Comunidade de São Caetano celebra o centenário do primeiro 'capitel'

Em comemoração à data, a comunidade promove um almoço festivo em sua sede neste domingo. Atualmente, são 26 famílias associadas

Comunidade de São Caetano celebra o centenário do primeiro 'capitel'
Réplica da primeira capela construída na comunidade

Neste domingo (1°), a comunidade de São Caetano, de Três de Maio, comemora os cem anos da construção do primeiro 'capitel'- pequeno espaço de devoção construído pelos imigrantes italianos. Datado de 1926, o local de oração foi construído na propriedade de Vitório Perinazzo, em diagonal com o cemitério da comunidade. 

Em 1° de março de 1926, na residência de Vitório Perinazzo, moradores e sócios da comunidade se reuniram com o objetivo de iniciar a construção de uma capela maior, de madeira e próxima ao local do antigo capitel.

Conforme Vitalino Perinazzo, morador da comunidade, por volta de 1910 chegaram os primeiros colonizadores à região, que eram de diversas etnias, mas com predominância de origem italiana.

Passados alguns anos e pensando em uma localização melhor, houve uma doação de terra de Silvio Perinazzo, onde foi construída uma capela de madeira. Não há registros desta época arquivados, pois um incêndio, em 23 de dezembro de 1924, na propriedade de Betino Decarli, membro ativo da comunidade, sendo um dos componentes da diretoria, onde se encontravam os livros da comunidade.

Os filhos Perinazzos foram se estabelecer no local, ocupando colônias compradas pelo pai. A área localizada entre o Lajeado Tigre, vicinal com Rocinha até os limites, hoje Nossa Senhora dos Navegantes. Dedicaram-se ao cultivo da terra e criação de animais.

Para celebrar à data, a comunidade promove um almoço festivo em sua sede neste domingo.

 

Família de Vitório Perinazzo e Teresa Tenedini: (em pé) Julio, Silvio, José, Alfeu, João e Casemiro. Rosa, Catarina, Maria, o casal Teresa e Vitório, Luis, Severina e Judita

 

 

Da comunidade saíram 10 vocações religiosas

No ano de 1961, com incentivo do vigário padre José Radici, foi construída a capela de alvenaria. A religiosidade e a fé dos desbravadores eram muito fortes.  Nessa época o padre Vicente Testani ministrava os sacramentos e dava assessoria às comunidades existentes. 

O primeiro moinho na comunidade pertencia a João Tubiana e o primeiro bolicho era de Vitório Perinazzo. Na região, passavam os ‘mascates’, viajantes que percorriam o interior vendendo peças de riscado, chita e brim, materiais que confeccionavam roupas para toda a família

Apesar das pesquisas históricas, documentos e depoimentos, é desconhecida a origem do nome da comunidade São Caetano. Apenas é de conhecimento que o padre José Radici trazia imagens dos santos e santas da Itália para a comunidade.

Os registros existentes indicam que as primeiras famílias que tiveram participação decisiva para o surgimento da comunidade foram as famílias de Sílvio Perinazzo, Gioseppe Perinazzo, Betino Decarli, Vitório Perinazzo, Evaristo Decarli, Cesário Licci, Pompeu Decarli, Ladislau Zuriekinski, Fiorinda Zancanaro, João Demboburski, Domingui Tubiana, Adelino Kur, Fábio Lissa Dalprá, José Kur e Alpheu Perinazzo.

Vitalino lembra também que na comunidade católica surgiram várias vocações religiosas. São nove irmãs religiosas: Célia Roratto, Ester Roratto, Inelve Zucatto, Sandra Zucatto, Marines Pivato, Sílvia Perinazzo, Ermelinda Perinazzo, Ester Perinazzo, Zenaide Perinazzo e Vitória Cerezer, além do padre Osmar  Zucatto

Hoje, a comunidade conta com 26 famílias associadas. A pessoa mais idosa que nasceu em São Caetano e reside ainda lá e é Ondina Guerra, com 98 anos. A bebê mais nova é Isabela Perinazzo Pivato, atualmente com nove meses. Ela é tataraneta dos fundadores da comunidade, Sílvio e Angela Perinazzo.

 

Registro da abertura da pedra fundamental da Igreja, que ocorreu no dia 9 de julho de 2011, no cinquentenário da construção

 

Origem do nome Lajeado Tigre

Em carta escrita pela Irmã Ermelinda Maria Perinazzo para presidente da comunidade de São Caetano, conta a possível origem do nome do Lajeado Tigre. 

Segundo o documento, a  mãe da religiosa, Ester de Carlo Perinazzo, contava que, quando o tio Silvio e Alfeo (seu pai), iam para o trabalho pela manhã para construir a marcenaria que atenderia os fregueses da farinha, em alguns dias teriam ouvido o uivo de um tigre.

Ao relatarem a informação aos pais, eles se preocuparam e decidiram ir a Santa Rosa pedir que a Brigada mandasse soldados para enfrentar o animal. Ao ouvir o relato, o gerente disse que não teria como enviar os militares, mas orientou que, ao encerrarem o trabalho ao fim da tarde, e que acendessem uma grande fogueira no pátio.

E assim a família fez. Por alguns dias, o fogo foi aceso e a não ouviram mais nada. Ao ficar sabendo que não ouviram mais os uivos do tigre, o gerente disse: “Se vocês conseguiram mandar embora o animal, eu já deixo para o lugar o nome de Lajeado Tigre”.

 

Cooperativa Agrícola Mista São Caetano

Primeira sede da Cooperativa Agrícola Mista São Caetano

 

Vitório Perinazzo era dono da primeira casa de comércio da região. No local eram comercializadas café, sal, tecidos, linhas, botões, açúcar, lampiões e querosene... Com o passar do tempo e a necessidade de aumentar o negócio, surgiu a ideia de fundar uma cooperativa agrícola. A ideia partiu dos primos Roberto Condi, de Santa Rosa e Olindo Zucatto, que residia na localidade de São Caetano. Surgiu então a Cooperativa Agrícola Mista São Caetano Ltda, fundada em 26 de outubro de 1957.

A cooperativa iniciou com cerca de 38 sócios, instalada na casa antiga de Casemiro Perinazzo. Com dois funcionários, o gerente Fióvo Pizzoni e o motorista Tranquilo Cervo, o primeiro presidente da cooperativa foi Olindo Zucato e o contador era Osvino Querber. No local, eram comercializados calçados, roupas, soda, arroz, entre outros produtos.

A Cooperativa Agrícola Mista São Caetano Ltda foi incorporada à Cotrimaio em 1976, repassando alguns valores em estoque e dinheiro. Em 18 de março de 2020, a Cotrisal alugou as instalações da cooperativa.  

 

Atual diretoria da comunidade São Caetano

Presidente Marcos Pivatto 
Vice-presidente Pedro Botton
Tesoureiro Valdacir Zucatto 
Secretaria Fernanda W. Eberle 
Responsável jogos Roberto Eberle

 

OBS: A produção do conteúdo desta página contou com informações de Vitalino Perinazzo, morador da comunidade.