‘Se a escola tem a capacidade de cumprir os requisitos de segurança, o retorno às aulas presenciais deve ser encorajado’, orienta o médico pneumologista Jean Zanette

Para o médico pneumologista Jean Zanette, o retorno das aulas presenciais é fundamental, pois o prejuízo à educação das crianças está sendo incalculável. ‘Por maior que seja o esforço dos professores, eles são educadores e não youtubers. Além disso, é fundamental que o professor consiga acompanhar o desenvolvimento de cada um dos seus alunos, que pode ser bastante desigual e particularizado’. Para o médico, o ideal seria que tivéssemos um percentual maior de pessoas vacinadas e que a pandemia estivesse pelo menos com algum sinal de controle mais efetivo. ‘Mas, temos que pesar os malefícios importantes de uma educação à distância principalmente para os alunos de baixa renda (as crianças não têm com quem ficar, muitas vezes não dispõe de material e internet, além de sua situação social ser tão desfavorável que o ambiente escolar é um fator importante de proteção e acolhimento). Se a escola tem a capacidade de cumprir os requisitos de segurança, o retorno deve ser encorajado, e mudanças podem ser implementadas conforme a situação de cada município frente ao número de casos’, orienta o médico pneumologista Jean Zanette, que atende na Clínica São Vicente e no hospital São Vicente de Paulo, em Três de Maio.

‘Se a escola tem a capacidade de cumprir  os requisitos de segurança, o retorno às  aulas presenciais deve ser encorajado’,  orienta o médico pneumologista Jean Zanette
O médico pneumologista Jean Zanette é pai de Lucas, 9 anos, aluno do 4o ano do Ensino Fundamental, e de Matheus, 4 anos, aluno da Educação infantil

Quais as principais orientações para pais, alunos e professores para minimizar o risco de transmissão da Covid-19 no retorno às aulas presenciais?


As medidas em relação às escolas não são diferentes de outros ambientes em geral. Deve-se respeitar uma distância mínima entre as pessoas, principalmente em momentos de potencial aglomeração, como a entrada na escola, horários de recreio e saída, que idealmente devem ser escalonados. Lavagem de mãos e álcool gel são altamente recomendados. Em relação às máscaras, vale lembrar que a recomendação da Organização Mundial de Saúde não encoraja o uso em crianças abaixo de 12 anos por não terem efetividade comprovada e potencial risco maior de infecção pelo manejo incorreto das mesmas. Na Inglaterra, por exemplo, as máscaras só são mandatórias quando não há como assegurar distanciamento adequado e em áreas comuns (corredores, áreas de lazer, cantinas, etc.)

 


Quanto a alunos com doenças crônicas como asma, bronquite ou outras comorbidades, elas devem voltar a forma presencial?


O retorno das crianças com doenças crônicas dependerá muito da situação atual dos municípios em relação à pandemia. Idealmente, a situação deveria estar sob controle com números de caso decrescendo e com vacinação mais avançada. Claro que cada caso deve ser avaliado pelo médico de sua confiança, pois cada um tem suas particularidades. Se levarmos em conta a situação social em que muitas crianças se encontram, pode ser que o ambiente escolar seja muito mais protegido do que a própria residência da mesma. Crianças em situação de vulnerabilidade não dispõe de espaço, material, quanto mais de internet de alta velocidade para acompanhar as aulas de forma virtual.

 


Se a escola seguir todas as recomendações, como por exemplo distanciamento necessário, uso de máscara, entre outros cuidados, pode-se dizer que o aluno está em um ambiente seguro?


Sem dúvida. Como explicado anteriormente, temos que levar em conta o contexto social em que a criança está inserida. O ambiente escolar, mantendo os cuidados recomendados, na grande maioria das vezes será mais seguro que o próprio ambiente domiciliar da criança. 

 


Que orientações daria para os professores e profissionais de educação que lidarão com dezenas de crianças ao mesmo tempo neste retorno? Quais são os principais cuidados?


A transmissão pode ocorrer, porém em todos os países que estudaram a fundo o problema, a transmissão dentro das escolas não foi significativa. Esta transmissão parece ter uma relação muito maior com o que acontece na comunidade em geral do que em uma escola em particular. A vasta maioria das crianças não apresenta sintomas, ou apresentam sintomas leves da doença, e não parecem ser os principais vetores da transmissão no ambiente escolar. Pelo contrário, geralmente as crianças são infectadas por algum adulto doente, sendo que estes sim, os adultos (entre 18 e 50 anos), são os principais vetores de transmissão.

 


Qual a sua opinião, como médico pneumologista, sobre o retorno das aulas presenciais neste momento?


Talvez a orientação principal consista na manutenção do distanciamento controlado. Em ambientes onde não é possível distanciamento, o uso de máscaras é fundamental, além de disponibilidade do álcool gel. Porém, é compreensível a ansiedade de todos para reencontrarem seus amigos, professores e aproveitar ao máximo o ambiente escolar, e isto realmente será um teste para os professores, uma tarefa nada fácil.

 

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