TRÊS DE MAIO E SUA HISTÓRIA - O SUPERMERCADO POPULAR PARTE I

TRÊS DE MAIO E SUA HISTÓRIA - O SUPERMERCADO POPULAR PARTE I

O SUPERMERCADO POPULAR PARTE I

Em 1928, Ricardo Tesche (nasc. 14.12.1907), filho de Emílio Tesche e Emília Schumacher, associou-se a seu pai em uma serraria na Vila Buricá, dando início, a partir daí, a uma série de empreendimentos que refletiriam bem o espírito inquieto e incansável que sempre o impelia em busca de progresso e evolução pessoal.
Dos filhos de Emilio Tesche, Ricardo foi o que mais se interessou em ter uma formação, motivo que o levou a ir estudar no Colégio Mauá em Santa Cruz do Sul, onde formou-se como guarda-livros, curso que lhe proporcionou um enorme diferencial perante outros jovens de sua época. 
Poucos meses depois de iniciar suas atividades na serraria, no dia 04 de maio de 1929, Ricardo Tesche se casou com Blondina Malvina Schaeffer, com quem teve três filhos: Orlanda (1930), Brunilda (1932) e Cassildo (1935). 
No ano de 1937, Ricardo decidiu expandir os negócios, quando adquiriu um locomóvel de 24 HP do Sr. Guilherme Hirsch para gerar energia elétrica para a Vila. A geração de energia elétrica no povoado havia iniciado em 1922 com o madeireiro Augusto Zillmer, que possuía uma serraria no mesmo local onde alguns anos depois Germano Dockhorn construiu seu casarão, serviço este passado para o Sr. Guilherme Hirsch em 1926, que por sua vez ampliou a rede de distribuição para os moradores, ficando como responsável por esta distribuição até o maquinário e as linhas de transmissão serem adquiridos por Ricardo Tesche. 
Em 1940, Ricardo deu início ao funcionamento de um moinho com duas pedras mós e um descascador de arroz, em local próximo de onde funcionava sua serraria. Naquela época os moinhos coloniais eram empreendimentos que rendiam bons lucros aos seus proprietários, pois o beneficiamento de grãos em farinha era uma das principais engrenagens econômicas na região. O moinho funcionava mais à noite, após o desligamento da chave geral de energia da Vila, momento em que conseguia trabalhar com mais intensidade já que a partir deste horário passava a ser o único imóvel alimentado com energia elétrica. 
Com determinada idade, a filha mais velha de Ricardo, Orlanda Betina Tesche, foi estudar interna no Colégio Mauá em Santa Cruz do Sul, quando conheceu Nelson Tesche, filho de Rudolfo Tesche, primo de seu pai. 
Nelson logo se encantou por Orlanda e fez questão de deixar isto bem claro para ela, que inicialmente até correspondeu as pretensões de seu primo. Por questões familiares, Orlanda voltou para Três de Maio, e foi então que, numa tentativa de reatar a relação, em 1947 Nelson também veio para Três de Maio depois de ter tido alguns desentendimentos com seu pai. Aqui empregou-se na serraria de Ricardo Tesche, passando a trabalhar como fiscal de energia para Ricardo. 
Naquela época, as casas não podiam ter mais do que três lâmpadas e Nelson ficou como responsável por passar pelas moradias verificando se todas elas estavam se mantendo dentro da regra, para evitar o excesso de consumo. Esta proximidade com a família de Orlanda ajudou Nelson a reatar o namoro com sua prima, resultando no enlace matrimonial dos dois no dia 16 de novembro de 1949. O casal  teve três filhos: Sílvio (1952), Raul (1955) e Liane (1958). 
Logo, Nelson se tornou gerente do moinho e, seu sogro, Ricardo Tesche, passou a se envolver mais com os outros negócios da família. 
Em 1954, Nelson se tornou sócio do empreendimento juntamente com o tio de sua esposa, Fredolino Tesche, e os três, juntando uma quantia de Cr$ 950.000.00, fundaram a firma “Tesche e Cia Ltda” dedicada a atividade moageira, beneficiando todo o tipo de grãos, e os antigos empregados foram convidados a participar como quotistas da firma. Mas nos anos seguintes, como muita farinha da Argentina começou a ser contrabandeada pela fronteira, com preços inferiores aos praticados aqui e com qualidade superior, a atividade dos moinhos começou a ser prejudicada, se tornando menos rentável, até que a inviabilidade do negócio passou a obrigar muitos a fecharem as portas. 
Naqueles dias, as circunstancias começavam a obrigar Nelson a incrementar os negócios com a revenda de açúcar da Copersucar, cooperativa de produtores de cana-de-açúcar de São Paulo fundada em 1959, que, na época, detinha o monopólio do açúcar, trazendo o produto de São Paulo através dos caminhões que levavam porcos para comercialização nos frigoríficos paulistas.
Nesta época, a Tesche e Cia Ltda se tornou a única distribuidora deste açúcar para toda a região, estendendo este comércio também para a comercialização de arroz, feijão, óleo de soja, sabão e soda cáustica.
Numa visita que fez a familiares em Santa Cruz do Sul, Nelson conheceu um novo sistema de comércio recentemente implantado no armazém de secos e molhados pertencente a um sobrinho seu, onde os produtos eram armazenados em prateleiras colocadas paralelas uma as outras, permitindo o trânsito de pessoas entre estas para irem elas mesmas se servindo dos produtos que necessitavam. 
Aquele era um sistema criado nos Estados Unidos em 1930, ao qual chamavam inicialmente de “autosserviço”, mas que logo ganharia um nome mais sofisticado, passando a se chamar “supermercado”. 
A partir daí, não demorou para surgir o primeiro em Santa Rosa e, algum tempo depois, o Mercado Bonamigo de Nelson Bonamigo em Três de Maio também aderiu a ideia, mostrando que aquele novo sistema era uma tendência a ser seguida por todos. Mas se adaptar aquele novo sistema exigia custos e muito trabalho, necessitando-se principalmente da produção de prateleiras adaptadas para o negócio, através de marceneiros.
Foi quando Nelson soube de um comerciante de Santa Rosa que havia desistido do novo negócio de supermercado e que queria vender suas gôndolas e demais equipamentos. 
Nestes dias o Sr. Alfredo Reinhold, proprietário de um imóvel situado na esquina da Avenida Uruguai com a Avenida Santa Rosa, havia colocado à venda seu imóvel devido ao desinteresse de seus filhos em continuar tocando o seu negócio, e foi neste imóvel que no dia 14 de junho de 1969 passou a funcionar a primeira unidade do Supermercado Popular, nome dado justamente para tentar aproximá-lo das pessoas, passando a ideia de “mercado do povo”. 
Inicialmente, as pessoas ainda resistiam aquela nova forma de se fazer compras, e as que começavam a aderir, preferiam o Mercado Bonamigo, com o qual estavam mais habituadas. Então Nelson decidiu colocar a sua esposa, Orlanda, para tomar a frente no negócio, ao que ela hesitou, dizendo “Mas eu não sei trabalhar com o comércio!” e Nelson apenas lhe respondeu: “Não interessa, vai aprender!”. 
Orlanda aprendeu rápido, e como tinha muitas amizades com outras senhoras que participavam do mesmo grupo que ela na OASE – Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas, começou a formar uma boa clientela, que aos poucos, de forma um tanto tímida, foram se adaptando aquele novo sistema de irem sozinhas até as prateleiras pegarem os produtos de que necessitavam, sempre pedindo muita licença. 
O negócio começou a dar certo e a freguesia foi crescendo. Assim, mais um caixa foi instalado para diminuir a fila, e logo surgiria a necessidade de um espaço mais amplo para o supermercado. Foi então que em 1973, Nelson Tesche e os demais sócios decidiram dar início a um projeto ousado, construindo um prédio de grandes proporções em um ponto que logo se tornaria um dos locais mais movimentados da cidade.

Revisão do Dr. Prof. Leomar Tesche

 

Primeiro imóvel onde o Supermercado Popular iniciou suas atividades no dia 14 de junho de 1969, situado na esquina da Avenida Santa Rosa com a Av. Uruguai. Funcionou neste local até 1974, quando então mudou-se para o prédio construído na esquina das ruas Padre Cacique e Rio de Janeiro

 

Nelson Tesche com sua esposa Orlanda e os filhos, Raul (esquerda), Liane (ao centro) e Sílvio (direita).  O registro foi feito no aniversário de 9 anos de Raul

 

Nelson Tesche nasceu em 6 de agosto de 1923, em Santa Cruz do Sul. Em 1947, quando chegou a Três de Maio, 
começou a trabalhar como fiscal 
de energia para o fornecedor de energia local, Ricardo Tesche

 

Primeira versão do mascote da 
empresa desenhada por Luis Ocimar por volta de 1985. Depois viria a versão segurando um carrinho de supermercado e dentro de um coração