Amor ao próximo em forma de marmita

Com o intuito de amenizar a fome de moradores em situação de vulnerabilidade social – residentes em bairros carentes de Três de Maio –, o grupo ‘Unidos pelo Bem’ já entregou 2.286 marmitas, que resultaram em mais de três mil refeições, uma vez que uma marmita alimenta duas crianças. O projeto, que completou 20 sábados com entrega de refeições, conta com o apoio de grupos, pessoas da comunidade e empresas. No último sábado a entrega das marmitas foi no bairro Schardong

Amor ao próximo em forma de marmita
Alguns integrantes do grupo 'Unidos pelo Bem'
Amor ao próximo em forma de marmita
Amor ao próximo em forma de marmita
Amor ao próximo em forma de marmita
Amor ao próximo em forma de marmita
Amor ao próximo em forma de marmita
Amor ao próximo em forma de marmita

Mais de 3 mil refeições para famílias carentes em 20 sábados de trabalho

Iniciativa é do grupo 'Unidos pelo Bem' formado por 34 mulheres, e conta com o apoio de outros grupos e da comunidade local

Foi através de um sonho de Marina Farias Fiorenza que nasceu o projeto ‘Unidos pelo Bem, com o objetivo de ajudar moradores de rua de Três de Maio oferecendo marmitas aos sábados. Devido à Covid-19, o modelo de auxílio teve que ser repensado, uma vez que essas pessoas deixaram de circular na cidade. Dessa forma, o grupo decidiu reverter para atendimento das famílias nos bairros mais necessitados. No dia 29 de agosto o projeto completou 20 sábados oferecendo refeições. Um gesto de altruísmo em um momento tão delicado que vive o mundo diante da pandemia de coronavírus.


O projeto ‘Unidos pelo Bem’ é formado por 34 mulheres das mais variadas profissões, lideradas pela farmacêutica e estudante de Gastronomia, Marina Farias Fiorenza, 34 anos, e pela advogada Daiana da Rosa Pereira Oliveira, 33 anos. As integrantes estão divididas entre quem faz as doações, dois grupos que auxiliam na cozinha e nas entregas. Em média, seis pessoas trabalham por sábado.

 

Os ingredientes das marmitas chegam através de doações. “Temos pessoas físicas e jurídicas que nos ajudam. A comunidade tem abraçado o ‘Unidos pelo Bem’”, explica Daiana. Todos os sábados, integrantes do projeto se reúnem às 8 horas, na sede do Oriental, clube que gentilmente cedeu sua cozinha para o preparo das refeições. “O almoço fica pronto em torno das 10 horas e às 10h30min começamos a colocar nas marmitas. Entre 11h15min e 11h30min saímos para realizar as entregas”, conta Daiana.

 

Os almoços são distribuídos para pessoas em situação de vulnerabilidade social. “Fizemos uma triagem das famílias, através de moradores locais, pois eles sabem a realidade de seus vizinhos. O objetivo é ter uma listagem fidedigna e mapeamento completo dos bairros e atender quem precisa. A marmita é doada em forma de um abraço”, explica Daiana.

 

O número de refeições distribuídas varia de acordo com o bairro atendido, cada sábado é um diferente. No bairro Esperança são distribuídas mais de 220 marmitas; no Guaíra são 100 e no Schardong 144 refeições. Até o dia 29 de agosto foram entregues mais de 2.286 marmitas, que resultam em mais de três mil refeições, uma vez que uma marmita alimenta duas crianças.

 

O projeto ‘Unidos pelo Bem’ conta com a colaboração de outros grupos, como o Emaús, que ajuda muito com as doações, na cozinha e nas entregas. “São nossos grandes parceiros, além do Rotaract, do grupo dos Escoteiros, das pessoas da comunidade três-maiense e das empresas”, conta a advogada.

 

Segundo Daiana, este ato de solidariedade representa olhar para o próximo com respeito. “É inimaginável pensar que a fome e a miséria ainda assombram nossa cidade. Queremos provocar a sociedade para que observem as pessoas, para que tomem uma atitude. Todos temos o direito ao saneamento básico, educação e a viver com dignidade. Que outros grupos se inspirem no ‘Unidos pelo Bem’ e possam criar ações para ajudar estas crianças, idosos e famílias”, justifica Daiana.

 

Para ser voluntário no projeto, basta seguir o perfil @unidospelobem_tresdemaio no instagram. Lá são compartilhadas as ações com a finalidade de dar transparência. Os interessados em ajudar devem fazer contato pelo direct, do aplicativo.

 

O olhar de quem recebe os alimentos

A gratidão das famílias beneficiadas pelo projeto fica evidente nas entrevistas feitas pelo Jornal Semanal no último sábado, dia 29 de agosto, no bairro Schardong. São pessoas que tiveram seus problemas financeiros ampliados pela pandemia.

 

Para Eronilda de Morais Paula, 59 anos, que mora no bairro com o marido, a filha e o neto, receber o alimento é bom porque ajuda pessoas que muitas vezes não têm. “Às vezes as pessoas têm vontade de dar alguma coisa melhor para os filhos e não conseguem”. No momento, as quatro pessoas da casa vivem com o salário mínimo que o marido de Eronilda recebe de aposentadoria. Ela não está trabalhando por problemas de saúde, nem a filha que tem um bebê. Como moram em casa própria, o maior gasto da família é com alimentação.

 

Segundo a desempregada Cláudia da Silva, que mora no bairro há 5 anos, as marmitas doadas vieram em boa hora devido à pandemia. Na casa moram ela, o marido, duas filhas e um idoso que ela cuida. Apenas o marido trabalha e a família ganha o auxílio emergencial para complementar a renda. “Eu trabalhava como faxineira, meu esposo trabalha como servente”, conta.

 

O prestador de serviço, Eduardo Pantalhão, que mora com a mulher e três filhos pequenos, diz que a doação de marmitas é um gesto de humanidade das pessoas que tem mais com as que tem menos. “Nesse momento é fundamental, muita gente está sem trabalho. Me inscrevi no auxílio emergencial, mas não saiu. Minha esposa ganha o auxílio pelo Bolsa Família”.