Região da 14ª CRS está com quatro municípios em surto por doença diarreica

Até o momento são 186 casos em acompanhamento. Maior número está concentrado nos municípios de Santo Cristo, Santa Rosa, Horizontina e Tucunduva. Três de Maio investiga 36 casos de pacientes que foram atendidos no HSVP e nas unidades básicas de saúde

Região da 14ª CRS está com  quatro municípios em surto  por doença diarreica
A doença diarreica aguda é uma síndrome que pode ser causada por bactérias, vírus e parasitas. O contágio ocorre, geralmente, via oral por meio do consumo de alimentos ou água contaminados

O Rio Grande do Sul enfrenta um surto de doença diarreica aguda (DDA). Um alerta foi emitido pela Secretaria Estadual da Saúde (SES) na sexta-feira passada, 8 de outubro. Até então, mais de duas mil pessoas em 25 cidades já haviam sido contaminadas. Em nove dessas cidades foi identificado um vírus chamado norovírus como a causa desses casos de doenças gastrointestinais. Ele está possivelmente associado à ingestão de água, mas também pode ser transmitido por alimentos ou de pessoa para pessoa.


Na região da 14ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS), com abrangência em 22 cidades, segundo a enfermeira da Vigilância Epidemiológica, Patrícia Freitas, quatro municípios estão em surto pela doença, sendo Santo Cristo, Santa Rosa, Horizontina e Tucunduva, com o agente etiológico (norovírus) identificado apenas no município de Tucunduva.


 Segundo a enfermeira Patrícia, não há como inferir uma causa ao vírus. “Os casos têm início em sua maioria nas escolas e vão se propagando pelo município. A região consta com um total de 186 casos em acompanhamento até o momento”, informou a especialista em Saúde da 14ª CRS.

 

Amostras de pacientes de Três de Maio serão enviadas ao Lacen

Em Três de Maio, de acordo com a coordenadora de Vigilância Epidemiológica, enfermeira Tatiane Wächter, a Secretaria de Saúde estava estudando se os casos de diarreia do município têm ligação com o norovírus para a partir disso, poder notificar um surto e mandar amostras para o Laboratório Central do Estado (Lacen). 


Ontem pela manhã, segundo a enfermeira Tatiane, foram coletadas amostras de 25% desses casos – até o momento são 36 –, de pacientes que foram atendidos no Hospital São Vicente de Paulo e unidades básicas de saúde. “As amostras serão enviadas para o Lacen que irá identificar que tipo de vírus que está causando essas doenças diarreicas na população três-maiense”, explicou.


A coordenadora da Vigilância Epidemiológica ressalta que houve, a partir de 5 de outubro, um aumento significativo dos casos de diarreia em Três de Maio. Contudo, a Secretaria Municipal de Saúde ainda não pode afirmar que se trata do norovírus. “Somente a partir do resultado das análises, no Lacen, vamos descobrir se realmente é um surto e de que forma está se transmitindo; se o contágio está ocorrendo de pessoa para pessoa, através de alimentos ou da água... A investigação vai seguir até que seja identificado e sanado esse problema”, disse a enfermeira.


A orientação de Tatiane é que se alguém apresentar sintomas como diarreia, vômito e dor abdominal, que procure a Unidade de Saúde ou o Hospital para que se possa fazer o tratamento adequado o quanto antes. “Até porque a diarreia causa muita desidratação e pode acabar o quadro se agravando”, alerta a enfermeira.

 

Doença exige cuidado médico imediato

O Ministério da Saúde explica que a doença diarreica aguda é uma síndrome que pode ser causada por bactérias, vírus e parasitas. O contágio ocorre, geralmente, via oral por meio do consumo de alimentos ou água contaminados.


A doença atinge mais crianças com até 5 anos. Ambientes de creches e escolas são os locais mais comuns para esses tipos de surtos.


Entre os sintomas da doença, diarreia que pode ou não ser acompanhada de dor abdominal, náusea, vômito e febre. Ela pode provocar desnutrição e desidratação intensas e, se não for tratada, leva à morte, razão pela qual atendimento médico deve ser procurado logo que os primeiros sintomas se manifestarem.

 

RECOMENDAÇÕES À POPULAÇÃO:

– Consumir água de fontes seguras (potável) tratadas que tenham processo de desinfecção por cloro ou outra tecnologia. Caso seja desconhecida a fonte, em situações de emergência, recomenda-se fervê-la antes do consumo e antes do preparo de alimentos por, no mínimo, cinco minutos
– A higienização das superfícies, equipamentos e utensílios utilizados no preparo e consumo de alimentos deve ser realizada com água tratada e/ou fervida
– O gelo para consumo ou conservação de alimentos deve ser feito de água potável e/ou fervida
– Higienizar as mãos de forma adequada, lavando-as com água e sabão, principalmente após a utilização de banheiro, troca de fraldas, antes de preparar e manipular alimentos e antes das refeições
– Afastar as pessoas doentes das atividades de manipulação de alimentos e reforçar a higiene pessoal mesmo após o desaparecimento dos sintomas
– Realizar a limpeza da caixa d’água uma vez ao ano ou sempre que necessário.