Madre Madalena obtém o primeiro lugar no Ideb entre escolas públicas do Estado

Investimento em pesquisa e carga horária ampliada são os principais diferenciais para a conquista da Escola Estadual de Ensino Médio Madre Madalena, de São José do Inhacorá. A instituição é a melhor colocada no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do Estado, entre as escolas públicas que não fazem processo seletivo para o quadro estudantil, referente ao ano de 2019, conforme o Ministério da Educação (MEC). A escola obteve nota 6, em uma avaliação que vai de zero a 10

Madre Madalena obtém o primeiro lugar  no Ideb entre escolas públicas do Estado
Com 68 alunos, desde 2013 a escola adotou 1.120 horas de aula por ano, enquanto as demais escolas têm mil. O registro mostra uma atividade realizada no início do ano letivo

Investimento em pesquisa e carga horária ampliada são principais diferenciais para a conquista

 

Escola Estadual de Ensino Médio Madre Madalena, de São José do Inhcorá, é a melhor colocada no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) no Estado 

 

A Escola Estadual de Ensino Médio Madre Madalena, de São José do Inhacorá, é a melhor colocada no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) no Estado, entre as públicas que não fazem processo seletivo para o quadro estudantil. Os dados, referentes a 2019, foram divulgados na terça-feira, 15, pelo Ministério da Educação (MEC). A instituição obteve nota 6, em uma avaliação que vai de zero a 10.


A diretora da escola, Carmeli Escher, ficou surpresa com a grata notícia. “Nossa expectativa era atingirmos 5.8 no Ideb de 2019, visto que em 2017 atingimos 5.6, e que, na época, nós já tínhamos ocupado um lugar de destaque em nível estadual também. Ficamos muitíssimo felizes de ter atingido a meta de 2021 que é 6.0, que é a meta nacional. Então, nós atingimos dois anos antes do previsto”, relata. A escola possui 68 alunos, distribuídos em uma turma de 9° ano do Ensino Fundamental e uma turma para cada ano do Ensino Médio.


Segundo a diretora, o diferencial da escola engloba uma série de questões que levam a produzir uma educação de qualidade. Entre elas, “a gestão democrática do ensino, que faz com que todos possam participar do processo decisório; planejamento coletivo; formação continuada dos profissionais de educação, que faz com que a escola seja pensada o tempo todo e faz com que os professores estejam atualizados, facilitando que eles consigam fazer essa ponte de mediação do aluno com o conhecimento”, relata.

 

Reuniões pedagógicas são frequentes. Registro é da reunião  no início do ano letivo de  2020

 


Pesquisa e ampliação da carga horária


Carmeli também ressalta forte investimento em pesquisa feito pela escola desde 2008. “Através da pesquisa nós contemplamos os interesses, as necessidades e aquilo que o aluno se encante e de fato queira aprender”, conta explicando que este trabalho teve como resultado o protagonismo juvenil porque o aluno busca o conhecimento e aprende a aprender e, “paralelo a isso, desenvolve oralidade, a capacidade de se comunicar em público, aprende a trabalhar em equipe, a cooperar, desenvolve espírito de liderança, autonomia. Todos esses requisitos que são exigidos no mundo do trabalho e nas relações pessoais”.


A diretora conta que em 2013, os professores e a comunidade escolar sentiram a necessidade de ampliar a carga horária. Desde então possui 1.120 horas de aula por ano, enquanto as demais escolas têm mil. “O conhecimento é de um volume maior, entendemos que antes o tempo era insuficiente para dar conta da aprendizagem”, explica. Os alunos do Ensino Médio da escola têm cinco manhãs e duas tardes de aula por semana.

 


Resultados do Estado


Segundo os dados divulgados pelo MEC, o Rio Grande do Sul vem pouco a pouco melhorando a qualidade de seu Ensino Médio em escolas públicas e privadas ao longo dos anos, mas não consegue atingir o nível esperado para a etapa desde 2011. Para o Rio Grande do Sul, a meta de 2019 para a última etapa da Educação Básica era de 5,3, mas o resultado ficou longe: 4,2.

 

 

O Ideb


O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é divulgado a cada dois anos. Trata-se de um dos principais indicadores da qualidade do ensino público no Brasil. O Ideb permite que toda a sociedade acompanhe se determinada escola ou rede, seja ela municipal ou estadual, está assegurando o direito de aprendizagem dos estudantes.


O Ideb é calculado a partir do fluxo escolar (aprovação), obtido no Censo Escolar, e as médias de desempenho no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). É a ferramenta para acompanhamento das metas de qualidade para a educação básica. A meta para 2022 é alcançar média 6, valor correspondente a um sistema educacional de qualidade comparável ao dos países desenvolvidos.

 

 

Turmas dos anos finais do Ensino Fundamental das escolas municipais de Três de Maio alcançaram a meta

 

Em Três de Maio, as escolas municipais ultrapassaram a meta de 2021, que é de 5.3, alcançando 5.4 em 2019 nas turmas dos anos finais do Ensino Fundamental. Já com relação aos anos iniciais, a meta era 6.6 e a nota ficou 6.2.


De acordo com a secretária Municipal de Educação, Tânia George, “os estudantes dos anos finais foram muito bem na avaliação, e também tivemos um pequeno progresso no Ideb dos anos iniciais, mas há a necessidade de continuar investindo em projetos para a área da leitura, matemática e demais áreas, aulas de reforço, projetos que buscam a integração família-escola, investimentos em formação continuada e ampliação do Atendimento Educacional Especializado”, ressalta.


Conforme a secretária, as escolas municipais são inclusivas. “Nos últimos anos o processo de inclusão tem se intensificado devido ao aumento da demanda, mas especialmente devido ao acolhimento à diversidade que acontece na rede municipal. As escolas oferecem atendimento educacional especializado e apoio de monitores nas turmas com estudantes de inclusão”, explica. Segundo Tânia, as práticas pedagógicas são adaptadas a condição de desenvolvimento de cada estudante mediante a priorização de metodologias que atendam às suas necessidades e que lhe possibilitem evoluir no desenvolvimento e aprendizagem a partir do nível em que se encontra.


Para a secretária, essa realidade não é observada na avaliação externa, pois as provas aplicadas não levam em conta as diferenças que exigiriam também uma diferenciação tanto em termos de tempo para a execução das provas, quanto em adequação da prova à deficiência de cada estudante. Tânia destaca a importância de uma mobilização da sociedade pela adequação da avaliação externa a realidade de inclusão.