Uma história de persistência e superação

Alonso Reffatti da Costa eliminou 63 kg em 11 meses. Sem bariátrica ou qualquer cirurgia e, principalmente, sem remédio. Somente dieta, exercício e muita dedicação

Uma história de persistência e superação
Alonso Reffatti da Costa eliminou 63 kg em 11 meses

Entrevista Yara Lampert

Hoje os aplausos de superação vão para Alonso Reffatti da Costa, 35 anos, nascido e criado em Três de Maio, onde seus familiares residem. Atualmente, Alonso reside na cidade de Indaiatuba, em São Paulo. Ele faz um relato do momento em que chegou à conclusão de que precisava mudar sua rotina para melhorar a saúde e dos desafios que enfrentou e venceu para eliminar peso. 
“Eu sempre fui obeso, mas morar em cidade grande, onde temos acesso fácil a fast food, que no meu caso, foi onde comecei a engordar muito, sem parar. Os dias passavam, o peso aumentava. Como trabalho em escritório, não fazia nenhuma atividade física. Bom, podemos contar as idas ao banheiro e estacionamento”.


Preocupação
“A preocupação começou quando afetou minha saúde. Começou com gordura no fígado, que mais grave, pode evoluir para uma cirrose. Aí veio a pressão alta, comecei a tomar remédio para a pressão. Depois colesterol alto, insuficiência respiratória. Até amarrar o cadarço do tênis já era uma tarefa difícil, cortar as unhas do pé então, nem se fala. Subir escada, descer escada, era como se eu estivesse correndo maratonas. Perdi as contas de quantas cadeiras de escritório tive que trocar, pois quebrava muito seguidamente. Os dias eram mais escuros, as noites mal dormidas, os dias cansativos, preguiça, mal-estar. Tinha apneia do sono (engasgos e falta de ar à noite), não se trata de um simples ronco. Isso foi um momento da minha vida que tinha medo de dormir. Eu sabia que tinha um alto risco de dormir e não acordar mais. Foi então que resolvi mudar”.
A força dos colegas de trabalho
“No trabalho conversei com meus colegas, expliquei minha situação e disse o quanto eu precisava da ajuda deles para essa fase da minha vida. Eles não só entenderam, como também entraram na dieta. Como já passei por várias nutricionistas em minha vida, eu já sabia o que deveria ser feito, tanto que achei guardado em meus arquivos as dietas já elaboradas pelas consultas antigas. Perfeito! Agora precisamos fazer exercícios, mas como começar pesando 155 kg? O joelho já estava pedindo as contas, pernas cansadas e avermelhadas”.


Determinação e o trabalho de um personal trainer
“Contratei um personal trainer aqui da minha cidade, Valdir Calisto, grande amigo, grande profissional. Ele disse ‘Alonso, temos aqui insuficiência respiratória, joelhos no limite, obesidade mórbida, pressão alta e afins, precisamos trabalhar com cuidado e evoluir. Começaremos do zero’. Comecei a caminhar por 10 minutos e não conseguia mais, mas já era um começo. Comecei academia, para fortalecimento. Queria ter comprado roupas para usar na academia. Roupas de academia em alguém com obesidade mórbida, com 155 kg? Nem aqui, nem na 25 de Março. Para ser sincero, me sentia estranho na academia, parecia que eu não pertencia àquele ambiente, mas, enfim, eu preciso enfrentar isso, preciso focar”.


Dificuldades e força de vontade
“Os dias passaram, a dificuldade aumentava, a vontade de comer porcaria aumentava junto. Tinha fome, muita fome, a barriga doía. Houve uma briga entre a minha mente e o meu corpo, onde vários porquês entraram em cena. Quando deixava de comer aquele pedaço de pizza e comia uma banana no lugar, eu vencia, e assim por diante. ‘Ah, vamos fazer o dia da porcaria!’. Não, eu não fiz o dia na porcaria, ‘um pedaço de chocolate você pode’. Sim, eu posso, porém, eu não consigo comer somente um pedaço de chocolate, então optei por não comer. Comia alguma fruta no lugar e evitava o arrependimento”.


Dieta e exercícios físicos
“Como eu ainda estava muito pesado no começo, eu tive que emagrecer 28 kg para começar a correr devido ao impacto no joelho e estrutura. E eu sonhava em correr. Eu ia para o parque caminhar, olhava aquelas pessoas saudáveis, acordando cedo para ir correr. Comecei correndo 30 segundos, evolui tanto, que hoje corro 15 km sem descanso, e faço isso com muito prazer. Desde que comecei a minha dieta e exercícios, eu não faltei nenhum dia de exercícios. Não inventei desculpas, eu corri na chuva, no vento, no frio, no calor, quando fecharam tudo por causa da pandemia, eu continuei correndo e continuo correndo. As unhas do meu pé caem, sangue aparece na meia, bolhas nos pés são comuns, dores? Várias. Mas não foram suficientes para eu não sair de casa e fazer exercício”.


Autoestima, saúde e disposição
“Os dias foram passando, o peso baixando, a calça caindo, camisas ficaram enormes, as cintas começaram a dar a volta na cintura. O sol brilha mais forte lá fora, as noites são mais gostosas de dormir. Começo a acordar mais cedo, não me sinto mais cansado, me sinto elétrico, me sinto disposto. A minha concentração no trabalho aumentou muito. Tenho foco, tenho mais atenção. Meu gestor me elogia, cita a minha evolução nos projetos, me sinto confiante, consigo ir mais além. Curei minha pressão alta, joguei o resto do meu remédio no lixo, não preciso mais disso. A gordura no fígado desapareceu. Apneia do sono? Nunca mais, durmo com qualidade. Amarrar os tênis ficou fácil, muito fácil. Entrar e sair do meu carro, sucesso! Subir escadas? Tranquilo”.

Veja nas fotos o antes e depois de Alonso Reffatti da Costa