Municípios da região não concordam com retorno das aulas

Assim como a pesquisa da Famurs, levantamento feito pelo Semanal aponta que as prefeituras da região não querem a retomada antes de estabilizar a pandemia. É unanimidade que a Educação Infantil deve ser a última voltar

Municípios da região não concordam com retorno das aulas
Salas de aulas devem permanecer vazias, pelo menos por mais algumas semanas

Para os municípios da região, não foi surpresa o resultado da pesquisa feita pela Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) com os prefeitos do Estado sobre a retomada das aulas presenciais a partir de 31 de agosto. Dos 409 prefeitos que responderam à pesquisa, 94,13% não concordam com o calendário proposto pelo governo do Estado. Além de reprovar a retomada no momento em que a pandemia cresce no interior do Estado, a ideia de começar pela Educação Infantil também foi rejeitada. De acordo com a pesquisa, as crianças devem ser os últimos a retornar às aulas presenciais.
O Jornal Semanal entrou em contato com seis municípios da microrregião e todos também são contra o retorno das aulas enquanto o número de contaminados estiver crescendo. Outro ponto levantado pelos municípios é com relação ao retorno pela Educação Infantil, devido à dificuldade de fazer com que as crianças pequenas entendam que precisam manter o distanciamento para evitar a contaminação. “Como eu vou falar para crianças de 2, 3 anos para não abraçar o coleguinha, que não pode abraçar a 'profe', quando a criança aprende pela afetividade”, questiona a secretária de Educação de Boa Vista do Buricá, Marcia Inês Eckert. 

Municípios da região realizaram pesquisa com a comunidade escolar

Em Três de Maio, de acordo com a secretária de Educação, Tânia Georgi, o município está reestruturando as escolas através dos planos de contingência para uma possível volta, mas entende que ainda não é o momento. “Achamos inviável o retorno da Educação Infantil com o número de casos aumentando”, ressalta. Segundo ela, as direções das escolas fizeram uma sondagem com as famílias sobre o retorno às aulas presenciais, e a maioria optou por não voltar e focar na preservação das vidas.
Alguns municípios estão realizando pesquisas com a comunidade escolar, para saber a opinião das famílias sobre o retorno às aulas presenciais. Segundo o secretário de Educação de São José do Inhacorá, Valmir Dilli, no município 90% das famílias são contrárias ao retorno neste momento. Em Independência também foi realizada pesquisa, que resultou em 92% contra o retorno, segundo a secretária de educação, Zenaide Heinsch. Alegria, também fará uma pesquisa para ver como pensam as famílias dos alunos. 

 

Resultado da pesquisa da Famurs

Você acha que as aulas devem retornar conforme o calendário proposto pelo governo do RS?
Não:  94,13%
Sim: 5,87%
Se respondeu não, quando deve se dar o retorno às aulas?
A partir da vacina:  38,44%
A partir da diminuição dos casos:  35,06%
Apenas em 2021:  24,42%
Não responderam:  2,08%
Quais os principais problemas para o retorno das aulas no seu município?
Transportes:  54,28%
Falta de EPIs:  33,01%
Falta/contratação de servidores:   44,99%
Elevado número de casos:  29,34%
Risco para os alunos e servidores:  92,42%
Quando retornarem as aulas, o que deve iniciar primeiro?
Educação infantil:  6,11%
Ensino superior:  56,97%
Ensino médio e técnico:   16,87%
Anos finais - ensino fundamental:  15,89%
Anos iniciais - ensino fundamental:  3,67%
Não responderam:  0,49%
Sobre a educação privada e pública:
Devem voltar separadas:  13,94%
Devem voltar ao mesmo tempo:  86,06%