Grupo de voluntários de São José do Inhacorá ajuda às vítimas das enchentes de Encantado, no Vale do Taquari
Iniciativa reuniu funcionários da São José e de servidores municipais que, por quatro dias, auxiliaram nos trabalhos de limpezas
Um grupo de voluntários de São José do Inhacorá participou de uma ação de ajuda humanitária no município de Encantado, município localizado no Vale do Taquari, região afetada pelas enchentes. A iniciativa da empresa São José, em conjunto com a prefeitura, envolveu um grupo de doze pessoas, sendo nove colaboradores, dois servidores municipais, além de uma outra pessoa que cedeu o transporte até a cidade. O grupo ficou em Encantado de 20 a 24 de maio.
Além das doações levadas à população atingida, o grupo atuou ativamente nas operações de limpeza de casas, empresas e prédios públicos. “O Governo Municipal de São José do Inhacorá expressa seu mais profundo agradecimento a todos os voluntários que dedicaram seu tempo, esforço e recursos para ajudar solidariamente Encantado. Cada gesto de generosidade, cada hora de trabalho voluntário e cada palavra de conforto fizeram uma diferença imensurável na vida das pessoas afetadas”, disse o prefeito, Gilberto Hammes.
No período em que esteve no município de Encantado, grupo conseguiu limpar duas casas, uma empresa, um posto de saúde e duas escolas desativadas, que serviam de abrigo para as vítimas desde as enchentes de setembro de 2023
O servidor público Ivan Ludwig foi um dos voluntários. Ele relata que o cenário é de destruição total. “Quando começamos a descer a Serra, perto de Ilópolis e Doutor Ricardo, o número de desabamentos e deslizamentos de terra era algo fora do comum. Quando chegamos em Encantado, começamos a ver tamanha devastação que aquela cidade sofreu. O rio Taquari, não é tão grande assim, até é um pouco menor que o Rio Buricá, mas ele alastrou aproximadamente 500 metros para as laterais. As cenas que guardamos na mente são de destruição”, disse.
Na primeira residência, no Bairro 15, os voluntários encontraram aproximadamente 15 cm de barro em todos os cômodos, além de muitos entulhos e galhos ao redor da casa. “O primeiro passo foi retirar tudo o que sobrou da casa. Alguns mobiliários foram reaproveitados, mas muito poucos. Após, retiramos o barro com pás, enxadas e carrinho de mão e iniciamos a limpeza com água. É preciso lavar tudo, de cima a baixo das paredes e depois do piso”, relata, lembrando que a São José forneceu dois tratores com tanque de água para a limpeza.
‘Vítimas precisam de ajuda para recomeçar’,
Pelo grupo, foram limpas duas casas, uma empresa, um posto de saúde e duas escolas desativadas, que serviam de abrigo para as vítimas desde as enchentes de setembro de 2023. “Foi algo horrível, inclusive pelo cheiro. Vocês podem imaginar tudo o que acumulou nessas casas, apodreceram e causaram mau odor”, pontua.
Para Ivan, serão necessários muitos voluntários para poder ajudar as pessoas das áreas afetadas. “Nós notamos o abalo e a tristeza delas. Visitamos um ginásio em que as pessoas estão abrigadas, tinha cerca de dez famílias instaladas. Você vê a tristeza no olhar, mas elas têm a esperança de retornarem aos seus lares, mas para isso, vão precisar de ajuda de voluntários para limpar suas casas. Elas relatam o medo de retornar e novamente vir uma enchente dessas proporções”, complementa.
Conforme Ivan, em conversas com a população, a administração municipal de Encantado está temerária com relação às futuras enchentes. “Eles nos relataram que todo o mês de junho ocorre uma enchente e eles estão apreensivos, até porque as últimas enchentes modificaram o relevo e o leito do rio, e não sabem como que a água vai se comportar na próxima”, explica.
O voluntário finaliza, lembrando de um momento que chamou a atenção dos voluntários, ao chegar em uma residência em que uma bíblia estava aberta com um versículo em destaque: ‘Venha sobre mim também as tuas misericórdias, ó senhor, e a tua salvação segundo a tua palavra’ (Salmos 119,41). “Foi algo que nos chamou a atenção em que nós refletimos o quanto que devemos seguir acreditando em Deus, não somente para pedir em situações vulneráveis, mas sempre lembrarmos Dele e não nos apegarmos a falsos profetas”, conclui.
Voluntário, Ivan Ludwig relata que pela quantidade de lama acumulada foi preciso fazer a limpeza com o uso de pás, enxadas e carrinho de mão para depois iniciar a limpeza com água









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