Psicologia na Prática

Psicologia na Prática

Os pequenos suicídios

 

Como falar da prevenção ao suicídio sem antes compreender as pequenas mortes?

 

A cada escolha que não corresponde a nossa verdadeira identidade deixamos de viver, impedimos que a vida siga seu curso. Obstruir a vida não deixa de ser a morte de uma parte de nós mesmos. 


“A vida é dinâmica e não deve jamais ser obstruída: se estamos despertos, somos vida; se dormimos, a vida são os outros, e nós não existimos.” Escreveu Schuch (2019).  


A metáfora do dormir remete à não presença dentro da própria vida. É o viver como uma marionete inconsciente de si, esvaziada e sem apropriação da força humana na vida. A obstrução do curso natural da existência humana muitas vezes se dá por escolhas condicionadas.


As escolhas condicionadas pelos ‘eus’ sem evolução geram pequenos suicídios, que se refletem nos resultados negativos que ‘encolhem’ a vida, diminuem a condição individual. As escolhas condicionadas cumprem um compromisso com a repetição, são pontos de fixação de uma personalidade que não evoluiu, mas busca se realizar por obsessão, sem fazer contato com a realidade da vida e sem responsabilidade com a existência.


Os pequenos suicídios, que obstruem a vida despersonalizam a pessoa, esvaziando-a do sentido de viver. A partir daí o desespero e a falta de si, pode levar ao derradeiro sofrimento, aquele que se torna o ponto decisão para parar o curso da vida. Este lugar de sofrimento não se dá do dia para noite, ainda que existam os agravantes externos, os fatos reais. Tudo é o resultado de escolhas anteriores, conscientes ou inconscientes. 


Raramente aquele que se suicida fez um processo de psicoterapia ou se permitiu mudar, mas com frequência fazia uso de medicamentos. Porém, sem elaboração do seu sofrimento com uma psicóloga. A tendência do suicida é a de resolver tudo ao seu modo fixo e imutável. A visão sombria da sua vida potencializa ainda mais o seu sofrimento psicológico.


PREVENÇÃO É CUIDAR DA VIDA antes que seja impossível lidar com o acúmulo de sofrimentos, de pontos de repetição de um Eu errante. A dinâmica da vida pede novidade e desenvolvimento contínuo. Quem se permite viver o processo de psicoterapia encontra sua identidade, sua luz.
Ficamos despertos quando escolhemos enfrentar nossas sombras, retirando as forças da própria negatividade oculta e redirecionando para o que dá sentido à vida. Despertos vivemos e geramos vida!

 

Arlete Salante

Psicóloga, Psicoterapeuta e Consultora Empresarial

Doutoranda em Psicologia pela UCES - Buenos Aires

(55) 99970-8357

 

 

ARTIGO PUBLICADO NA EDIÇÃO DE 11.09.2020.

A COLUNISTA ESCREVE QUINZENALMENTE