Demanda por energia fotovoltaica cresce nos últimos três anos

De acordo com empresas do setor, consumidor busca na instalação do sistema fotovoltaico a possibilidade de reduzir o custo da conta de energia elétrica e a oportunidade de ter maior conforto no lar

Demanda por energia fotovoltaica cresce nos últimos três anos
Com uma economia de 70 e 95% na conta de luz, adesão ao sistema de placas solares está atraindo consumidores residenciais, comerciais e propriedades rurais

Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) divulgados no dia 31 de março, o Brasil atingiu o patamar de 10 GW (gigawatts) em microgeração e minigeração de energia elétrica, aquela que é gerada pelos próprios consumidores. A agência estima que essa produção de energia elétrica seja suficiente para abastecer aproximadamente cinco milhões de residências brasileiras.

De acordo com a Aneel, a fonte mais utilizada para a produção de energia pelos próprios consumidores é a energia fotovoltaica, que gera cerca de 9,9 GW. Além da micro e minigeração, o Brasil conta com a potência instalada por empreendedores em usinas solares de grande porte em 4,88 GW.

O Rio Grande do Sul é o terceiro estado com maior potência instalada de energia solar na geração própria em telhados e pequenos terrenos. Em janeiro, já eram 1.001,2 megawatts em operação, seja nas residências, indústrias, propriedades rurais e prédios públicos. Tal potência representa 12% do parque brasileiro de energia solar na modalidade, com 101.392 conexões operacionais. Os dados são da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica-ABSOLAR.

Desde 2012, o Estado recebeu mais de R$ 5,1 bilhões em investimentos, mais de 30 mil empregos e a arrecadação superior a R$ 1,4 bilhão aos cofres públicos, conforme a ABSOLAR.
 

Setor deve movimentar mais de R$ 35 bilhões em 2022

A previsão da Associação para 2022 é de R$ 35 bilhões em movimentações financeiras no setor. Essa perspectiva deve-se a aprovação do Marco Legal para a geração própria de energia a partir de fontes renováveis no Brasil com até 5 megawatts, no fim de 2021. Agora, sem as inexatidões que pairavam sobre o mercado até então, a previsão é de mais segurança jurídica atrelada à aceleração dos investimentos em novos projetos fotovoltaicos em residências, empresas e indústrias no País.

Somente na Sicredi Noroeste RS já são 1.723 operações de crédito vigentes, desde 2017, quando a linha de crédito foi lançada.   Conforme a direção, houve um aumento significativo de operações de crédito de energia solar a partir de 2020. No ano passado, foram R$ 32 milhões destinados para 771 projetos de energia solar.

Segundo a analista de crédito da Sicredi Noroeste RS, Bruna Barcelos, “o aumento da procura é devido às diversas vantagens tanto do financiamento quanto dos benefícios da energia solar nas residências urbanas ou na área rural”.

Para contextualizar a demanda por energia solar, o Jornal Semanal falou com duas empresas especializadas que desenvolvem projetos de instalação de sistema fotovoltaico no cenário regional: a Certhil e a Goncho Eco Ltda.

Sistemas instalados possuem vários tipos de fixação, possibilitando a instalação em vários tipos de telhados, desde que a estrutura da edificação suporte o sistema fotovoltaico

 

Placas solares garantem entre 70 e 95% de economia na conta de luz

De acordo com o Setor de Serviços e Projetos Elétricos da Certhil, a procura pela energia fotovoltaica aumentou a partir de 2019, tomando dimensões ainda maiores em 2020. “É provável que, com o aumento do consumo de energia elétrica nas residências durante o período de pandemia, devido ao isolamento social – quando as pessoas passaram a ficar mais em casa –, além dos trabalhos em home office, a procura por uma forma de reduzir o valor da fatura tenha se tornado prioridade”, avalia o setor.

Conforme o setor da Certhil, em média são feitas 160 solicitações de orçamento a cada mês, tanto de forma presencial quanto de forma digital.

Quanto ao perfil de cliente, não há um público específico que procura pelo produto. “Ele analisa a possibilidade da redução da fatura de energia e busca informações sobre o funcionamento do sistema e quais os investimentos necessários para começar a gerar sua própria energia”, explica.

 

Possibilidade de instalação em diversas estruturas

Segundo a Certhil, atualmente, os sistemas instalados possuem vários tipos de fixação, possibilitando a instalação em vários tipos de telhados, desde que a estrutura da edificação suporte o sistema fotovoltaico. “Para garantir que o cliente possui a estrutura capaz de suportar este esforço exercido pelos painéis na estrutura, a Certhil realiza uma avaliação técnica preliminar do local antes de iniciar a instalação”, considera.

 

Economia de acordo com especificações do cliente 

A Certhil calcula que o percentual de economia que o sistema fotovoltaico pode proporcionar aos clientes é entre 70% e 95% da fatura. A equipe detalha que o valor varia de acordo com as especificidades de cada cliente. “Esta redução é mais alta principalmente quando o consumo de energia é mais elevado, uma vez que o valor que será pago pelo cliente é da taxa mínima da conexão com a rede, além da taxa de iluminação pública. Lembrando ainda que as taxas mínimas da conexão com a rede variam de acordo com o tipo de conexão existente, entre monofásica, bifásica e trifásica, mas estas possuem valores de acordo”, conclui.

 

Retorno do investimento é garantido

A empresa considera que, a partir do cliente tendo um consumo acima da taxa mínima em sua residência ou empresa, se torna viável a instalação. “Como os sistemas são modulares, montados a partir da observação do consumo do cliente, o valor do investimento também varia de acordo com a potência necessária. O retorno financeiro pode demorar um pouco mais para ‘se pagar’ que sistemas com um grande consumo, porém o retorno é garantido”, destaca.

“Porém todos os sistemas apresentam relativo curto período de tempo para que o retorno da economia observada pelo sistema com a fatura se torne equivalente ao investimento inicial para a instalação. Normalmente, o tempo para retorno total do investimento gira entre 4 e 7 anos”, conclui.

 

Tecnologia permite 25 anos de durabilidade

Com o avanço da tecnologia de fabricação de painéis fotovoltaicos e inversores, a longevidade dos sistemas vem crescendo significativamente. “Os fabricantes garantem eficiência de funcionamento das células fotovoltaicas presentes nos painéis por pelo menos 25 anos, e para os inversores, o tempo estimado é similar”, constata o setor da empresa.

Quanto à manutenção, a Certhil recomenda aos clientes a limpeza dos painéis. “Para manter a qualidade da geração, é recomendado realizar uma limpeza, lavando os painéis, a cada seis meses, ou no máximo, a cada ano”, diz.

 

Benefícios ao meio ambiente

Além da economia, a empresa ressalta que a energia solar representa a redução no uso de outras fontes de energia no sistema interligado, como o exemplo das usinas termoelétricas. “Podemos citar as termelétricas do sistema elétrico interligado nacional, que em um período de alta de demanda do setor elétrico, como ocorre no verão, são acionadas para auxiliar a manter os níveis de geração de energia condizentes com o consumo das indústrias e da população”, explica.

“Com o aumento da utilização de energia solar, podemos abater parte desta carga ‘sentida’ pelo sistema, o que por sua vez, auxilia na redução da utilização destas fontes de energia não renováveis, logo, diminuindo os impactos diretos ao meio ambiente”, conclui.
 

Marco Legal da microgeração e minigeração distribuída

O texto do marco (lei no 14.300) diz que a Geração Própria de Energia mantém as regras atuais até 2045 para os pioneiros e aqueles que solicitarem acesso à distribuidora até 12 meses após a publicação da lei, em 7 de janeiro de 2022. O material também trata sobre um período de transição para quem entrar após os 12 meses com a possibilidade de pagamento escalonado da Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD-Fio B). Além disso, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) têm até junho do ano que vem para definir os parâmetros dos custos da geração distribuída. Então, como ninguém quer pagar mais caro para uma tendência que veio para permanecer, a previsão é de corrida acelerada atrás das placas fotovoltaicas.

 

‘Crescente demanda nacional por sistemas fotovoltaicos tem refletido 
em um aumento constante de procura por novas instalações na região. Em 2022, a média de novas instalações dobrou em relação ao mesmo período do ano passado’, diz empresário do setor

O casal Maria Sueli e Nilson Grohs, de Lajeado Cachoeira, Três de Maio, com a instalação do sistema de placas solares na propriedade rural, reduziu a conta de mais de R$ 1 mil por mês para a tarifa mínima, em torno de R$ 42,00

A Goncho Eco Ltda está no mercado de energia solar desde outubro de 2019. O casal de empresários, Giovani Gonchorovski e Ana Baiotto, destaca que realizava, em média, 30 orçamentos por mês em 2021 para instalação de sistemas fotovoltaicos. Contudo, neste primeiro trimestre de 2022, a média praticamente dobrou. 

“Como a empresa foi se inserindo no cenário microrregional com diversas instalações microgeradoras, e com a crescente demanda nacional por sistemas fotovoltaicos, podemos afirmar que isso tem nos refletido em um aumento constante de procura por novas instalações fotovoltaicas. Com o novo marco legal através da publicação no Diário Oficial da Lei 14.300, prevê o benefício para quem ingressar no sistema de compensação até 6 de janeiro de 2023, garantindo um melhor resultado do investimento de geração de energia até 2045”, avalia o casal.

Questionados sobre o perfil da clientela, os empresários revelam que a maior procura está naquele cliente que percebe que a energia fotovoltaica é um investimento com retorno garantido. “É o cliente que entende que pode produzir a própria energia, com a consequente redução na sua fatura de energia e podendo proporcionar um maior conforto para sua família”, afirmam. 

 

Redução instantânea do valor da fatura é um dos principais benefícios

Sobre os benefícios a curto e longo prazo da instalação do sistema fotovoltaico, Giovani, que é engenheiro eletricista, assegura que a partir do momento que o sistema é homologado na concessionária o cliente já usufrui dos benefícios, de estar utilizando a energia que ele próprio produz. “Redução instantânea do valor da sua fatura, sem a preocupação dos reajustes ou cobranças de bandeiras tarifárias”. justifica, lembrando que o cliente também passa a usufruir de forma mais deliberada de conforto de sua casa, como a climatização de ambientes, por exemplo.

Além disto, ele explica que mesmo realizando financiamento para aquisição dos equipamentos, o valor médio da prestação bancária é inferior a redução dos custos em energia elétrica. “Sem contar que os equipamentos têm uma vida útil bem superior ao prazo do financiamento, trazendo um retorno financeiro muito grande para o investidor”, observa o empresário.

Giovani frisa ainda que, em média 50% dos clientes da empresa utiliza recursos próprios para esse investimento e a outra metade recorre a financiamentos, sendo que hoje todas as instituições financeiras possuem linhas de crédito destinadas para a energia fotovoltaica.

 

Facilidade no pagamento do financiamento e o conforto quea energia elétrica proporciona

Atuando com a atividade de tambo de leite, e tendo uma demanda de energia elétrica que pesa no orçamento mensal, o casal de agricultores Maria Sueli e Nilson Grohs, de Lajeado Cachoeira, decidiu adquirir placas solares para sua propriedade rural.

Nilson relata que a opção pela instalação das placas solares para a produção da energia se deu depois da conta de luz chegar entre  R$ 1 mil e  R$ 1,3 mil mensais (com uso de equipamentos elétricos da residência e os aparelhos da atividade leiteira). “Com a instalação do sistema fotovoltaico, nosso custo caiu para a tarifa mínima, em torno de R$ 42”, revela o casal de agricultores, muito satisfeito com o investimento feito.

Na propriedade foram instaladas 32 placas fotovoltaicas, que serão pagas em cinco anos, sendo que a diferença na conta de luz, pagará o investimento.
Outro casal três-maiense que aderiu à instalação do sistema fotovoltaico da Goncho foi Chalimar e Danieli Ellwanger. 

O casal, que tem dois filhos, conta que a fatura da luz era superior a R$ 300 mensais e agora não chega a R$ 100. “Optamos pela instalação justamente para maior tranquilidade de futuro sabendo que, com o passar do tempo, o uso de energia elétrica acaba pesando no orçamento familar”, comenta Chalimar.

Outro motivo levado em consideração pelo casal, é o conforto que a energia elétrica proporciona, como por exemplo, o uso de ar condicionado, sem se preocupar com a conta de luz no fim do mês.

Chalimar destaca também a facilidade no pagamento do financiamento. “Hoje pago a fatura da luz mais a parcela do financiamento do sistema, sabendo que após sete anos estarei com o sistema pago gerando economia financeira”, avalia. 

Maria Sueli e Nilson estão satisfeitos com a instalação do sistema fotovoltaico em sua propriedade rural