Com carreata e buzinaço, empresários protestam pela reabertura do comércio

Presidente do Sindilojas, Dilson Mireski, diz que o ‘comércio não é o vilão’ com relação aos casos e a disseminação da Covid-19

Com carreata e buzinaço, empresários protestam pela reabertura do comércio
Empresários querem sensibilizar o governo do Estado, quanto às restrições impostas pela bandeira preta

“O comércio quer trabalhar. Nossa posição é contundente na defesa dos interesses do setor de bens, de serviços e de turismo, por isso é preciso sensibilizar a sociedade e o governo de que o fechamento das atividades comerciais não resolve o problema da pandemia, pelo contrário, expõe empresas e famílias, sem renda, a situações que também adoecem. Essa campanha traz fatos e informações sobre a realidade do setor aqui no Estado durante a grave crise que vivenciamos”, esse é o posicionamento da Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS), em seu site oficial. A entidade, sugere a revisão urgente dos protocolos da bandeira preta para permitir a reabertura de todo o comércio com restrições de ocupação e capacidade, respeitando os protocolos elaborados para evitar a disseminação do coronavírus.


A mesma opinião é compartilhada pelas associações comerciais e sindicatos varejistas da região Noroeste. Em Santa Rosa, Horizontina e Três de Maio, foram realizadas na manhã de quarta-feira, 3, carreatas reivindicando a reabertura do comércio. 

 


Buzinaço na região


Mais especificamente em Três de Maio, ACI e Sindilojas promoveram o “Buzinaço”, com carreata defendendo a bandeira “Cuidados sim! Empresas abertas também!”, partindo da ERS-342, na entrada da cidade, percorrendo as principais ruas e avenidas, encerrando em frente à sede da entidade.


Empresários de diversos setores participaram do ato, que reuniu cerca de cem veículos. De acordo com o presidente da ACI, Fábio Da Luz, o protesto foi organizado no mínimo em sete cidades da região, e está se espalhando pelo Estado. “Queremos mobilizar e sensibilizar o governador do Estado, para que possa voltar o sistema de cogestão. Hoje temos a clareza de que não é no ambiente de trabalho que as pessoas se contaminam. Esse é um manifesto para mostrar nossa indignação”, declarou Fábio. 

 


‘O comércio não é o vilão na disseminação do coronavírus’

 

Presidente do Sindilojas Três de Maio, Dilson Mireski: “ACI e Sindilojas são favoráveis às medidas de prevenção e ao trabalho da saúde, mas desejamos ao menos fazer agendamentos para poder vender aos nossos clientes”

 


Estando na bandeira preta em todo o Estado, o comércio considerado não essencial foi obrigado a fechar as portas. O presidente do Sindilojas, Dilson Mireski, reafirma o posicionamento de que as empresas estão tomando todos os cuidados e que o comércio não é o vilão. “Sabemos do colapso na saúde, a falta de leitos para a população. Mas o comércio não é o vilão na disseminação do coronavírus”, afirmou. 


Dilson frisa que o vírus circula nas aglomerações e que o fechamento das empresas impacta na economia local. “Quantos funcionários perderam seu emprego e o empresário tem que estar se readequando. A preocupação é grande: desemprego. indústrias paradas... Os empresários não estão contra a saúde, ou os profissionais. Sabemos do cuidado que as equipes médicas e de profissionais de saúde têm, da exaustão, do alto risco que correm, da apreensão e do estresse diário. Estamos totalmente a favor da saúde, mas ao menos queremos fazer agendamentos para poder vender aos nossos clientes.”


Na avaliação do presidente do Sindilojas, a economia gerada pela indústria e comércio é muito importante e gera recursos para investir na saúde. “O comércio não pode ser penalizado. Muitos pequenos comerciantes ajudam a dar a sustentação ao país hoje. Então, ali está o emprego, a renda, a substistência das famílias, e é importante zelar por isso”, diz Dilson.


Sob a possibilidade do Estado permanecer na bandeira preta, ele afirma que é lamentável, porque “aí vai dobrar o problema”. “Estamos em contato com a Fecomércio para encaminhar ações junto ao governador para ao menos conseguirmos a cogestão; onde os municípios menores (onde tem estrutura de leitos), possam dar sequência às suas atividades; claro, sempre seguindo os protocolos de segurança”. 


Na próxima edição, reportagem com informações sobre o impacto do fechamento do comércio e da pandemia na economia local.