreendimentos, como a Serraria do Liberato Corso e Filhos, Sapataria do João Compagnoni, Marcenaria de Giácomo e Dovílio Turra, marcenaria da Família Ramiro, alfaiataria do Onorino Brum, malharia do Luiz Vanzin, ferraria do Alécio Dalcin, ferraria do Alfredo Perinazzo, olaria do Antoninho Salante, olaria do Liberato Corso, pequena fábrica de queijos do Jorge Dalcin, geradores de energia elétrica de Liberato Corso e Osório Cousseau, soque de erva e cereais do Lino Roberti, açougue comunitário com abatedouro e picador.
A primeira Casa de Comércio de gêneros de primeira necessidade funcionou na residência do Ernesto Benedetti, depois vieram os Bergolie e mais tarde os Ribolli. Luciano Tibola e Antonio Salante foram os primeiros carroceiros-freteiros que transportavam os produtos até Giruá e mais tarde para Cruzeiro, local onde chegavam vagões de carga e passageiros.

Primeira colheitadeira de grãos da região de Rocinha, de propriedade da família Lorenzet. Na direção da colheitadeira, Angelin Lorenset. Paulina Lorenzet com seus filhos Angelin e Luiz, adquiriram a primeira colheitadeira de grãos, uma Massey Harris 20, utilizada para colheita de soja e trigo. Na época, as colheitas eram feitas manualmente, à ‘foicinha’. Com a colheitadeira, a família Lorenzet foi a pioneira em prestar serviços a terceiros. Outra informação da família é de que o primeiro veículo de Rocinha, um Jipe, foi adquirido por Angelin Lorenset, com o qual ele levava a mãe Paulina e familiares à cidade, hospital, missas na Igreja Matriz Católica na cidade de Três de Maio
Tradição no futebol
Em 13 de outubro de 1941, foi fundado o Esporte Clube Força e Luz, com a finalidade de ter um passatempo nos feriados e domingos. Hilário Andreazza foi quem trouxe a primeira bola de futebol, comprada em Caxias do Sul. O principal responsável pela criação do lazer esportivo foi Valentim Cassol. Somaram-se a ele os irmãos Abel e Guerino Perinazzo, Hilário e Claudino Andreazza, Otávio Roberti, Altamiro Benedetti, João Turra, Estevão e Francisco Dembogurski (irmãos), Ângelo Morim e Antônio Leite.
Os primeiros jogos ocorreram em um potreiro dos descendentes de Ernesto Benedetti. Após, se estabeleceu em terras doadas por Pedro Múncio Compagnoni. Anos mais tarde, a equipe de futebol passou a se chamar Grêmio Esportivo Fátima, que, depois, consagrou-se com os maiores títulos varzeanos municipais da sua história, como Sociedade Esportiva Rocinha.
O nome de Grêmio Esportivo Fátima surgiu em uma peregrinação da imagem de Nossa Senhora de Fátima, em 1959. Segundo depoimentos de Elemar Cassol, “foi um dia frio, com neblina, em que os jogadores do Rocinha, todos fardados com camiseta, calção, meias e chuteiras, carregaram em procissão a imagem de Nossa Senhora de Fátima, desde a igreja até o campo de futebol e lá colocaram a imagem no andor sobre um suporte. O padre José Radicci fez orações, abençoou o time e o campo e declarou que, a partir de então, o time se chamaria Grêmio Esportivo Fátima”. Anos mais tarde, deram sequência ao futebol os atletas Alcides Salanti, Armando, Arcile, Artêmio e Orlando Benedetti, Claudino Andreazza, Dovílio e Honorino Turra, Ivo e Osmar Homerdin, Ângelo Cassol, Casemiro, Luiz e Miguel Corso.
A história do penta
A década de 1970 foi uma das mais marcantes. Naquele período, Rocinha obteve grande êxito desportivo ao iniciar sua série de conquistas do Campeonato Varzeano, da Prefeitura de Três de Maio.
O primeiro título foi em 1970. O Rocinha derrotou o Floriano, de São José do Inhacorá, por 2 a 0, com gols de Nélson Turra e Hélio. O bicampeonato veio em 1973, de forma invicta, contra o rival Guarany, com quem faz o principal clássico do interior de Três de Maio, o Guaranha. A conquista só veio nas penalidades.
Em 1974, veio o tri com gol do ponteiro esquerdo Vicente, diante da equipe da A.A. Alegria, em 22 de dezembro de 74. O quarto título foi em 1976, contra o E.C. Itapagé, de Lambedor. Resultado final: 4 a 1 a favor do Rocinha. Já o penta do Varzeano foi em 23 de dezembro de 1990. No Estádio Reinoldo Selzler, o Rocinha derrotou a S.E. São Caetano por 2 a 1, com gols de Amarildo e Abreu.
O Rocinha também conquistou o primeiro Campeonato Brahma de Veteranos, em 1985, e o primeiro Campeonato Regional Amador entre Municípios, em 1990/1991.
DIRETORIA ATUAL DA COMUNIDADE
Presidente: Sebastião Compagnon
Vice-presidente: Moacir Tibola
Secretários: Márcio Dalcin e Henrique Corso e Simão Dembogurski
Tesoureiro: Leonardo Dembogurski
Chefe do Açougue: Eugenio Cesar Corso
Presidente do Esporte: Jean Turra
Ministras: Sonia Tibola e Nelsi Compagnom
Setor do Dízimo: Lourdes Bianchi e Henrique Corso









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