Importantes instrumentos de ajuda, grupos de apoio retomam as reuniões presenciais

Amor Exigente, Alcoólicos Anônimos e Al Anon voltam a reunir participantes e familiares como forma de incentivo para manter a sobriedade e a recuperação da dependência química

Importantes instrumentos de ajuda, grupos  de apoio retomam as reuniões presenciais
Sigilo faz parte e é fundamental para quem frequenta um grupo de apoio, como Amor Exigente, AA e Al Anon

O ano não tem sido fácil para a maioria das pessoas. A questão do isolamento social – hoje bem menos restritivo – impôs uma série de mudanças de comportamentos que afetaram diversos setores da sociedade. Com os grupos de apoio não foi diferente. Conhecidos pelo acolhimento, pelo contato e a troca de experiências de seus participantes, ficou ainda mais difícil manter as atividades durante a pandemia. Os encontros presenciais foram substituídos pelos virtuais, e, em alguns casos, deixaram de ser realizados durante alguns meses.


Três de Maio possui pelo menos três grupos de apoio muito importantes, nas áreas de recuperação do alcoolismo e da dependência química. São eles: Alcoólicos Anônimos (AA) de Três de Maio; Grupo Al-Anon Nova Esperança e o Amor Exigente. Conheça um pouco mais de cada grupo e saiba como participar.
 

 

Alcoolismo é uma doença
 

O grupo de Alcoólicos Anônimos – em atividade há 38 anos no município –, já vem realizando reuniões duas vezes por semana, nas terças e quintas, das 20 às 21h. Quando passar a pandemira, voltará ao horário normal, até as 22h.


Um dos voluntários reforça que o alcoolismo é uma doença. “O programa de AA consiste basicamente na sugestão de Doze Passos, criados para a recuperação individual do alcoolismo. É como um método de tratamento do alcoolismo, no qual os membros ajudam-se mutuamente, compartilhando entre si uma experiências semelhantes sobre sofrimento e recuperação dessa doença”, descreve.

 

O voluntário relata que o AA fornece o amparo para ajudar o alcoólatra a se recuperar. “Estamos todos estes anos ajudando a salvar vidas. Nosso objetivo é ajudar”. E enfatiza que é gratificante quando existem exemplos dentro do grupo de pessoas com 40 anos de sobriedade. Mas que também existem as recaídas; e aqueles casos de pessoas que ainda não conseguiram se libertar da dependência do álcool. “Nos encontros temos momentos de conversar, falar das angústias e das dores, e somos acolhidos como numa grande família, sem julgamentos, mas com compaixão pela situação um do outro”. 

 

 

Grupo Al-Anon Nova Esperança

 

As reuniões do Al-Anon Nova Esperança também foram retomadas e estão ocorrendo quinzenalmente, nas quintas-feiras das 20h às 21h (em horário reduzido, por enquanto), tendo por local a sala em frente ao Colégio Dom Hermeto, na Rua Padre Cacique. Depois, serão no horário normal das 20h às 22h. 


Uma das voluntárias explica que os Grupos Familiares Al-Anon são uma associação de parentes e amigos de alcoólicos em recuperação ou não, homens e mulheres, que compartilham sua experiência, força e esperança, a fim de solucionar os problemas que têm em comum. “Acreditamos que o alcoolismo o é uma doença que atinge toda a família e que uma mudança em nossas atitudes pode ajudar na recuperação”, destaca.

 

O Grupo Al Anon de Três de Maio foi criado em 23 de junho de 1983, com o nome Nova Esperança. Como uma associação de homens e mulheres, familiares e amigos de alcoólicos, o Al-Anon não é anônimo, mas seus membros o são individualmente, preservam o anonimato uns dos outros e se mantém anônimos. “Somente assim nossos membros podem sentir se livres para dizer o que vai em seu coração e sua mente, e assim ajudamos uns aos outros no Al-Anon", diz a voluntária.

 

 

Alcoólicos Anônimos (AA) de Três de Maio


Reuniões terças e quintas - 20 às 21 horas
Rua Padre Cacique, em frente ao Colégio Dom Hermeto
Grupo Al-Anon Nova Esperança
Encontros quinzenais, nas quintas-feiras das 20h às 21h
Rua Padre Cacique, em frente ao Colégio Dom Hermeto
Fones para contato: 9 9998 1598 ou 9 9660 4684 (WatsApp)

 


Amor Exigente


Reuniões todas as segundas-feiras 19h30 às 21h30min
Rua Padre Cacique, em frente ao Colégio Dom Hermeto

 

 

‘A maioria das pessoas que vêm para o Al-anon 
se sente sozinha e frustrada’, revela voluntária 

 

A voluntária destaca que a maioria das pessoas que vêm para o Al-anon, sente-se sozinha e frustrada. “Lá aprende que não se pode mudar ou controlar a outra pessoa – e que os esforços para fazer isso só trazem frustrações. O Al-anon não mostra como fazer com que o alcoólico fique sóbrio. Em vez disso, orienta sobre a doença e seus efeitos na família. Quando as atitudes são mudadas com relação à doença e ao alcoólico, isso permite enfrentar o problema, o que pode resultar num pedido de ajuda”.

 

De acordo com uma das fundadoras do Al-Anon de Três de Maio, que preferimos não identificar na reportagem, ela é muito grata ao Programa por proporcionar a um familiar seu a possibilidade de recuperação e mudança de vida. “Continuo com o objetivo de ajudar a outras pessoas que sofrem com o alcoolismo na família”, conclui.

 

 

'Amor Exigente não é pronto-socorro. A participação precisa ser constante e ter apoio da família', alerta a coordenadora

 

Neste mês, o grupo Amor Exigente de Três de Maio comemora 14 anos de atividades. Atualmente são em torno de 20 a 30 participantes.

 

A coordenadora do grupo defende que todos podem participar, não apenas os dependentes químicos ou seus familiares. “Qualquer pessoa que quer melhorar a qualidade de vida pode fazer parte”, explica. 

 

As reuniões presenciais foram retomadas em 19 de outubro, e ocorrem todas as segundas-feiras, das 19h30 às 21h30, seguindo o método dos 12 princípios. 
Para a coordenadora, Irene Szareski, o maior desafio está relacionado à frequência das reuniões. “As pessoas procuram o grupo quando estão deseperadas, afundadas na drogadição ou alcoolismo. Conforme o tempo, ela tende a melhorar, e, logo acaba se afastando, porque acha que está curada. A família não comparece, então, acontece a recaída. Então a pessoa volta a pedir socorro, novamente. Mas o Amor Exigente não é pronto-socorro”, afirma. 

 

Para ela, é fundamental que o participante tenha perseverança e persistência, porque a dependência química é para o resto da vida. “Não existe cura, mas falamos em recuperação, em tempo de sobriedade”. 

 

Irene conta casos de pessoas que há mais de 10 anos se mantêm longe das drogas. “Também existem pessoas que têm menor tempo em sobriedade, mas com histórias marcantes. Como de um homem que eu consegui trazer para dentro do grupo; ele conta que eu salvei a vida dele, porque ele estava pensando em dar fim ao seu sofrimento. Mas ele disse ‘alguém me viu, eu tenho algum valor’”, lembra. 

 

Ela orienta que a primeira tomada de atitude deve partir do dependente de droga ou álcool. “A gente dá o suporte e a família é de fundamental importância; ela precisa vim e se modificar. Quando o dependente começa a frequentar o grupo, a família precisa vim junto para saber lidar com esse dependente; para juntos virar a página. É o recomeço de uma vida nova. E toda a família precisa estar junto”. 

 

“Eu sempre digo, num caso de uma doença, por exemplo. Quando num tratamento de câncer. Toda a família se mobiliza, se preocupa. A dependência de álcool e droga é pior, muitas vezes. Toda a família precisa estar engajada.”

 

Irene relembra que se tornou voluntária do grupo em 2006, quando passou por um problema de dependência de drogas na família. “Ninguém entende. A família só sabe acusar, criticar. Sou uma voluntária porque sei que vai chegar na minha sala uma mãe ou uma esposa que tem caso de dependência de droga dentro de casa. Sei que ela é descriminada por todos na sociedade. Só entende quem passa pelo problema. Eu senti na pele. Enquanto eu tiver saúde eu jamais vou abandonar o grupo. É um trabalho de formiguinha que se faz. Temos várias pessoas voluntárias. É um programa muito bom”, finaliza.

 

 

5 benefícios dos grupos de apoio

 

– Ouvir e compartilhar experiências semelhantes às suas sem qualquer tipo de julgamento 

– Encontrar motivações e inspirações para superar desafios e razões para seguir em frente 

– Tomar consciência sobre as próprias limitações em relação ao alcoolismo e à dependência química 

– Redescobrir as relações interpessoais por meio do reconhecimento das próprias falhas

– Desenvolver o autoconhecimento