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À GUISA
DE COMENTÁRIO – LEVO FÉ – Há coisas,
percebam, apesar de tudo, em que não levo fé. Outras
há que merecem fé. Não acredito, de jeito
nenhum, que muito em breve a corrupção neste País
chegue a um ponto final. Não acredito, também,
no fim da violência. Tudo porque não há nenhum
sinal indicativo, por enquanto, de uma melhora. A fé vem
de fora para dentro e não vice-versa. Como posso acreditar
que alguém passe no vestibular ou em concurso público,
se não estuda? Mas levo fé no programa da bacia
leiteira. Por quê? Porque existem sinais externos que me
dão essa convicção. Há fundamentos
sérios escritos no papel. Há pessoas sérias
e competentes por trás do programa. Em face disso, o comentarista,
que é meio cético, firmou a crença de que
o programa vai dar certo. O programa é viável tecnicamente.
E há pessoas que acreditam nos fundamentos do programa:
muitos produtores. Se era isso que faltava, o programa vai lograr êxito.
E vejam o que diz a Bíblia sobre a fé: “a
fé transporta montanhas”. Isso quer dizer que a
fé pode tudo. E, sem fé, pois, não se pode
nada.
QUANDO HÁ CONSPIRAÇÃO CONTRA A FÉ,
A GENTE TEM QUE BUSCAR A CRENÇA NO ÚLTIMO CENTÍMETRO
DA CONVICÇÃO.
CASO RUMOROSO – Acompanhei a distância e de camarote
a inauguração de um supermercado. O assunto foi parar
no Palácio Municipal e no Poder Legislativo. Transformou-se
num caso rumoroso, por causa do horário de atendimento.
INCONSTITUCIONAL – O povo não sabe. O cliente não
sabe, mas a lei municipal que estabelece horários para estabelecimentos
no final de semana é inconstitucional. O proprietário
aciona a Justiça e tem ga- nho de causa. Não podia
ser diferente, porque existe lei federal.
A QUESTÃO não deve ser de horário nestes casos.
Deve ser de preços e produtos. A concorrência que
interessa ao consumidor é a de bons preços e de qualidade
dos produtos. É a lei do capitalismo. Agora, defender lei
inconstitucional não está com nada.
ACREDITO – Deveras, acredito, que há espaço democrático
para todos. Não deve o poder público imiscuir-se demais nas questões
da iniciativa privada, para coibir, apadrinhar. É preciso saudar o desenvolvimento.
A melhor fórmula para resolver impasses é o diálogo. Esta
lição todos nós precisamos aprendê-la.
NÃO É NA MANHA QUE SE DEVE VENCER. TEM QUE SER NA QUALIDADE.
VÃO LEVAR? Será que os aposentados que ganham mais do que um salário
mínimo vão levar um plus? Houve alento, quando se anunciou que
os aposentados e pensionistas receberiam 7,7%. Algo mais do que os 5% dados em
janeiro. Só que o governo nem quer ouvir falar de um reajuste superior
a 7%. O assunto está sendo discutido na Câmara dos Deputados e tem
que passar pelo Senado. Estamos em ano de eleições e aí todo
cuidado é pouco para evitar desgastes.
PERSPECTIVAS I – São muito ruins as perspectivas para o plantio
de trigo, que deve ser iniciado, no mês que vem. O preço do cereal
não é animador, por isso o plantio deve cair muito em relação
a safras anteriores.
MUITO PAPO, POUCA AÇÃO.
PERSPECTIVAS II – Também não são boas as perspectivas,
por enquanto, para a cotação do milho e da soja. O motivo dos preços
baixos dos grãos é a boa safra em todos os países que plantam
o cereal e a oleaginosa. Talvez, lá adiante, no segundo semestre, haja
uma reação.
ALGUÉM SE PREOCUPA COM ISSO? A diminuição da carga tributária
resulta na diminuição da sonegação e no aumento da
receita fiscal. É o chamado Efeito Tanzig, cujo conceito de economia foi
desenvolvido pelo italiano Vito Tanzi. Sim, quanto maior a taxa de inflação,
menor será a arrecadação. Mas e os nossos economistas e
autoridades econômicas se preocupam com isso? A preocupação
está sendo a manutenção da inflação baixa
e taxa tributária alta. Será que a lição do corte
do IPI não serviu? Aliás, os empresários pedem o fim da
cobrança do IPI. E com razão.
LEIS INÓCUAS – São consideradas inócuas – sem
resultados – três leis aprovadas pela Assembleia Legislativa: a que
inclui a carne suína e a maçã in natura na merenda escolar,
além de sucos de laranja, maçã, uva e pescado. Por que inócuas?
Porque há sérios problemas operacionais, de logística, de
fornecimento e de fiscalização do cumprimento da determinação.
Sobretudo, fiscalização. E ainda: as escolas – com pouco
dinheiro – procuram adquirir o que é mais barato e não o
que querem os parlamentares. Nós temos legislação semelhante
no município de Três de Maio, recentemente aprovada. Será que
a legislação vai ser cumprida?
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