Três de Maio tem maior safra de soja da história

Com 99% da área colhida, o rendimento médio foi de 58 sacas por hectare. Produtores devem injetar cerca de R$ 180 milhões na economia da região

Três de Maio tem maior safra de soja da história
Rendimento médio nas lavouras de soja de Três de Maio deve ficar em 58 sacas por hectare, segundo a Emater. No entanto, em algumas lavouras, (foto) como a dos irmãos Marcelo Martins Kleyn e Leandro Martin Kleyn, de Três de Maio, a média chegou a 70 sacas por hectare. Apesar de terem vendido antecipadamente 25% produção - ao preço entre R$ 87 a R$ 95 -, a alta rentabilidade da lavoura e o preço atual irão compensar as perdas

A colheita da soja chega ao fim com um balanço muito positivo em Três de Maio. Com 99% da área de 20.200 hectares cultivada com soja colhida, a produção alcançou a média de 3.480 quilos por hectare, o que significa 58 sacas. A safra é recorde no município.


De acordo como chefe do Escritório da Emater em Três de Maio, Leonardo Rustick, mesmo com as incertezas iniciais, principalmente com a questão climática, previsão de La Niña e estiagem que atrasou o plantio, o resultado é muito positivo. “Mesmo com o atraso da semeadura, o clima dali em diante foi muito favorável ao desenvolvimento da cultura e esse cenário foi muito positivo e desenvolveu uma produção muito satisfatória”, revela. 


A semeadura que normalmente é concentrada entre outubro e novembro na região, foi realizada apenas na primeira quinzena de dezembro, com cerca de 1 mês e meio de atraso. “Se nós compararmos agora, com 99% da área colhida, estamos com rendimento médio de 3.480 quilos por hectare, o que significa 58 sacas por hectare. Dá para dizer que é uma safra muito boa. Comparada com outros anos é uma safra recorde”. A expectativa inicial da Emater era de média de 3.300 quilos, ou seja, 55 sacas de soja, número que era a média histórica do município.


A média da safra foi de 58 sacas por hectare, no entanto, a produtividade teve grande variação entre as lavouras. “Tivemos produtores que alcançaram produtividade acima de 80 sacas, como também tivemos produtores que ficaram abaixo de 40 sacas por hectare”, revela. A localização das lavouras e o tipo de solo, mais fértil ou mais pedregoso, influenciaram neste resultado.

 

Produtividade e preço recorde aumentam lucratividade do produtor

Rustick destaca o preço da saca de soja comercializado na região como outro fator positivo. “Está variando de R$ 163 a R$ 167. É um preço muito animador, pois nunca chegou neste patamar”, revela. Nesta safra o produtor teve, além de uma boa produção, um preço nunca antes alcançado, resultando numa boa lucratividade na cultura da soja.


Com o balanço feito pela Emater, está se concretizando o levantamento feito anteriormente, de que a safra irá injetar entre R$ 160 milhões e R$ 180 milhões na economia da região. De acordo com o chefe do Escritório da Emater, mesmo em tempo de pandemia, o agronegócio está se mostrando muito sólido e mantendo a economia a nível de Brasil.

 

Com a melhor produtividade até hoje, agricultor aguarda para vender produção

Na lavoura do produtor Nivaldo Petry, a produtividade média ficou em 68 sacas por hectare. Porém, em algumas áreas, chegou a colher 100 sacas. Petry aguarda o momento certo para faturar a safra

 

O produtor Nivaldo Petry não tem motivos para reclamar da safra de soja deste ano. A produtividade média em sua propriedade de cerca de 175 hectares, ficou em 68 sacas de soja por hectare, mas em algumas áreas chegou a colher 100 sacas, a maior produtividade até hoje em suas lavouras. “Em anos anteriores cheguei a colher no máximo  62 sacas por hectare”, revela o produtor que tem suas lavoura na localidade de Quaraizinho.


Além da excelente produtividade, Petry também deu sorte em não ter vendido nada antecipadamente. Segundo ele, esse foi o primeiro ano que não vendeu soja antecipada. “Eu não tinha contrato antecipado e até agora não vendemos nada ainda. A soja está com bom preço, mas os estoques de soja também estão no limite este ano. Hoje se vê que o consumo está mais acelerado do que a produção. Mesmo com essa super safra, não tem soja sobrando”, opina o produtor rural.


Petry diz não acreditar que o preço vá cair. Para ele, as tendências ainda são de alta pela incerteza com a safra americana. “O preço está nesse patamar contando uma safra normal nos Estados Unidos. Tem espaço para aumentar ainda mais, dependendo da safra americana”, considera.


O agricultor explica que como planta com recursos próprios, não precisa vender a soja para pagar dívidas com banco, por isso vai aguardar mais um pouco. “É um caso diferenciado. Nossos custos são pagos na hora de plantio”, revela.

 

 

Mesmo tendo faturado 40% da produção ao valor de R$ 116, agricultor avalia positivamente a safra atual

O agricultor Vilmar Schröer, de Lajeado Lambedor, comemora a produtividade apesar do plantio ter sido feito fora de época

 

O agricultor Vilmar Schröer, de Lajeado Lambedor, interior de Três de Maio, plantou 43 hectares de soja nesta safra. Em média, obteve produção de 60 sacas/ha. 


Mesmo tendo faturado 40% da produção de forma antecipada, por um valor de R$ 116,00, ele avalia positivamente a safra atual. “Surpreendeu, até porque plantamos mais tarde, fora de época e colhemos bem. O clima colaborou, teve chuvas”, destacou. 


O restante da produção Vilmar conta que está faturando, conforme vão surgindo os compromissos que tem com a manutenção da propriedade rural. 

 

 

Alta produtivdade vai compensar perda com contrato de venda antecipada 

Com a venda antecipada de cerca de 25% da produção, os irmãos Kleyn calculam que deixaram de faturar cerca de R$ 1 milhão. Porém, a alta rentabilidade da lavoura e o preço pago atualmente pela saca vai compensar a perda

 

Os irmãos Marcelo Martins Kleyn e Leandro Martins Kleyn, produtores rurais de Três de Maio, tiveram uma excelente safra de soja, com média de 70 sacas por hectare e, na safrinha, deve chegar a 60 sacas por hectare. No entanto, 25% da produção foi vendida com contrato antecipado, reduzindo consideravelmente a lucratividade. “No dia em que fiz o contrato - em maio de 2020 -, o preço de pedra (preço do dia) estava em torno de R$ 70 e o preço do contrato de R$ 87 a R$ 95. Eu achei que era bom até porque já tinha fixado os custos com fertilizantes, químicos e tudo mais. Então, meu custo fixo de implatação de lavoura ficou em torno de 13 sacas por hectare, em áreas próprias, fora os custos operacionais. Não considero uma perda. Eu deixei de ganhar o dinheiro”, justifica Marcelo, apesar do valor ser de mais de R$ 1 milhão. 


Marcelo diz que a partir do momento em que fixa um contrato, o produtor tem que estar consciente das consequências. “Claro que foi uma diferença muito grande, praticamente o dobro do valor”. 


O produtor explica que isso ficará de aprendizado para as próximas safras. “As multas são um pouco altas e cobram diferença do preço de pedra, então não tem como abrir os contratos. Teria que colocar um limite nessa diferença. Eu cumpri todos os meus contratos, mas vale para se atentar para as próximas safras. Com certeza eu já não vou fazer mais contrato como foi nesse ano que passou”.


Mesmo assim, Marcelo destaca que a boa produtividade vai compensar as perdas com os  contratos antecipados, uma vez que sobrará uma boa quantidade de sacas para vender pelo preço atual.

 

Safra poderá injetar R$ 50,6 bilhões na economia gaúcha

A principal cultura de verão provocará injeção recorde de dinheiro na economia gaúcha neste ciclo. O valor bruto da produção (VBP) da soja — montante a ser recebido pelos produtores a partir da comercialização do grão a preços de mercado alcançará R$ 50,6 bilhões em 2021, de acordo com o Ministério da Agricultura, o que significa acréscimo de 104,1% frente a 2020 e de 68,5% em relação a 2019, última safra sem estiagem. Somente a oleaginosa responderá por 47% do VBP de toda a agropecuária do Estado, estimado em R$ 108,3 bilhões.  


Os valores surpreendem, mesmo tendo em vista que, no Rio Grande do Sul, até março, quando a colheita começou, 41% da safra gaúcha estava comercializada — em torno de 8,2 milhões de toneladas.


Entretanto, muitos produtores relatam ter fechado vendas abaixo dos R$ 100 por saca e, se diziam até arrependidos, mas naquele momento (julho, agosto e setembro) fizeram certo, avaliam os operadores de mercado, pois travaram os custos ainda sem saber o que aconteceria com os preços dali pra frente.


Quando perceberam que a saca de soja estava superando o patamar dos R$ 160, muitos começaram a vender novamente, pelo menos um pouco, para elevar a lucratividade.