Três de Maio decreta situação de emergência após falta de chuva causar perdas de quase R$ 57 milhões na agricultura
Estimativa aponta redução de 35% na produção de soja, 20% na horticultura e fruticultura e 15% no leite, segundo dados da Emater
O governo de Três de Maio decretou, na última terça-feira (10), situação de emergência no município em decorrência da estiagem. O decreto (n° 24/2026), considera a ausência de chuvas previstas nos últimos meses, que comprometem as reservas de água do município, prejuízos à agropecuária, dano humano por falta de água potável, além do parecer da Coordenadoria de Defesa Civil, que relatando a ocorrência da estiagem como favorável a situação de emergência em nível II.
Outro ponto fundamental para a publicação do decreto foi o Laudo Circunstanciado, produzido pelo escritório municipal da Emater/RS-Ascar, que calcula a estimativa das perdas por estiagem na safra 2025/26, que indica um prejuízo estimado em R$ 56,9 milhões nas principais atividades da agropecuária local.
Conforme o coordenador da Defesa Civil de Três de Maio, Clemar Zimmermann, o decreto precisa receber a homologação do Estado e o reconhecimento federal. “A decretação vai permitir aos agricultores renegociarem suas dívidas junto aos bancos e, também, a possibilidade da abertura de novas linhas de crédito. A partir da homologação e reconhecimento da situação de emergência, o município fica apto para receber recursos federais e estaduais para ações de resposta à estiagem, como ocorreu no ano passado”, detalhou Zimmermann.
Em 2025, quando o município também decretou situação de emergência, Três de Maio recebeu R$ 300 mil para o enfrentamento à estiagem. O valor foi empregado na instalação de novos reservatórios de água em Esquina Tiradentes e Progresso, onde foram instaladas duas caixas d’água de 20 mil litros.
Foram adquiridos encanamentos, bombas hidráulicas e demais suportes para a instalação de um novo poço para abastecimento de água potável em Lajeado Lambedor, o que aumentou em 95 m³/dia seu abastecimento. Além disso, foi possível fazer a abertura, limpeza e ampliação de tanques e açudes para abastecimento e dessedentação animal em 63 propriedades rurais.

Na localidade de Caneleira, açude registra nível baixo de água (FOTOS: DIVULGAÇÃO EMATER/DEFESA CIVIL/CONSELHO DE AGRICULTURA)
Até 9 de março, perdas na soja chegavam a 35% no município
Apenas na cultura da soja as perdas são de 35%. Em decorrência da redução das chuvas, a estimativa inicial de produção caiu de 71,4 mil toneladas para 46,41 mil toneladas. Esses prejuízos totalizam R$ 49,98 milhões na safra atual, o que representa 87,8% das perdas municipais.
Segundo o laudo, as chuvas ocorridas de forma irregular e mal distribuída não atendem a necessidade da cultura para desenvolvimento normal. As lavouras apresentam perdas irreversíveis, porém são variáveis dependendo de localidades. Ainda, o tamanho das plantas apresenta tamanho reduzido com menor número de vagens e grãos mal formados.
Já na horticultura e fruticultura, para a produção de alimentos à subsistência das famílias, há perdas de 20%. Isso significa que a estiagem reduziu a produção de pelo menos 220 toneladas de alimentos, como hortaliças folhosas, hortaliças, frutas, tubérculos e raízes, um impacto de R$ 1,1 milhão, afetando o custo de subsistência.
Lavoura na localidade de Nossa Senhora de Lurdes registra perdas irreversíveis em decorrência da falta de água
Nos dois primeiros meses de 2026, chuva ficou 52% abaixo da média
Os impactos na cadeia leiteira local são estimados em 15%. A produção é reduzida pois a bovinocultura de leite sofre com as perdas nas pastagens plantadas, o que eleva o custo de produção. Estimou-se uma redução de 12.750 litros por dia na produção e esse período, com redução, até o momento, em 3.166.250 litros.
O cálculo indica que há um prejuízo de R$ 5,8 milhões em Três de Maio na atividade.
O abastecimento de água na área rural também está sendo impactado. Poços artesianos e açudes registram níveis abaixo do normal. Além disso, as nascentes baixaram sua vazão, o que força as famílias de agricultores ao uso racional para não faltar água.
Algumas famílias estão sendo atendidas com água potável com o abastecimento através de caminhão pipa pela Secretaria de Gestão Urbana e Meio Ambiente de Três de Maio. Conforme o subsecretário de Obras Urbanas, Mauricio Paulo Follmann, até o momento, foram atendidas a comunidade e duas famílias de Quineira, duas famílias de Progresso e sete famílias de Quarainzinho. A pasta segue atuando para que não falte água potável às famílias que necessitam.
Os dados da Emater apontam que, nos meses de janeiro e fevereiro, na cidade de Três de Maio, ocorreram 145,5 milímetros de chuva, bem abaixo da média histórica. A média de janeiro é de 177 milímetros e em fevereiro é de 129 mm. Ou seja, choveu 52,5% a menos nos dois primeiros meses de 2026.
Desde 2020, cinco decretos foram publicados pelo município
Com o decreto publicado nesta semana, o Município de Três de Maio acumula cinco decretos de situação de emergência em decorrência de estiagem desde o ano de 2020. Naquele ano, foi publicado um decreto em novembro, sobre a seca ocorrida na safra 2020/21. Após, ocorreram decretos em 2022, 2023 e 2025.
Já no ano de 2024, houve a publicação de um decreto de situação de emergência em decorrência das chuvas intensas registradas no outono.









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