HSVP precisa equilibrar as contas para não fechar as portas

2021 será decisivo para o Hospital São Vicente de Paulo que há 84 anos faz parte da história de Três de Maio e região. Meta é buscar uma maior participação de recursos dos municípios da microrregião para Urgência/Emergência e cirurgias eletivas

HSVP precisa equilibrar as contas para não fechar as portas
HSVP é referência regional em oftalmologia, otorrinolaringologia e traumatologia de média complexidade

Não é de hoje que o Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) luta para manter suas portas abertas. Com 84 anos de história, há pelo menos três anos a instituição tem amargado resultados econômicos e financeiros negativos, devido aos custos maiores do que a sua receita. Problemas que não foram corrigidos ao longo do tempo.


Conforme o diretor-executivo do HSVP, Igor Prestes, os custos que o hospital têm atualmente, com os sobreavisos médicos, plantões, equipes assistenciais e insumos não condizem com os recursos recebidos. “A operação se mostrou deficitária ao longo dos anos. Os repasses foram feitos, mas são insuficientes para os custos mínimos”, ressalta.


Para recuperar as finanças do hospital, o diretor explica que um orçamento foi elaborado para o ano de 2021, com previsão de equalização do resultado. “Um dos caminhos é a redução dos custos, com reajustes internos, e o outro é o aumento de receita, especialmente com maior participação dos municípios da microrregião, especialmente Três de Maio”.

 


Reunião com os prefeitos dos municípios da microrregião


Na semana passada, a diretoria do HSVP se reuniu com prefeitos da região, para iniciar as tratativas de renegociação dos serviços prestados pelo hospital nas áreas de Urgência/Emergência e cirurgias eletivas. Segundo Prestes, a reunião foi bastante produtiva. Os prefeitos estão sensíveis à situação do hospital e cientes dos impactos da continuidade da crise na instituição. “Todos voltaram para casa com objetivo de revisar alternativas para reduzir o déficit do hospital e manter os serviços oferecidos atualmente”, relata.


Ele ressalta que os municípios da região devem ter sensibilidade no sentido de auxiliar com maior volume de recursos, visto que o HSVP é o hospital de referência que concentra o maior número de atendimentos na microrregião. “Hoje Três de Maio contribui com um recurso fixo mensal na ordem de R$ 92 mil. Municípios menores pagam menos, na faixa de R$ 6 mil a R$ 10 mil, para usar traumatologia, cirurgia geral. Mas o valor ainda é baixo”, informa.


Conforme o diretor do hospital, até então as negociações acerca das contribuições dos municípios eram feitas de forma individual. Dessa forma, a metodologia de custeio das especialidades médicas não seguia um padrão. “Fizemos uma projeção e estimamos os custos atuais, para que todos saibam o quanto precisam aportar de recursos”. 


Para equilibrar as finanças, o HSVP também “buscará um aumento da receita com particulares e convênios em uma reestruturação dos seus serviços que está em fase de implantação”.


O diretor-executivo do hospital, conta que a Rede Verzeri, mantenedora do HSVP, negociou a cedência do hospital para outra instituição mantê-lo funcionando, mas a empresa que vinha em tratativas, declinou do negócio. “Atualmente, outra empresa está em fase de avaliação da operação, mas em sigilo contratual dos termos de negociação”, explica.


Diante de todas as dificuldades financeiras, Prestes afirma que 2021 é o ano de recuperação do HSVP. Caso não se encontre alternativas, há possibilidade de uma desistência por parte da Rede Verzeri, com uma nova empresa fazendo a gestão, ou no caso de não haver interessados, um eventual fechamento da casa de saúde.


“Temos muitas expectativas e alternativas para a viabilidade do hospital e acreditamos que o poder público e a comunidade de Três de Maio irão se mobilizar para que o HSVP se reorganize, se restabeleça e cumpra seu papel, tão importante na cidade e microrregião. Temos a convicção que a situação irá melhorar. Sabemos da importância do hospital na região e não mediremos esforços para que ele se viabilize”, conclui o diretor-executivo, Igor Prestes.

 

Igor Prestes assumiu a direção do  HSVP no ano passado. Ele ressalta que serão feitos todos os esforços para que o hospital continue oferecendo um serviço de qualidade para a população três-maiense e regional

 

 

Hospital é referência regional em três especialidades

 

O HSVP é referência da 14ª Coordenadoria Regional de Saúde em oftalmologia e otorrinolaringologia, exceto para o município de Santa Rosa. Além disso, é referência em otorrinolaringologia para a 17ª e 15ª Coordenadorias. Também é referência em traumatologia de média complexidade.


Tem um contrato fechado com o Estado do RS que disponibiliza 60 cirurgias eletivas ao mês. “Fora dessas 60, tem os partos, que são livres. Oftalmologia são mais 60 cirurgias, que a maioria é de catarata. Porém, são 40 municípios para atender. Também são autorizadas cirurgias na área da otorrinolaringologia”, explica Prestes, informando que a média de valor de uma cirurgia eletiva é em torno de R$ 1.500,00.


Com relação a cirurgias eletivas, que devem ser retomadas a partir de abril, Três de Maio é o município que tem maior pacientes na fila de espera.