Três de Maio produziu 36,6 mil suínos ao abate em 2025

Levantamento da ACSURS indicou queda na produção no município se comparado ao ano anterior. Para suinocultores, atividade virou uma alternativa para propriedades rurais pelo suporte das empresas parceiras e pelo segmento não ser impactado diretamente pelas condições climáticas

Três de Maio produziu 36,6 mil suínos ao abate em 2025

O levantamento anual da produção de suínos para abate do Rio Grande do Sul indicou que Três de Maio totalizou 36.604 suínos ao abate no ano de 2025. O estudo foi divulgado pela Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (ACSURS).

De acordo com os dados da ACSURS, o município registrou uma pequena variação negativa, de -5%, comparado ao total de suínos destinados ao abate ocorrido em 2024; 38.568 animais.

No histórico recente, o município vinha de constantes crescimentos anuais na terminação de suínos desde 2020. Naquele ano, a produção totalizou 22,9 mil animais, passando para 23,4 mil em 2021, 33,9 mil no ano de 2022. Já em 2023 foram 34 mil, chegando a 38,5 mil em 2024, caindo para 36,6 mil do ano passado.

 

 

Produção regional registra crescimento de 2,9%

A Fronteira Noroeste registrou uma alta de 2,9% no total de suínos ao abate. Os vinte municípios da região totalizaram 1.584.182 suínos em 2025, 45,6 mil animais a mais do que no ano anterior.

O destaque é Nova Candelária, com 233,9 mil animais, a maior produção registrada pelo levantamento da associação desde 2015. Conhecida pela Schweinfest, que evidencia a suinocultura, o município teve alta de 22,3 mil animais em relação a 2024. No Estado, o município ficou atrás apenas de Palmitinho (com 278,5 mil suínos produzidos) e Rodeio Bonito (246,2 mil), porém, subiu duas colocações comparado ao ranking de 2024.

Santo Cristo e Boa Vista do Buricá aparecem no top 10 dos municípios produtores do Estado. Enquanto Santo Cristo alcançou a 9ª colocação, Boa Vista do Buricá chegou a 10ª posição no Estado, com 202,6mil e 198,6 mil suínos, respectivamente.

A região é a terceira maior produtora no RS, com 13,48% da produção estadual. A fronteira Noroeste só perde para as regiões do Médio Alto Uruguai (2,18 milhões de suínos e 18,6% da produção gaúcha) e do Vale do Taquari (1,76 milhão e 15,05% do total estadual).

O Rio Grande do Sul fechou o ano com um crescimento de 3,57%. Segundo o levantamento, os 299 municípios produtores totalizaram 11.755.478 animais aos abatedouros gaúchos. São 404,7 mil animais a mais do que o registrado em 2024 (11,35 milhões).

A metodologia da ACSURS considera uma série de dados oficiais, conforme a Guia de Trânsito Animal (GTA). A fonte é da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr)/Seção de Epidemiologia e Estatística - SEE.

 

 

Há cinco anos na atividade, produtor rural vê a  suinocultura com potencial de expansão no município 

Trabalhando com a produção integrada de suínos desde 2021, Junior Kazeski, de 34 anos, vê a atividade como uma forma de diversificar a renda. Em 2019, o produtor rural iniciou a construção do pavilhão para a atividade em sua propriedade, localizada em Nossa Senhora das Dores, interior de Três de Maio. Sua esposa, Elenice Fernanda da Silva, também trabalha na propriedade.

A ideia de atuar na suinocultura surgiu após conversas com outros agricultores e análises da viabilidade do negócio. “Conversando com vizinhos que já trabalhavam com suínos, e vendo a possibilidade de financiamento, a ideia foi amadurecendo. Em 2019, negociamos com a Aliben, com quem trabalhamos até hoje, e encaminhamos toda a documentação de licenciamento e também para o financiamento da construção”, frisou.

Atualmente são dois pavilhões construídos na propriedade. O primeiro é de lâmina d’água, já o mais recente é vazado. “A diferença dos pavilhões é quanto a limpeza, pois o vazado dá menos trabalho”, detalhou. 

Além da suinocultura, o casal trabalha com outras atividades, como vacas para produção de leite, lavouras de soja e milho, além de uma pequeno rebanho de gado de corte, e um forno para fazer carvão, usado eventualmente. “Estamos começando a plantar grama e trabalhar com feno pré-secado. No primeiro momento será para uso na propriedade. Se der certo, vamos fazer para venda”, mencionou.

 

‘É uma atividade que possibilita aos agricultores permaneçerem no interior’

Na propriedade são produzidos cerca de seis mil suínos ao ano. “Ficamos entre 105 a 110 dias com os suínos na propriedade. Eles chegam com uma média de 20 a 25 kg e saem com 130 kg. Depois tem um período de vazio sanitário, de até 15 dias, para realizar a desinfecção dos pavilhões, chega um lote novo”, salientou.

Júnior entende que a suinocultura é uma alternativa rentável aos produtores rurais. “É a atividade que está indo melhor em nossa propriedade. E o diferencial do sistema integrado na suinocultura é que a empresa traz os animais, ração e medicamentos, disponibiliza um técnico para acompanhamento e presta assistência necessária e, ainda, realiza a logística de transporte dos animais. O suinocultor entra com o pavilhão, a mão de obra, água e luz”, explica.

Para a produtor, a diferença com a atividade de leite é a dificuldade de se manter na atividade, além  de cuidar das vacas, plantar milho para silagem, fornecer toda a alimentação e medicação. “Por isso a suinocultura se torna uma atividade mais segura atualmente”, ressaltou.

O produtor rural acredita que é necessário mais apoio à atividade no município. “O que Três de Maio está precisando é de uma política de incentivo. Nós temos um município grande em comparação aos outros da região, como Tucunduva, São José do Inhacorá e Nova Candelária,  que estão muito à frente nessa atividade”, pontuou.

Para ele, a suinocultura é uma atividade com muito campo para expansão. “É uma atividade que gera uma renda boa e um bom retorno para o município. Poderíamos ter mais produtores trabalhando com o sistema integrado se houvesse mais incentivo ao produtor. Além disso, é uma atividade que possibilita que os agricultores permaneçam no interior”, concluiu.

 

 

O casal Elenice Fernanda da Silva e Junior Kazeski e a filha Bianca, residem em Nossa Senhora das Dores, onde têm a Granja Kazeski. A suinocultura é a principal atividade da propriedade, principalmente por não ter interferência de condições climáticas, como ocorre na atividade leiteira ou lavouras de grãos