Ciência e tecnologia facilitam e aprimoram o trabalho na agricultura

A agricultura vive em constante evolução. Novas ferramentas tecnológicas proporcionam condições para o agricultor gerenciar a propriedade e otimizar o seu trabalho, desde o preparo da terra até a colheita. As opções de equipamentos e soluções tecnológicas possibilitam uso consciente e eficaz de insumos e do maquinário agrícola

Ciência e tecnologia facilitam e aprimoram  o trabalho na agricultura
Com o computador de bordo é possível configurar o trator para fazer o trajeto automaticamente

Da agricultura 3.0 – marcada pela automação e coleta de dados para melhor tomada de decisão –, para a agricultura 4.0 – iniciada a partir de 2010, com revolução digital e inclusão de softwares e ferramentas tecnológicas –, um leque de oportunidades se abriu para os produtores rurais do Brasil e do mundo, permitindo ao agronegócio se tornar mais produtivo e sustentável.

Muitas dessas ferramentas já fazem parte do dia a dia do campo e passam por constante evolução tecnológica. Para falar sobre o assunto, o Semanal entrevistou o Doutor em Desenvolvimento Regional Jesildo Lima, diretor técnico de Empreendimentos da Inplan Assessoria Ltda (empresa de soluções para agricultura, construção civil, topografia e meio ambiente). 

Segundo Jesildo, os avanços que a agricultura recebeu nos últimos anos vão desde o uso de GPS, monitoramento da lavoura, sensores em maquinários e implementos, robotização na pecuária, entre outras melhorias proporcionadas pela ciência e tecnologia, que facilitam e aprimoram o trabalho no campo. “Tudo é uma questão de ciclos. Já passamos pela mecanização, depois tivemos os corretivos de solo, o plantio direto, no final do século, que revolucionou bastante. Eu diria que hoje o grande foco está justamente na eficiência, usar os recursos de forma correta, agregados à tecnologia”, considera.

 

Jesildo Lima é Doutor em Desenvolvimento Regional

 

Sistemas de monitoramento na lavoura, via imagens de satélites

Uma das principais ferramentas disponibilizada pela empresa é o monitoramento da lavoura, através de um programa que utiliza imagens de satélites. “Os dados são coletados e cruzados para a elaboração de relatórios. A partir desses relatórios, tanto a empresa quanto o agricultor podem avaliar o que fazer para melhorar o desenvolvimento da lavoura”, explica.

Jesildo ressalta que com essa tecnologia é possível identificar, sem ir até a lavoura, o momento em que a planta está germinando; se está desenvolvendo em boas condições; se há alguma deficiência ou se ocorreu alguma falha no plantio. “Tudo de forma remota”, conta.

Na avaliação dele, a ferramenta é bastante útil para o agricultor que tem diversas áreas de terra em municípios diferentes, pois ele pode conferir o estágio de cada lavoura. “Toda essa tecnologia possibilita o serviço de monitoramento aqui em Três de Maio de uma lavoura em São Borja, no Mato Grosso ou no interior de São Paulo. Podemos identificar se foi plantado na época certa, ou se foi plantado em uma reserva legal”. 

O agricultor, tendo as informações, também consegue gerenciar melhor a sua propriedade, sabendo se alguma área de sua lavoura está com menos nutrientes e estabelecer os locais para a aplicação de adubo, por exemplo. Jesildo salienta que, com os equipamentos que a empresa possui atualmente, também é possível realizar uma medição de área com muita precisão, com margem de erro de milímetros.

 

Tecnologia permite melhor aproveitamento de insumos

Maquinários agrícolas com computador de bordo são cada vez mais frequentes na agricultura, permitindo ao produtor rural o melhor aproveitamento de insumos, sementes, fertilizantes e defensivos agrícolas na propriedade.

Com isso, uma colheitadeira pode, ao colher a produção, ir computando qual a produção de cada área da lavoura. Com esses dados, o produtor pode saber onde a terra necessita de mais nutrientes e fazer a compensação de nutrientes. “Isso passa a ser um processo constante. Você pode unir os resultados da cultura, o desenvolvimento da planta em diferentes momentos, que servem como um histórico de dados. Para que, no próximo plantio, você otimize o trabalho – até porque o solo não é algo regular, em aspectos de nutrientes –, e, assim, ter uma agricultura de precisão”, destaca.

Na dessecação de inços, os pulverizadores mais modernos possuem sensores que identificam onde está essa planta para que aplique o defensivo agrícola somente naquele inço, aprimorando a aplicação e evitando desperdício de produtos.

 

Na agropecuária, uso da cerca virtual delimita área de circulação dos animais

Na pecuária o uso da tecnologia também está em constante evolução. Com o sistema de geomonitoramento, há startups que desenvolvem equipamentos que permitem a criação de uma espécie de “cerca virtual”. Com o uso de uma coleira colocada no pescoço da vaca, o produtor delimita uma área que esse animal pode circular e, conforme vai se aproximando do limite, é emitido um som, que fica mais intenso conforme se aproxima do limite desta cerca e, caso ultrapasse, o animal recebe um choque. “A ciência descobriu, conforme os estudos, que a vaca, quando toma um choque, dependendo da posição dessa coleira, ela volta para trás. Então, o animal compreende este sinal e acaba ficando somente nesse limite virtual”, explica Jesildo.

Sensores também podem ser colocados nos animais, gerando diversas informações para auxiliar o produtor. Com isso, o produtor pode saber quais movimentos o animal faz, por onde ele anda, quanto se desloca por dia e, a partir daí, gerenciar melhor a propriedade. “Na alimentação, é possível cruzar dados de quanto a vaca produziu, para estabelecer quais nutrientes ela precisa para ter mais qualidade e quantidade”, frisa Jesildo.

Há equipamentos em uso no dia a dia da pecuária com sistemas robotizados que auxiliam os criadores de bovinos e suínos na alimentação dos animais. “Nos suínos há robôs tratadores, em que o sistema de alimentação é automatizado. Este equipamento consegue fazer a distribuição da alimentação”, conclui.

 

O sistema de geomonitoramento cria uma espécie de ‘cerca virtual’ através de uma coleira colocada no animal

 

Computador de bordo proporciona plantio cada vez mais preciso

O diretor técnico também esclarece que os processos de modernização dentro da agricultura se intensificaram nos últimos 10 anos na região. O sistema de monitoramento via satélite melhora à medida que há cada vez mais satélites em órbita na Terra, gerando mais dados e segurança nas informações, consequentemente, aprimorando a agricultura. “Hoje quando o agricultor faz o plantio, há a configuração dos equipamentos em que o trator faz o trajeto automático. O computador de bordo faz o maquinário realizar o plantio cada vez mais preciso da lavoura”, declara.

Os avanços tecnológicos fazem parte da Internet das Coisas – um termo de origem inglesa (IoT Internet of Things) –, que possibilita a comunicação entre sensores, aparelhos e máquinas, através do compartilhamento de dados que facilitam e aprimoram a tomada de decisões para o usuário. “Há a possibilidade de dois pulverizadores, caso estejam aplicando algum herbicida, se comunicarem e saberem onde já foi realizada a aplicação e onde ainda é necessário aplicar. Assim, um implemento interage com o outro”, explica.

O grão é outro item com bastante tecnologia. “Hoje tem muita tecnologia colocada dentro da semente. Há culturas que produzem até dez vezes mais do que se produzia há 50 anos. Tudo a partir da melhoria genética do grão. Inclusive, hoje temos a condição de aumentar a produção mundial e brasileira com a mesma área. E o Brasil ainda tem área para expandir, porém é possível aumentar a produção com a área atual”, avalia.