TRÊS DE MAIO E SUA HISTÓRIA - A VILA CONSOLATA PARTE I DE III

TRÊS DE MAIO E SUA HISTÓRIA - A VILA CONSOLATA PARTE I DE III

TRÊS DE MAIO E SUA HISTÓRIA - A VILA CONSOLATA PARTE I DE III

No dia 05 de janeiro de 1915, foi oficialmente inaugurada a Colônia Santa Rosa, através de decreto do Presidente do Estado Antônio Borges de Medeiros, a qual abrangia uma vasta área de terras devolutas na região do Alto Uruguai, onde já havia a presença de um significativo contingente de habitantes chamados de “posseiros”, constituídos principalmente de famílias de caboclos e indígenas remanescentes dos povos Guaranys, os quais ajudaram a abrir os primeiros quilômetros de estradas na região. 
A colônia Santa Rosa teve dois momentos distintos em sua ocupação: no primeiro momento, ainda em 1915, uma frente colonizadora encaminhou-se abrindo estradas até a região que ficava entre os rios Santa Rosa e Buricá (hoje Três de Maio), e dali seguindo até a região que hoje constitui o município de Boa Vista do Buricá, onde chegaram em 1919. Num segundo momento, a frente de colonização dirigiu-se para os núcleos de Tucunduva (1920), Tuparendi (1923) e Horizontina (1927). 
Naquele tempo, o Estado pagava estes  trabalhadores com lotes de terra nas áreas devolutas ainda totalmente cobertas pela mata fechada ao longo do traçado do estradão, e esta oferta, que se constituía em uma colônia de terra para todos aqueles que se dispusessem a abrir mil metros de estrada, fez muitas famílias começarem a se deslocar para a região, principalmente colonos imigrantes e seus descendentes vindos de Ijuhy, destino de muitos deles a partir de 1890 com a fundação da Colônia Ijuhy. 
Também as estradas secundárias da região foram traçadas seguindo o gabarito elaborado pela companhia de terras e colonização, com caminhos sendo abertos sempre em cima de espigões divisores de água, que eram os pontos mais alto de suas topografias, onde as águas da chuva, quando caiam, se dividiam para os lados, escoando até rios e riachos. Desta forma, evitava-se que as estradas passassem por banhados, onde seriam necessárias a construção de pontes ou pontilhões para as estradas poderem prosseguir. 
E foi a partir destas estradas que as colônias passaram a serem medidas, com as demarcações indo até o primeiro curso de água, o que fazia todos terem nos fundos de suas propriedades uma fonte hídrica, e era perto delas que normalmente os colonos construíam suas moradas e, por isso, para se chegar até um morador, era necessário percorrer um longo travessão a partir da estrada. 
O casal de imigrantes alemães, Gorbinhano Hupfer e Edwiges Bart, chegou à região do Santa Rosa – Buricá, num local próxima ao Lajeado Morangueira, em maio de 1924, quando Gorbinhano adquiriu uma colônia de terra de um senhor chamado Amadeu Casali, o qual, depois, se mudou para uma região mais afastada, que posteriormente seria chamada de “Esquina Bado”. 
Haviam raros moradores nas redondezas, e muito pouco se podia fazer naqueles primeiros dias, pois o mato tomava conta e tudo. O que ajudou bastante Gorbinhano naquele primeiro momento foi que o antigo morador de sua colônia já havia aberto uma pequena clareira num local próximo, quando ficou semanas queimando os troncos que restaram das árvores para poder plantar algo. Ali Gorbinhano Hupfer e sua esposa viriam a ter seis filhos: Maximiliano (1925), Edwiges (1926), Clemente (1928), Carlos (1930), Afonso (1934) e Walter (1939). 
Assim, aos poucos, com a vida se mostrando promissora naquele local, Gorbinhano enviou cartas para familiares na Alemanha contando sobre a região onde havia se estabelecido, e um irmão seu, chamado Max, que estava noivo e pretendia se casar em breve, decidiu vir também ao Morangueira a fim de se estabelecer em uma colônia e depois buscar sua futura esposa para começarem uma nova vida ali. 
Mas com todas as dificuldades da época, inclusive de idioma, Max teve enorme dificuldade em encontrar Gorbinhano, e acabou se estabelecendo em Neu-Württemberg (hoje Panambi), onde, para se manter, começou a trabalhar em uma serraria as margens do Rio Fiuza. Até que finalmente, através de cartas enviadas a Alemanha e da Alemanha reenviadas a Buricá, conseguiu localizar onde ficava a região na qual seu irmão estava morando. 
Após o reencontro dos dois irmãos, Gorbinhano adquiriu para Max uma colônia de terra de um senhor chamado Antônio Correa, confiante de que Max, depois de casar-se com sua noiva na Alemanha, retornaria para morar ali com ela. 
Mas as coisas não saíram como planejado, pois quando Max voltou para a Alemanha, descobriu que sua noiva havia desistido completamente da ideia de vir para o Brasil com ele, e tendo Max já organizado a sua vida no Brasil, não lhe restou outra alternativa senão terminar com a moça e voltar sozinho para a região do Lajeado Morangueira, onde seu irmão o aguardava.  
Mas nos dias que se seguiram e antecederam seu retorno, Max conheceu a jovem, chamada Thereza Bauer, que naquele momento estava trabalhando na casa de parentes seus, e foi então que o destino resolveu corrigir o que antes não havia dado certo na vida de Max, quando após exitosa tratativa os dois se casaram  e embarcaram juntos rumo o Brasil. 
Na região do morangueira, Max Hupter e Thereza Bauer viriam a ter quatro filhos: os gêmeos Eduardo e Helmut (1929), Hildegard (1933) e Luiz (1934).
Em 1935, em uma casa de moradia desocupada, surgiu a primeira escolinha do povoado, onde cerca de doze a quinze crianças passaram a frequentar as aulas ministradas em língua alemã pelo professor Willy Römelmeier.
Mais tarde foi construída outra escola em terreno doado pelo Sr. João Schweig, a qual passou a servir também como local de culto das famílias evangélicas da localidade. Mas logo resolveram separar a escola do local de cultos, quando a comunidade construiu uma pequena igreja de madeira em um local mais próximo do povoamento (onde hoje está situada a Cerâmica Hirsch), a qual passou a pertencer a igreja congregacional, mas que alguns anos depois passaria a pertencer a IECLB. 
No entorno da escolinha, que inicialmente recebeu o nome de “Escola João Schweig” em sinal de gratidão ao doador do terreno, a comunidade plantou diversos coqueiros, e também no terreno ao lado, doado pelo filho de João Schweig, João Schweig Filho, onde pretendiam instalar um cemitério, já que o local onde os protestantes estavam enterrando seus mortos até então era demasiado afastado do povoado e criava mato muito rapidamente em volta, fazendo os oito jazigos já existentes no local ficarem constantemente perdidos em meio ao fumo bravo. 
Passado algum tempo, houve uma desunião entre os moradores da localidade, possivelmente em decorrência das diferenças culturais entre as famílias alemãs e italianas, o que motivou a criação de mais uma escola, onde as crianças de origem italiana – que em sua maioria pertenciam a famílias professantes da religião católica -- passaram a ter aulas. 
Mas esta ruptura étnica não durou muito tempo e, depois de um acordo, as aulas voltaram a ser realizadas somente na Escola João Schweig, que no ano de 1938 passaria a ser denominada “Escola Municipal 15 de Novembro N° 67”. 
Logo, a exemplo do que aconteceu com o cemitério da Vila Três de Maio, no terreno doado por João Schweig Filho também decidiram fazer um cemitério conjunto entre católicos e protestantes, com as duas comunidades religiosas se unindo para construírem um muro no entorno do local.  Foi nomeado também um Inspetor de Quarteirão na localidade, função para a qual foi designado o Sr. Remando Benedetti, tendo como principal atribuição, garantir a lei e a ordem na região. 
Logo, os moradores do Morangueira começaram a formar uma comunidade que se avultava naquele lugar e verificou-se a necessidade de organizar um loteamento para acomodar as muitas outras famílias que ainda se dirigiam para lá. 
Desta forma, em 1952 a prefeitura de Santa Rosa adquiriu seis hectares de terra do Sr. Reinoldo Becker, e o agrimensor Felipe Anibaldo Portz foi até o local para fazer a marcação e medição dos lotes, dando início ao processo de urbanização da área. 
Neste loteamento, Gorbinhano Hupfer foi o primeiro a adquirir um dos terrenos, porém, não foi o primeiro morador, pois já moravam no local o próprio Reinoldo Becker e um bolicheiro chamado Stumpf.  A escolinha da comunidade também foi transferida para este local, momento em que passou a denominar-se “Escola Presidente Prudente de Morais”, conforme Decreto Municipal n° 95 de 07 de maio de 1952, assinado pelo então prefeito de Santa Rosa, Sr. José Alfredo Nedel. 
Com a abertura das ruas, logo o povoado passou a ser chamado de “Esquina Morangueira”, mas com a chegada dos padres do Instituto Missões Consolata a Três de Maio no ano de 1948, e com a construção da primeira capela católica de madeira da localidade, a qual foi dedicada à Nossa Senhora da Consolata, nome italiano de Nossa Senhora da Consolação (também conhecida como Nossa Senhora Consoladora dos Aflitos), os colonos que moravam mais distantes do povoamento passaram a se referir ao local para onde iam em dias de missa dizendo que estavam indo “na Consolata”, e esta referência passou a ser bastante utilizada entre os católicos da região.
Alguns anos após a emancipação de Três de Maio, ocorrida em 15 de dezembro de 1954, foi necessário oficializar em lei o nome do então distrito, e para evitar-se confusões com o nome do lajeado que cruzava na localidade, que também se chamava “morangueira” – sendo que esta denominação se estendia para toda aquela região -- decidiu-se que seria mais conveniente dar a Esquina Morangueira, sede do distrito, outro nome. E assim, alguns sugeriram mudar-se o nome para “Vila Becker”, por estar a Vila localizada sobre as terras que outrora pertenciam a Reinoldo Becker, outros sugeriram “Vila Belmonte”, mas o padre que até então estava conduzindo a capela dos católicos na Vila, José Radici, religioso de ríspida disciplina, achou que o ideal seria “Vila Consolata”, já que eram muitas as pessoas que se referiam ao local desta forma, em referência a capela cuja padroeira, como já mencionado, era Nossa Senhora da Consolata.  
Os protestantes não concordaram com aquela ideia, mas o inspetor de quarteirão, Remando Benedetti, que então havia se tornado subprefeito do recém criado distrito, concordou com o padre e, investido de sua autoridade perante os demais, resolveu bater o martelo na decisão de José Radici, dando o assunto por encerrado, e o nome da sede do distrito passou a ser oficialmente “Vila Consolata”. Assim, no dia 22 de outubro de 1959, através da Lei Legislativa número 10/59, foi oficialmente criado o distrito de Consolata.

Revisão do Dr. Prof. Leomar Tesche

 

Alunos da antiga escolinha 15 de Novembro n° 67 com o professor Carlos Luiz Leopoldo Leonhardt e, provavelmente, os Srs. José Z. Reis e Ângelo Polesso da comissão de ensino municipal em  registro realizado antes de um exame final. Em 1962, após  ter sido passada para o Estado, mudou a denominação para Grupo Escolar Rural Senador Alberto Pasqualini

 

O alemão Gorbinhano Hupter, um dos pioneiros da localidade e um dos primeiros moradores do loteamento que, posteriormente, veio a se tornar 
a Vila Consolata

 

Reinoldo Becker, proprietário da área que em 1952 foi adquirida pela prefeitura de Santa Rosa dando origem ao loteamento da Vila Consolata