Ano XX - EDIÇÃO 1099

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JOÃO SENO BACH

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À GUISA DE COMENTÁRIO – LEVO FÉ – Há coisas, percebam, apesar de tudo, em que não levo fé. Outras há que merecem fé. Não acredito, de jeito nenhum, que muito em breve a corrupção neste País chegue a um ponto final. Não acredito, também, no fim da violência. Tudo porque não há nenhum sinal indicativo, por enquanto, de uma melhora. A fé vem de fora para dentro e não vice-versa. Como posso acreditar que alguém passe no vestibular ou em concurso público, se não estuda? Mas levo fé no programa da bacia leiteira. Por quê? Porque existem sinais externos que me dão essa convicção. Há fundamentos sérios escritos no papel. Há pessoas sérias e competentes por trás do programa. Em face disso, o comentarista, que é meio cético, firmou a crença de que o programa vai dar certo. O programa é viável tecnicamente. E há pessoas que acreditam nos fundamentos do programa: muitos produtores. Se era isso que faltava, o programa vai lograr êxito. E vejam o que diz a Bíblia sobre a fé: “a fé transporta montanhas”. Isso quer dizer que a fé pode tudo. E, sem fé, pois, não se pode nada.
QUANDO HÁ CONSPIRAÇÃO CONTRA A FÉ, A GENTE TEM QUE BUSCAR A CRENÇA NO ÚLTIMO CENTÍMETRO DA CONVICÇÃO.
CASO RUMOROSO
– Acompanhei a distância e de camarote a inauguração de um supermercado. O assunto foi parar no Palácio Municipal e no Poder Legislativo. Transformou-se num caso rumoroso, por causa do horário de atendimento.
INCONSTITUCIONAL – O povo não sabe. O cliente não sabe, mas a lei municipal que estabelece horários para estabelecimentos no final de semana é inconstitucional. O proprietário aciona a Justiça e tem ga- nho de causa. Não podia ser diferente, porque existe lei federal.
A QUESTÃO não deve ser de horário nestes casos. Deve ser de preços e produtos. A concorrência que interessa ao consumidor é a de bons preços e de qualidade dos produtos. É a lei do capitalismo. Agora, defender lei inconstitucional não está com nada.
ACREDITO – Deveras, acredito, que há espaço democrático para todos. Não deve o poder público imiscuir-se demais nas questões da iniciativa privada, para coibir, apadrinhar. É preciso saudar o desenvolvimento. A melhor fórmula para resolver impasses é o diálogo. Esta lição todos nós precisamos aprendê-la.
NÃO É NA MANHA QUE SE DEVE VENCER. TEM QUE SER NA QUALIDADE.
VÃO LEVAR?
Será que os aposentados que ganham mais do que um salário mínimo vão levar um plus? Houve alento, quando se anunciou que os aposentados e pensionistas receberiam 7,7%. Algo mais do que os 5% dados em janeiro. Só que o governo nem quer ouvir falar de um reajuste superior a 7%. O assunto está sendo discutido na Câmara dos Deputados e tem que passar pelo Senado. Estamos em ano de eleições e aí todo cuidado é pouco para evitar desgastes.
PERSPECTIVAS I – São muito ruins as perspectivas para o plantio de trigo, que deve ser iniciado, no mês que vem. O preço do cereal não é animador, por isso o plantio deve cair muito em relação a safras anteriores.
MUITO PAPO, POUCA AÇÃO.
PERSPECTIVAS II
– Também não são boas as perspectivas, por enquanto, para a cotação do milho e da soja. O motivo dos preços baixos dos grãos é a boa safra em todos os países que plantam o cereal e a oleaginosa. Talvez, lá adiante, no segundo semestre, haja uma reação.
ALGUÉM SE PREOCUPA COM ISSO? A diminuição da carga tributária resulta na diminuição da sonegação e no aumento da receita fiscal. É o chamado Efeito Tanzig, cujo conceito de economia foi desenvolvido pelo italiano Vito Tanzi. Sim, quanto maior a taxa de inflação, menor será a arrecadação. Mas e os nossos economistas e autoridades econômicas se preocupam com isso? A preocupação está sendo a manutenção da inflação baixa e taxa tributária alta. Será que a lição do corte do IPI não serviu? Aliás, os empresários pedem o fim da cobrança do IPI. E com razão.
LEIS INÓCUAS – São consideradas inócuas – sem resultados – três leis aprovadas pela Assembleia Legislativa: a que inclui a carne suína e a maçã in natura na merenda escolar, além de sucos de laranja, maçã, uva e pescado. Por que inócuas? Porque há sérios problemas operacionais, de logística, de fornecimento e de fiscalização do cumprimento da determinação. Sobretudo, fiscalização. E ainda: as escolas – com pouco dinheiro – procuram adquirir o que é mais barato e não o que querem os parlamentares. Nós temos legislação semelhante no município de Três de Maio, recentemente aprovada. Será que a legislação vai ser cumprida?

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