Somando afeto: a filha que seguiu os passos do pai na Licenciatura em Matemática
Por cinco décadas, o professor Omar Klein dedicou sua vida ao ensino da Matemática. Hoje, vê na filha Kátia a continuidade de uma história construída em sala de aula, marcada pelo amor à educação e pela formação de gerações de estudantes.
Ensinar Matemática durante 50 anos exige muito mais do que domínio do conteúdo. Exige dedicação, paciência e sensibilidade para compreender as necessidades de diferentes gerações de estudantes. Essa foi a trajetória do professor aposentado Omar Klein, de 83 anos, que fez da educação sua missão de vida.
Pai de Ediomar, Michael e Kátia, Omar viu, com o passar dos anos, a filha desenvolver o mesmo interesse pelos cálculos. Hoje, Kátia Klein Augusti, de 40 anos, também é professora da área e atua há 19 anos na educação.
Para Omar, acompanhar essa escolha foi motivo de orgulho. "Senti uma grande satisfação e a certeza de uma missão cumprida, principalmente por ela ter escolhido seguir a mesma profissão que marcou grande parte da minha vida", afirma.
Durante 38 anos, Omar lecionou na SETREM, instituição onde também teve Kátia como aluna no Ensino Médio. Anos depois, ela recebeu o convite para integrar o corpo docente da escola, onde pai e filha trabalharam juntos entre 2007 e 2014. "Ver minha filha seguindo meus passos, compartilhando o amor pelo ensino e contribuindo para a formação de novos estudantes foi um dos maiores presentes que a vida poderia me proporcionar. Mais do que uma escolha profissional, vejo como a continuidade de valores que sempre procurei transmitir: dedicação, compromisso, responsabilidade e amor pela educação", destaca.
Vocação para ensinar
Embora reconheça que possa ter inspirado a filha, Omar ressalta que a decisão pela carreira foi inteiramente dela. "Aconteceu de forma natural. Ela sempre teve facilidade com cálculos e afinidade com a Matemática. Talvez tenha se inspirado ao me ver exercendo a profissão, mas a escolha foi construída a partir das próprias habilidades e sonhos", observa.
Para ele, o papel do educador ultrapassa a transmissão do conhecimento. "O maior ensinamento que procurei deixar é que o magistério é uma vocação e uma nobre missão. Ser professor é transformar vidas e contribuir para a formação humana dos alunos."
Passei para minha filha que além de ensinar conteúdos, o professor também ensina valores
Segundo Omar, especialmente na área das Ciências Exatas, é preciso desenvolver paciência, criatividade e capacidade de despertar o interesse dos estudantes. "Além de ensinar conteúdos, o professor também ensina valores, incentiva sonhos e ajuda a construir caminhos para o futuro. Sempre procurei mostrar à minha filha que, para ser uma boa profissional, é preciso unir conhecimento, dedicação, responsabilidade e, principalmente, amor pelo que se faz. A sala de aula exige muito mais do que domínio do conteúdo; exige compreensão, paciência, respeito e sensibilidade para perceber as necessidades de cada aluno”, menciona.
O professor aposentado acrescenta que, “na vida pessoal, aconselharia que ela mantivesse sempre a humildade, a ética e o compromisso com aquilo que acredita. Que nunca perca a vontade de aprender e que continue exercendo a profissão com o mesmo entusiasmo e dedicação, pois um professor deixa marcas que permanecem na vida de muitas pessoas”.
Para ele, o papel do educador ultrapassa a transmissão do conhecimento. "A sala de aula exige muito mais do que domínio do conteúdo; exige compreensão, paciência, respeito e sensibilidade para perceber as necessidades de cada aluno. Isso sempre passei para minha filha."
Cinco décadas dedicadas ao magistério
A trajetória de Omar na educação começou em 1964 e foi encerrada em 2014. Ao longo desses 50 anos, passou por instituições de Santa Maria, Santo Ângelo, Porto Alegre e Caçapava do Sul antes de retornar à sua cidade natal, onde consolidou grande parte da carreira.
Lecionou principalmente no Ensino Médio e, em determinado período, chegou a manter uma carga horária de aproximadamente 65 horas semanais, dividida entre o Colégio Cardeal Pacelli e a SETREM.
Ao olhar para a própria história, resume a carreira com gratidão. "Foram muitos anos de dedicação, desafios e aprendizados. Acredito que consegui cumprir minha missão e contribuir para a formação de muitos estudantes."
O exemplo que veio de casa
Para Kátia, o interesse pela Matemática nasceu naturalmente dentro de casa. "Desde pequena, sempre vi meu pai rodeado de livros, folhas cheias de cálculos e sua inseparável máquina de datilografia. Não consigo dizer quando surgiu o desejo de ser professora. Quando percebi, já estava auxiliando colegas e cada vez mais apaixonada pela Matemática."
A educação continua presente na rotina da família. Casada com Rudinei Augusti, professor de Sociologia e Filosofia, ela conta que a casa permanece cercada por livros, planejamentos, provas e conversas sobre ensino. "Depois da janta, planejamos as aulas do dia seguinte enquanto nossos filhos organizam as atividades da escola."
Professora desde 2007, Kátia atuou em outras escolas da Rede Sinodal, mas construiu a maior parte da carreira na SETREM, onde teve a oportunidade de trabalhar ao lado do pai até a aposentadoria dele, em 2014.
Entre os principais ensinamentos que recebeu do pai, destaca a paciência, o compromisso e o amor pela profissão. "Meu pai é um exemplo de ser humano e de pai. Mesmo trabalhando muito, sempre esteve presente na vida da família."
Os valores que o pai tinha na profissão, Kátia leva consigo. “Ensinar Matemática vai muito além das fórmulas. Ser professora é querer que os alunos sejam pessoas do bem e façam a diferença na sociedade."
Hoje, ao encontrar em sala de aula filhos de antigos alunos do pai, percebe a dimensão desse legado. "Meu pai deu aula para três gerações. Tenho alunos que são filhos de ex-alunos dele. Ver a vida acontecendo através da sala de aula é ter a certeza de que estou na profissão certa."









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