Volta às aulas presenciais ‘é de extrema importância para a saúde das crianças e adolescentes’, afirma médico pediatra

O Jornal Semanal conversou com o médico pediatra, especialista em Terapia Intensiva Pediátrica, Sandro Dummel sobre a volta às aulas presenciais que estão ocorrendo depois de quase um ano. Ele destacou a importância deste retorno para as crianças, os cuidados que devem ser tomados e as consequências do longo período longe das salas de aula. Para o pediatra, as três esferas de governo – municipal, estadual e federal – deveriam trabalhar de forma harmônica para possibilitar a reabertura das escolas com segurança, o mais breve possível, uma vez que tiveram quase um ano para fazer as adequações necessárias. “As escolas devem ser as últimas a fechar e as primeiras a reabrir”, reitera o médico pediatra Sandro Dummel, que atende no Hospital São Vicente de Paulo e na Clínica SASmed, ambos em Três de Maio e no Hospital Vida & Saúde, em Santa Rosa.

Volta às aulas presenciais ‘é de extrema  importância para a saúde das crianças  e adolescentes’, afirma médico pediatra
‘O fechamento das escolas provocou mudança de hábitos, com piora significativa na qualidade de vida das crianças...’ Sandro Dummel, médico pediatra. Atende na Clínica SASmed, Hospital São Vicente de Paulo, ambos em Três de Maio e no Hospital Vida & Saúde, em Santa Rosa

O que os pais ou responsáveis devem levar em conta em relação à saúde na hora de mandar seu filho (ou filhos) para a escola no ano letivo de 2021, em meio à pandemia de Covid-19?


O planejamento visando o retorno de volta às aulas envolve diversos setores e ações, que deverão atender aspectos específicos de cada escola, e adaptadas ao momento epidemiológico da pandemia. De um modo geral as orientações são:


– Pais e professores devem manter-se informados sobre a Covid-19, através de fontes confiáveis (evitar fake news).
– Crianças e profissionais da educação, se doentes, não devem frequentar a escola. Professores e alunos do grupo de risco devem permanecer em casa (com garantia de acesso remoto ao ensino). A escola só deve receber pessoas assintomáticas, devendo ser questionado na entrada sobre a presença de sintomas.
– A escola deve oferecer condições para higienização das mãos, recintos e superfícies e exigir o uso de máscaras (inclusive na Educação Infantil, a partir de 2 anos).
– A escola deve ter ambientes arejados, com abertura de janelas. Estimular atividades ao ar livre.
– Cabe à escola evitar aglomerações e observar o distanciamento social em todos os ambientes.
– A escola deve fornecer ensino híbrido (presencial e remoto).
– A escola deve promover educação continuada em relação à Covid-19.
– Durante as refeições na escola, os estudantes devem se manter afastados, e de preferência os alimentos consumidos em sala de aula, evitando o sistema self-service.
– Sinalizar a escola com cartazes de orientações e indicação de fluxo de pessoas.
– Em relação ao transporte escolar, as regras devem ser seguidas (uso de máscaras, higienização de mãos e veículos, disponibilidade de álcool gel, espaçamento de usuários).
– Evitar aglomerações (jogos, competições, festas, reuniões, comemorações...).

 

 

Na sua avaliação, como médico pediatra, as crianças e adolescentes devem voltar à aula presencial? Por quê?


Sim. O retorno às aulas presenciais em um ambiente seguro é de extrema importância para a saúde de crianças e adolescentes (para isso há as exigências estruturais, higiênicas, sanitárias e comportamentais nas escolas). Em janeiro de 2021 a Unicef publicou carta aberta aos prefeitos eleitos para que priorizem a reabertura segura das escolas, destacando a evasão escolar, reforçando a importância da escola na formação de cidadãos, na proteção contra a violência e na segurança alimentar. Reitera que AS ESCOLAS DEVEM SER AS ÚLTIMAS A FECHAR E AS PRIMEIRAS A REABRIR.

 


Qual a recomendação para crianças com doenças crônicas?


As crianças e profissionais da escola, que são do grupo de risco, como os portadores de doença crônica, devem ser afastados da escola, ou ser avaliados pelo seu médico para liberação, se necessário.

 


Qual o impacto do isolamento na saúde das crianças e adolescentes?


Desde o início da pandemia tem se observado aumentos de transtornos mentais e de desenvolvimento. Os efeitos do estresse e da violência nas crianças estão afetando a saúde individual, familiar e pública. Os efeitos negativos na saúde mental e na escolarização, irão afetar a capacidade de trabalho futuramente, com piora de índices econômicos e sociais a longo prazo. O fechamento das escolas provocou mudança de hábitos, com piora significativa na qualidade de vida das crianças, incluindo aí piora na qualidade do sono.

 


Como a infecção se comporta nas crianças? Qual a participação das crianças na cadeia de transmissão?


As crianças e adolescentes representam menos que 1% da mortalidade e respondem por 2-3% das internações. A maioria das crianças têm casos leves ou assintomáticos. Os casos graves são raros, quase sempre relacionados à síndrome inflamatória multissistêmica. Na União Europeia, menos de 5% dos casos são entre crianças e adolescentes, e o risco de hospitalização e os óbitos são muito baixos. De acordo com a OMS/Unicef não está totalmente compreendido até que ponto as crianças contribuem para a transmissão do Sars-CoV-2. A experiência em escolas de países europeus e EUA, mostram baixos índices de infecção e complicações tanto nos alunos como na comunidade.

 


Neste período de pandemia, houve um aumento de atendimentos em seu consultório no que se refere às crianças e adolescentes com casos de ansiedade, aumento no peso corporal ou outros sintomas decorrentes desse longo período em casa?


No consultório, no dia a dia, houve aumentos dos casos de transtorno alimentar (obesidade, falta de apetite), insônia, crises de ansiedade e depressão, além de alterações de comportamento (como medos excessivos, voltar a urinar na cama ou pedir para dormir com os pais).


O pediatra ressalta que os dados e orientações apresentados são baseados em diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), OMS/Unicef e Ministério da Saúde e podem ser modificados de acordo com a situação epidemiológica do momento, ou devido a novos estudos científicos.

 

Confira a reportagem especial sobre a volta às aulas

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