‘Amo e pertenço ao meio rural’

Afirmação é da jovem Joice Ines Schuh, 30 anos, que além do incentivo dos pais, permanece na propriedade da família por amor ao que faz, por gostar de cuidar dos animais e de produzir alimentos, bem como pela tranquilidade de morar no interior

‘Amo e pertenço ao meio rural’
Joice Ines Schuh continua na propriedade rural da família localizada em Barrinha Ceccim, interior de Três de Maio, por amar o que faz, como cuidar dos animais, trabalhar no cultivo da terra e produzir alimentos. Incentivada pelos pais

Na contramão dos números que comprovam o êxodo rural, há quem opte por permanecer no campo. Na comunidade de Barrinha Ceccim, interior de Três de Maio, Joice Ines Schuh, 30 anos, é um exemplo.

Ela é uma representante feminina no meio rural, que trabalha com aquilo que a aproxima da realidade onde foi criada pelos pais Luiz Hirt e Iara Schuh.

A escolha de Joice em permanecer certamente tem relação com sua vivência e com os exemplos na família. Embora com formação em Curso Técnico em Informática, Licenciatura em Pedagogia, pós-graduação em Gestão e Organização da Escola, ela não se vê em outra atividade a não ser a do campo. “Ficar na propriedade é por incentivo dos meus pais, além de amor e sonho, é por gostar do que faço, de cuidar dos animais, de produzir alimentos, e pela tranquilidade de morar no interior”, afirma. 

 

Afinidade com aprodução de leite

A propriedade da família tem 43 hectares – entre área própria e arrendada –, e as principais atividades são produção de leite, soja e milho. 
Joice conta que tem maior afinidade com a produção de leite. “Amo ficar no meio das vacas e terneiros e de cuidar deles. É muito bom ver que todo esforço e dedicação nos traz bons resultados. Mas também gosto muito de ajudar meu pai nos dias de plantio”, afirma. 

Na propriedade, o trabalho é realizado pelos três. Na atividade leiteira, a produção média diária varia de 350 a 400 litros de leite e é toda entregue para o leiteiro.

Joice continua na propriedade rural por amor ao que faz

 

Vida no campo tem dificuldades, mas é muito gratificante

Segundo Joice, as maiores dificuldades de permanecer no campo é o pouco incentivo por parte do governo, principalmente para o agricultor familiar, e os altos custos de produção. “Mas, o mais gratificante é ver o que a gente plantou nascendo, desenvolvendo e produzindo. É um momento em que você vê que todo teu esforço valeu a pena. É quando a gente se enche de alegria e esperança de uma boa colheita”, diz, contente.

O amor ao campo faz parte da vida da produtora rural, que também fala da gratidão em ver o nascimento das terneiras. “Amo cuidar delas nos primeiros dias e meses de vida e saber que no futuro teremos uma vaca produzindo. Essa é a recompensa de toda nossa dedicação, além do amor que elas têm pela gente, assim como tenho por elas. É muito gratificante produzir alimentos”, afirma.

O dia a dia de Joice gira em torno da produção de leite. “Acordo antes das 5 horas da manhã para buscar as vacas na pastagem e realizar a ordenha e depois levar novamente para a pastagem; assim como na parte da tarde. Sou responsável pela criação das terneiras desde o nascimento, me dedico a elas fazendo o melhor que posso para melhorar a produção futura da propriedade. Também ajudo meu pai no plantio de soja, milho e pastagem e ainda nos dias de produzir silagem. No campo a gente precisa fazer de tudo um pouco”.

 

A internet como aliada da agricultura

Apesar da formação acadêmica, a jovem produtora rural nunca morou na cidade. Durante a faculdade, continuou morando e trabalhando na propriedade rural. 

Para Joice, os avanços tecnológicos de forma geral trazem mais facilidade às atividades da propriedade, deixando-as mais práticas, além de mais acesso às informações. A melhora do sinal de internet no interior facilitou a comunicação e ainda contribui muito com o aprendizado.  “Hoje faço cursos online, busco bastante informação na área rural, além de acompanhar no Instagram alguns profissionais da área, principalmente veterinários e agrônomos”.

A jovem conta que a propriedade tem acompanhamento de um veterinário. “Com a internet posso buscar cada vez mais conhecimento sobre a agricultura, através de cursos e artigos científicos que possibilitam que façamos melhorias na propriedade, e alcançar melhores resultados de produção”, revela a jovem, que também participa, quando pode, de cursos e capacitações da Emater/RS-Ascar.

 

‘O campo é o melhor lugar do mundo para se viver. É tranquilo e tenho convicção que nenhum emprego na cidade me traria tanta alegria e satisfação como a de trabalhar no campo, cultivando a terra e cuidando dos animais’.

Joice Ines Schuh, 
30 anos 

 

Sem sucessão rural, sem produção de alimentos

Na opinião dela, poucos jovens ficam no campo hoje pois há mais facilidade de emprego na cidade. “Em muitos casos os pais incentivam os filhos a estudar e buscar emprego na cidade por acreditarem que o trabalho no campo é mais difícil, ou, por não terem condições de manter seus filhos no campo. Além disso, há pouco incentivo do governo para manter o jovem no meio rural”, compara. 

Joice diz que não tem como dar um conselho para quem não quer ficar no campo. “Mas para quem se interessa, o campo é o melhor lugar do mundo para se viver. É tranquilo e nenhum emprego na cidade me traria tanta alegria e satisfação como a de trabalhar no campo, cultivando a terra e cuidando dos animais. Mesmo com todas as dificuldades, é gratificante este trabalho. Se o jovem não ficar no campo hoje, quem irá produzir alimentos no futuro?”, questiona a jovem agricultora.

 

‘Amo cuidar das terneiras ao nascer e saber que no futuro teremos uma vaca produzindo leite. Essa é a recompensa de toda nossa dedicação, além do amor que elas têm pela gente, assim como tenho por elas. É muito gratificante produzir alimentos’.