Quando o primeiro emprego se torna o primeiro passo para o futuro profissional

Programa Jovem Aprendiz transforma estudantes em profissionais e abre caminhos no mercado de trabalho

Quando o primeiro emprego se torna o  primeiro passo para o futuro profissional

Para muitos jovens, o primeiro emprego é mais do que uma oportunidade. É o momento em que sonhos começam a ganhar forma, a insegurança dá lugar à confiança e o futuro deixa de ser uma ideia distante para se tornar um projeto concreto. É nesse ponto de virada que o Programa Jovem Aprendiz cumpre um papel que vai além da formação profissional, pois ajuda a construir identidade, propósito e pertencimento.

Segundo a orientadora de Educação Profissional do Senac Três de Maio, Michele Ghellar, a transformação vivida pelos estudantes é profunda e acontece em várias dimensões. “O jovem entra no programa como um estudante curioso e sai como um profissional consciente. Ele ganha maturidade, senso de propósito e as ferramentas necessárias para construir uma carreira sólida”, afirma. Para ela, esse processo não beneficia apenas o indivíduo, mas toda a sociedade: “Formamos cidadãos mais conscientes e responsáveis”.

Essa evolução é resultado de uma experiência que conecta teoria e prática de forma integrada. Enquanto a sala de aula oferece a base técnica, ética e comportamental, a empresa proporciona o contato direto com a realidade do trabalho e com as tecnologias utilizadas no dia a dia. Nesse contexto, mais do que aprender tarefas específicas, os jovens desenvolvem algo ainda mais valioso: a capacidade de aprender continuamente. “O Jovem Aprendiz não se torna apenas um operador de tecnologia, mas um profissional capaz de evoluir junto com ela”, explica Michele. Em um mercado marcado por mudanças rápidas, essa habilidade faz toda a diferença.

Hoje, as empresas buscam profissionais que vão além do conhecimento técnico. Competências como adaptabilidade, inteligência emocional, pensamento crítico e colaboração estão entre as mais valorizadas. E é justamente esse conjunto de habilidades que a formação estimula. “O Senac provoca o jovem a ser um solucionador de problemas. Ele aprende a pensar, a se posicionar e a trabalhar em equipe, tornando-se muito mais preparado e atraente para o mercado”, destaca.

O início da vida profissional, no entanto, também é marcado por desafios. A falta de experiência, o medo de errar e o desconhecimento do ambiente corporativo são barreiras comuns. Nesse cenário, o programa funciona como um suporte essencial. “O maior desafio do jovem é a falta de um mapa para navegar no mundo adulto. O Jovem Aprendiz oferece esse mapa. Ele transforma o potencial bruto em competência real e dá ao estudante a segurança de que ele pertence àquele espaço e tem algo a contribuir”, afirma.

 

Impactos duradouros da experiência 

Ao concluir o programa, o jovem deixa de ser apenas alguém em busca de uma primeira oportunidade e passa a ser um profissional com vivência prática, referências e perspectivas. Muitos são efetivados pelas próprias empresas, enquanto outros seguem novos caminhos, investindo em cursos técnicos ou no ensino superior. “Esse é o legado mais emocionante do programa. O impacto não é apenas um registro na carteira de trabalho, mas uma mudança na trajetória de vida. O jovem passa a se enxergar como um profissional, alguém que já deu os primeiros passos e não precisa começar do zero”, ressalta Michele.

Além do impacto individual, o programa também desempenha um papel social relevante. Ao ampliar o acesso ao mercado de trabalho e à qualificação, ele contribui para reduzir desigualdades e criar oportunidades reais para jovens de diferentes contextos. “O Programa Jovem Aprendiz democratiza o ponto de partida. Ele permite que o jovem entre em grandes empresas por mérito e potencial, construa sua autonomia e enxergue novas possibilidades para o futuro”, conclui.

 

Vinte empresas participam do programa

Mais do que preparar para um emprego, o Jovem Aprendiz prepara para a vida. Ao abrir portas, fortalecer competências e estimular sonhos, o programa ajuda a formar não apenas profissionais, mas protagonistas de suas próprias histórias.

De acordo com Mônica Blume Krapp, coordenadora pedagógica do Senac Três de Maio, são 20 empresas contratantes no município e a participação de 30 alunos. Em maio, uma nova turma será ofertada,

com estimativa de  mais 30 vagas.

 

“Ingressei no programa porque queria iniciar no mercado de trabalho, mas de um jeito que não atrapalhasse meus estudos. Como o programa permite trabalhar em apenas um turno, isso foi ideal para mim, já que eu precisava conciliar escola e trabalho sem pesar na rotina.
Estou aprendendo, tanto sobre as atividades do dia a dia quanto sobre responsabilidade, organização e convivência no ambiente de trabalho.
O que tem sido mais importante ao longo do programa é perceber o quanto eu evoluí, ganhei mais confiança e amadureci muito. Fico feliz por já estar construindo minha experiência profissional e abrindo portas para o meu futuro.”

Ana Júlia Ferreira Becker, 17 anos, é jovem aprendiz nas Lojas Becker, há 1 ano e quatro meses.

 

“Entrei no programa Jovem Aprendiz porque queria começar a ter minha própria experiência profissional, aprender mais sobre o mercado de trabalho e também conquistar mais independência. Sempre achei importante começar cedo, para já ir construindo o meu futuro com responsabilidade.
Ao longo desse tempo, aprendi muito, não só sobre o trabalho em si, mas também sobre organização, compromisso, convivência com colegas e atendimento ao público, além do mais que estar em um ambiente profissional me ajudou a amadurecer bastante. A minha experiência está sendo excelente.”

Jaqueline Altíssimo, 16 anos,  é jovem aprendiz na empresa na Farmácia São João, há 1 ano e quatro meses.

 

 

“Decidi ingressar no programa Jovem Aprendiz porque queria começar a construir meu futuro profissional desde cedo. Sempre tive vontade de aprender na prática como funciona uma empresa e desenvolver mais responsabilidade e independência.
A experiência está sendo muito positiva. Tenho aprendido tanto nas atividades do dia a dia quanto na convivência com a equipe.  Estou no programa há  16 meses, e nesse  tempo, cresci muito como pessoa e profissional.
O mais importante ao longo do programa tem sido o aprendizado constante, o desenvolvimento da responsabilidade e a oportunidade de adquirir experiência para o meu futuro.”

Brenda Thaís Pinzon,  17 anos, é jovem aprendiz no Posto Benedetti, há 1 anos e quatro meses.

 

“Programa reforça seu compromisso com o desenvolvimento social e com a formação de novos talentos para o mercado de trabalho”, avalia a direção  do Posto Benedetti

Para a direção da empresa do Posto Benedetti, participar do Programa Jovem Aprendiz é motivo de orgulho e responsabilidade social. “Acreditamos na importância de oferecer a primeira oportunidade de trabalho a um jovem, pois isso significa contribuir diretamente para a formação de profissionais mais preparados, éticos e comprometidos com o futuro. O programa representa muito mais do que o ingresso no mercado de trabalho, é a oportunidade de aprender na prática os processos internos da empresa, desenvolver disciplina, responsabilidade, organização e, principalmente, o espírito de equipe ao lado de colaboradores experientes”, declarou a gerente administrativa Marlene Benedetti.

A empresa entende que a proposta do programa contribui para o ambiente de trabalho. “A nossa avaliação é extremamente positiva, pois observamos o crescimento pessoal e profissional do jovem ao longo do período, a evolução na postura, na comunicação e na capacidade de trabalhar em grupo. Além disso, o ambiente da empresa também se fortalece com a energia, a vontade de aprender e a inovação que os jovens trazem”, destacou.

A empresa participa do Programa Jovem Aprendiz desde fevereiro de 2020. “Desde então vários jovens já passaram por aqui. São dois anos de formação a cada jovem aprendiz, reforçando seu compromisso com o desenvolvimento social e com a formação de novos talentos para o mercado de trabalho”, acrescentou Marlene.