Jovens conciliam estudo e negócio próprio e impulsionam empreendedorismo

Crescimento de 25% em 12 anos reflete mudança de comportamento e busca por autonomia entre brasileiros de 18 a 29 anos

Jovens conciliam estudo e negócio próprio  e impulsionam empreendedorismo
(Fotos: Vila Rosa Fotografias)

O empreendedorismo entre jovens brasileiros têm avançado nos últimos anos e se consolidado como alternativa ao mercado de trabalho formal. Cada vez mais, universitários têm apostado na criação do próprio negócio como forma de garantir renda, conquistar independência e construir uma trajetória profissional ainda durante a graduação.

Dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), divulgados em 2025 com base na PNAD Contínua, mostram que o Brasil atingiu, em 2024, o maior número de jovens donos de negócios da série histórica iniciada em 2012. Naquele período, eram cerca de 3,9 milhões de empreendedores entre 18 e 29 anos. Ao final de 2024, o número chegou a 4,9 milhões, um crescimento de aproximadamente 25%.

O avanço é interpretado como reflexo de um cenário econômico mais instável e da mudança de comportamento dessa geração. Diante da redução de oportunidades formais e da busca por mais autonomia, o empreendedorismo tem se apresentado como alternativa viável, e, em muitos casos, necessária.

 

Da necessidade à vocação

Entre esses jovens está Felipe Welter Attuati, 23 anos, que está finalizando o curso de Engenharia da Computação na Setrem e comanda a Apicultura Attuati, empresa familiar em Boa Vista do Buricá.

A entrada no negócio ocorreu após o falecimento do pai, momento que mudou seus planos. “Após o falecimento do meu pai percebi que deveria tocar a empresa da família e continuar tocando tudo”, relata.

Segundo ele, empreender não foi uma escolha inicial. “Foi uma necessidade que veio até mim em um momento não muito oportuno, mas acabou me mostrando uma boa vocação.”

Apesar da responsabilidade, ele afirma que a graduação contribuiu diretamente para o crescimento do negócio. “Não faltava nada, ao contrário a graduação me abriu portas que me ajudaram a crescer e expandir meus negócios.”

 

Rotina 

Conciliar estudos e empresa exige disciplina. Felipe descreve uma rotina longa e organizada. “Levanto cedo para planejar o dia, faço uma lista do que está em prioridade no momento e vou fazendo tudo por etapa até terminar meu dia. Acordo por volta das 7 da manhã e vou dormir às 23 horas.”

A sobrecarga impacta a vida pessoal. “A maior delas é ter tempo para família e tempo de qualidade, pois passamos a maior parte do nosso tempo estudando ou trabalhando, sobrando pouco tempo para a família.”

Ele também admite que já abriu mão de experiências da vida universitária. “Sim em vários momentos, mas isso traz muitos ensinamentos que são muito válidos durante nossa trajetória.”

 

O graduando em Engenharia da Computação Felipe Welter Attuati, 23 anos, assumiu Apicultura Attuati após a morte do pai e dá continuidade ao negócio

 

Desafios

O jovem aponta que a cobrança é maior por estar começando cedo. “Sim, pois se caso falhar em algo o julgamento sempre é maior isso traz uma pressão bastante grande, trazendo um nível de stress altíssimo.”

Além disso, ele destaca que o empreendedorismo nem sempre corresponde à imagem idealizada. “A parte onde temos que abdicar de várias coisas, inclusive pessoas, pois vemos realmente quem nos apoia e quem está com nós por conveniência.”

Entre os erros cometidos, ele cita a confiança nas pessoas. “Acreditar em pessoas no meu meio que achei que queriam me ajudaram porém queriam me passar para trás e fazer com que eu desacreditasse dos meus sonhos.”

Na prática, o aprendizado vai além da sala de aula. “Que o mercado de trabalho nem sempre é justo, na maioria das vezes prevalece a lei do mais forte.”

 

Futuro

No agronegócio, fatores externos ampliam os desafios. “O atual momento que estamos é um dos piores que já passei, incertezas climatológicas e incertezas políticas fazem com que estamos sempre com incertezas dificultando fazer as escolhas certas trazendo muitos ricos devido a instabilidade vivida em nosso país.”

Mesmo assim, o negócio já gera renda. “Ele paga mas o meu negócio ele vai começar a ter maiores rendimentos daqui uns 5 anos pois fiz vários investimentos a longo prazo.”

Felipe afirma que não pretende seguir carreira como empregado. “Não me vejo sendo funcionário, gosto muito de empreender e quero continuar no mundo dos negócios.”

A experiência também mudou sua visão de futuro. “Sim pois me mostrou várias possibilidades que antes eu não conseguia ver.”

 

Motivação

Entre os principais motivadores estão liberdade e estabilidade. “Liberdade e independência financeira e poder dar uma vida mais confortável à minha família.” Apesar das dificuldades, ele diz que repetiria a trajetória. “Faria sim, pois isso me faz me sentir próximo do meu pai.”

Para outros jovens, deixa um conselho direto: “Que se tiver fé naquilo que você quer fazer e principalmente colocar Deus à frente de tudo as coisas vão dar certo.”

O crescimento do empreendedorismo jovem indica uma transformação no mercado de trabalho brasileiro, com uma geração mais disposta a assumir riscos e construir o próprio caminho mesmo antes de concluir a formação acadêmica.