Região Noroeste é a segunda com mais feminicídios do Estado

Em 2024, 14 vítimas foram mortas por serem mulheres

Região Noroeste é a segunda  com mais feminicídios do Estado

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul divulgou na semana passada o Mapa dos Feminicídios de 2024, que revelou que a Região Noroeste foi a segunda com o maior número de crimes, totalizando 14 ocorrências. No total, o Estado é dividido em cinco regiões, sendo que a região metropolitana registrou o maior índice, com 27 casos.

O Mapa dos Feminicídios mapeia as mortes violentas de mulheres qualificadas como feminicídios. 

Dos 14 casos registrados na Região Noroeste, um ocorreu em Três de Maio, no mês de novembro. De acordo com dados da Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul, não houve registro de tentativa de feminicídio no município neste ano. Além disso, o último feminicídio consumado em Três de Maio havia ocorrido em novembro de 2021.

Embora a região represente 19,4% do total de feminicídios no Estado no ano passado, houve uma redução no número de casos em comparação com 2023. Segundo o Mapa dos Feminicídios de 2023, a Região Noroeste havia registrado 20 vítimas, o que representa uma queda de 30% em um ano.

Os demais feminicídios na região ocorreram nos municípios de Passo Fundo (com dois casos), Cruz Alta, Espumoso, Estação, Fortaleza dos Valos, Giruá, Ibirapuitã, Palmeira das Missões, Roque Gonzales, Sertão, Soledade e Tapejara (com um caso em cada município).

 

RS tem queda no número de assassinatos por questões de gênero

O Estado contabilizou recuo no índice de feminicídios pelo segundo ano seguido. Conforme o levantamento da Polícia Civil, foram 72 vítimas decorrentes do crime em 2024. Comparado a 2023, a queda é de 15%, ou seja, 13 feminicídios a menos.

O documento destaca que em apenas 12,5% dos casos registrados havia medida protetiva vigente na data do crime e, ainda, que 37,5% dos crimes contavam com ocorrência policial anterior ao fato.

Em 84,7% dos casos registrados no ano, o autor do crime foi o companheiro ou ex-companheiro da vítima. Em 11%, os autores tinham algum parentesco com a vítima. Além disso, a residência foi o local de 72% dos crimes. Em 36,1% dos casos, o crime foi cometido com uma arma branca, seguido por arma de fogo (33,3%), outras agressões (25%) e fogo (5,6%). 

O perfil da vítima aponta que 72,2% eram solteiras e que a faixa de idade com maior número de casos está entre 18 e 24 anos (20,8%). 48 vítimas eram mães, sendo que 24 delas tinham filhos com o próprio autor do feminicídio.

Outro dado do Mapa aponta que 16 filhos perderam a mãe e o pai para a violência doméstica em razão de um feminicídio seguido de suicídio.

Já o perfil do agressor indica que 82% possuíam antecedentes criminais. Além disso, 52,7% dos agressores tinham antecedentes por violência doméstica e familiar contra mulher.

Em 2025, desde o início do ano, o Rio Grande do Sul registrou nove homicídios femininos em contexto de violência doméstica. Todos os crimes foram cometidos por companheiros ou ex-companheiros das vítimas. Do total de vítimas, sete mulheres foram assassinadas por seus parceiros atuais, enquanto duas foram mortas por ex-companheiros. Além disso, quatro das nove mulheres assassinadas eram mães.

 

CASOS DE FEMINICÍDIO NO RS NOS ÚLTIMOS CINCO ANOS

Ano    Casos
2020    80
2021    97
2022    111
2023    85
2024    72