Professor de Três de Maio supera recorde após 82 horas de aula
Matheus Boesing, professor de TI da Setrem encerrou na segunda-feira a maratona iniciada na sexta; marca de 82 horas e 9 minutos supera recorde registrado na Índia e agora será analisada pelo Guinness Book
O que começou como um sonho terminou na noite de segunda-feira (7), depois de três amanheceres, quatro dias e 82 horas e 9 minutos de aula. Às 19h16, no Auditório da Sicredi, em Três de Maio, o professor de Tecnologia da Informação da Setrem Matheus Boesing encerrou a maratona que pode colocar o município no Guinness World Records.
A aula começou efetivamente às 9h07 de sexta-feira (4), com transmissão pela internet. Ao longo da jornada, Boesing manteve a atividade diante dos estudantes, seguindo uma programação previamente definida e enfrentando o desgaste provocado por dezenas de horas consecutivas de explicações, interação e fala.
A marca alcançada supera o recorde mundial anterior de aula mais longa, de 78 horas e 3 minutos, registrado na Índia, em 2008. A diferença é de 4 horas e 6 minutos.
Boesing também estabeleceu outra marca durante a própria maratona. Às 21h08 de domingo, ao completar 60 horas consecutivas, ultrapassou o recorde mundial específico de aula de Tecnologia da Informação, que era de 60 horas.
Além do Brasil, aulas foram acompanhadas por pessoas de nove países
Durante o desafio, segundo a organização, o pico de participação chegou a 60 alunos simultaneamente, com uma média de 47 alunos ao longo da programação. Mesmo nos períodos de menor presença, o evento manteve 37 participantes acompanhando a aula.
O alcance também ultrapassou as fronteiras do Brasil. Pela transmissão on-line, a Aula Mais Longa foi acompanhada por pessoas de diferentes países, com registros de participação no Canadá, Guatemala, México, Costa Rica, Uruguai, Argentina, Chile, Austrália e Estados Unidos.
O resultado, no entanto, ainda não é oficialmente reconhecido pelo Guinness. A tentativa havia sido aprovada previamente pela organização, que estabeleceu uma série de regras e protocolos para a execução do desafio.
Entre as exigências estavam o registro contínuo da atividade por meio de vídeos, fotografias e outros documentos, além da presença de testemunhas e cronometristas independentes. Essas pessoas não poderiam ter vínculo com as instituições envolvidas e precisavam ser substituídas periodicamente, conforme os protocolos estabelecidos.
Exigência de no mínimo de 20 alunos presenciais no decorrer das horas
Por se tratar de uma atividade educacional, também era necessário manter pelo menos 20 alunos presencialmente durante todo o período, comprovar a interação entre professor e estudantes e realizar avaliações de aprendizagem. O planejamento da aula precisou ser elaborado antecipadamente e encaminhado à organização, com a programação prevista para cada etapa.
Com o encerramento da maratona, começa agora uma nova etapa: reunir e enviar toda a documentação produzida durante o desafio.
O material será analisado pelo Guinness para verificar se todos os critérios foram cumpridos. “A próxima etapa é organizar e reunir todas as evidências exigidas pelos padrões do Guinness, garantindo que toda a documentação esteja completa e de acordo com os critérios estabelecidos. Após o envio poderá levar até 90 dias para ter o retorno”, explica Jenifer Lenz, coordenadora de comunicação do projeto.
Um desafio construído por muitas mãos
Embora Matheus Boesing seja o responsável pela ideia e tenha permanecido diante da turma durante mais de 82 horas, a realização do desafio envolveu uma grande estrutura de apoio.
Mais de 400 pessoas atuaram voluntariamente durante os quatro dias, em funções que incluíram recepção, organização, alimentação, registros, controle, suporte aos participantes e apoio operacional.
O planejamento ficou a cargo de uma equipe estratégica formada por três pessoas: o próprio Matheus Boesing, idealizador do desafio; Maidi Dalri, coordenadora estratégica; e Jenifer Lenz, coordenadora de comunicação.
Além deles, 14 profissionais integraram a equipe de Saúde e Bem-Estar, formada por especialistas de diferentes áreas. O trabalho começou antes da maratona e continuou durante o desafio, com atenção à preparação física, voz, alimentação, saúde, recuperação e bem-estar do professor.
Para Boesing, o desafio acabou assumindo um significado que vai além da busca por um recorde. “Eu falo muito sobre educação, mas um pouco desse projeto é sobre resiliência. É sobre perseverança, é sobre querer ir além. É sobre querer fazer diferente e cada pessoa que está aqui, poderia estar em outro lugar, fazendo outra coisa. Os alunos que aqui estão, mostram que têm compromisso junto comigo.”
Cansaço acumulado
A poucos minutos do encerramento, o professor relatou os efeitos das horas acumuladas de atividade. Mesmo assim, dizia estar disposto a continuar. “Eu estou mais disposto do que eu estava no primeiro dia. Eu tenho muitas coisas para falar, eu acho que eles não aguentam mais a minha voz. O meu corpo está um pouco cansado. Minha perna está tremendo um pouco. Assim como a minha mandíbula está um pouco travada. Minha língua está cheia de afta, porque eu não posso parar de falar por mais de cinco minutos com os estudantes. Fazem 80 horas que eu estou falando.”
A presença dos estudantes foi apontada por ele como um dos fatores que ajudaram a sustentar a maratona. Alguns acompanharam a atividade durante dezenas de horas. “Há alunos que estiveram comigo há mais de 50 horas. Essas pessoas ficaram tanto tempo acordadas, muito obrigado mesmo. Todos que estavam comigo foram incríveis. Vocês acreditaram. Vocês são imparáveis.”
Ao falar sobre a realização do projeto, Boesing também destacou que uma ideia, por maior que seja, depende de pessoas dispostas a colocá-la em prática.
No encerramento, a ideia de construção coletiva voltou a aparecer no discurso do professor. “Ninguém constrói nada sozinho e uma última frase: grandes coisas são constituídas de pequenas coisinhas e cada um de vocês fez uma pequena coisinha e eu também fiz uma pequena coisinha para que todos nós tivéssemos essa grande coisona.”
Agora, depois das 82 horas e 9 minutos de aula, o desafio deixa as salas e os bastidores e passa para a etapa de análise documental. Caberá ao Guinness World Records conferir as evidências apresentadas e decidir se a marca será oficialmente homologada como novo recorde mundial.

“Ninguém constrói nada sozinho. Grandes coisas são constituídas de pequenas coisinhas e cada um de vocês fez uma pequena coisinha e eu também fiz uma pequena coisinha para que todos nós tivéssemos essa grande coisona”. Matheus Boesing , professor de Tecnologia da Informação da Setrem, ao encerrar a maratona de 80 horas de aula que pode colocar o município no Guinness World Records.
Seis anos de tentativas antecederam autorização para desafio da Aula Mais Longa
Além do desafio do record, para a coordenadora estratégica do projeto, Maidi Dalri, a iniciativa buscou estimular entre os jovens o prazer pelo aprendizado, a persistência e a capacidade de superar limites
Foram seis anos de tentativas, submissões e mudanças de estratégia até que o professor Matheus Boesing obtivesse a autorização para realizar o desafio que colocou Três de Maio diante da possibilidade de conquistar uma marca mundial.
De acordo com Maidi Dalri, coordenadora estratégica do projeto, o processo junto ao Guinness World Records foi longo e exigiu diversas adequações. “O professor Matheus Boesing há seis anos tentava a aprovação do desafio para realizar a tentativa de Recorde do Aula Mais Longa e, após várias submissões ao Guinness World Record, no final de 2025 finalmente teve a homologação da autorização”, relata.
A autorização foi concedida em 13 de dezembro de 2025. A partir daquela data, a equipe tinha o prazo de um ano para executar o desafio e encaminhar as evidências exigidas para a avaliação do recorde.


“Quando criamos condições para aprender, desafiar-se e persistir, o conhecimento também pode transformar o que parecia impossível em realidade e aprender pode ser extraordinário.” Maidi Dalri, coordenadora estratégica do projeto Aula Mais Longa
Meta mudou durante o processo
A proposta inicial também passou por mudanças ao longo dos anos. O objetivo era buscar o recorde de aula mais longa na área de Tecnologia da Informação (TI). Entretanto, enquanto o projeto avançava, a marca da categoria também aumentou, passando de 24 para 60 horas.
Diante desse cenário, e considerando que o recorde mundial de aula mais longa era de 78 horas e três minutos, Boesing decidiu ampliar a meta. A equipe passou a trabalhar com o objetivo de chegar a 80 horas e, assim, tentar superar simultaneamente os dois recordes.
Planejamento começou em fevereiro
A etapa de planejamento ganhou força em fevereiro de 2026, quando Boesing convidou Maidi para assumir a Gestão Estratégica do desafio. Jenifer Lenz ficou responsável pela Gestão de Marca e Comunicação. A partir daí, os três iniciaram a estruturação do projeto.
A relação profissional entre eles, segundo Maidi, ajudou na formação da equipe. Ela foi professora de Matheus e Jenifer no curso Técnico em Informática da Setrem e afirma conhecer o comprometimento e o potencial dos dois. “Conhecendo a história de ambos e tendo clareza do comprometimento e do potencial profissional, não tive dúvidas de estar contribuindo com esse desafio”, afirma.
A decisão de participar, porém, esteve ligada também ao propósito do projeto. Maidi destaca sua trajetória profissional na área da educação e o desejo de contribuir para o desenvolvimento de Três de Maio.
Para ela, o desafio reuniu objetivos pessoais e profissionais dos envolvidos e trouxe a possibilidade de projetar o município nacionalmente. “Quando sonhos se cruzam com esse propósito é um sinal que devemos estar preparados para fazer a história acontecer e não apenas ser um coadjuvante”, avalia.
Para Maidi, a iniciativa também buscou estimular entre os jovens o prazer pelo aprendizado, a persistência e a capacidade de superar limites.
Mais de 82 horas de aprendizagem
Na avaliação de Maidi, a dimensão do projeto vai muito além da quantidade de horas em sala de aula. “Foram mais de 82 horas de aprendizagem em Tecnologia da Informação, reunindo conhecimento teórico, atividades práticas e persistência”, ressalta.
Ela destaca ainda que os participantes alcançaram índice de aprendizagem superior a 90% nas avaliações teóricas e práticas realizadas durante o desafio. “Mais do que permanecer em uma sala de aula por tantas horas, o desafio demonstrou que é possível mobilizar jovens em torno do conhecimento e fazê-los persistir, aprender e superar seus próprios limites”, afirma.
Tecnologia como parte da formação
Para Maidi, o desafio também ocorre em um momento importante para o debate sobre educação e tecnologia. Ela relaciona a iniciativa aos resultados brasileiros no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) e à inclusão, na edição de 2025, da chamada Aprendizagem no Mundo Digital.
Segundo os dados citados pela coordenadora, o Brasil alcançou 406 pontos nessa avaliação, enquanto a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) foi de 500 pontos.
Na avaliação dela, a diferença reforça a necessidade de ampliar a formação dos estudantes em competências relacionadas à tecnologia, à computação e à resolução de problemas. “Ensinar nossas crianças e jovens a compreender, criar e resolver problemas com a tecnologia não é mais uma possibilidade para o futuro, é uma necessidade do presente”, afirma.
Maidi defende que a computação e o pensamento crítico passem a ocupar um espaço mais relevante na formação dos estudantes, ao lado de áreas como Leitura, Matemática, Ciências e no Mundo Digital/Computacional..
Para ela, a principal mensagem deixada pelo projeto está justamente na capacidade de transformar desafios em oportunidades de aprendizagem. “Quando criamos condições para aprender, desafiar-se e persistir, o conhecimento também pode transformar o que parecia impossível em realidade e aprender pode ser extraordinário.”









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