Cresce participação feminina na compra de armas e em clube de tiro

De acordo com os números da Polícia Federal, no Rio Grande do Sul houve um aumento de 29% na venda de armas em comparação a 2020. Em Três de Maio, as duas principais lojas do setor também registram aumento superior a 20%. Produtores rurais estão entre os maiores compradores, porém, segundo empresários do setor, a venda para mulheres está em crescimento, assim como a participação delas em clube de tiro, ambiente que até pouco tempo era quase que exclusivamente masculino

Cresce participação feminina na compra  de armas e em clube de tiro
Lojas do setor, registram aumento no número de mulheres tanto na compra de armas, quanto na participação em clubes tiro

Registro de armas cresce 29% no Estado 


RS ocupa o segundo lugar no país, perdendo apenas para Minas Gerais. Em Três de Maio, lojas do setor também registram aumento nas vendas. Nos clubes de tiro, a presença de mulheres está em crescimento 

 

Depois de um salto de 130% no registro de novas armas em 2020, o Estado mantém o crescimento em 2021. De acordo com números da Polícia Federal (PF), no primeiro semestre do ano, o RS teve um aumento de 29% com relação ao mesmo período de 2020. Foram 9.791 novas armas de janeiro a junho, contra 7.579 no mesmo período do ano passado. No ranking nacional, o Estado fica atrás apenas de Minas Gerais.


O aumento na aquisição de armamentos em território gaúcho segue tendência nacional. No primeiro semestre, o país teve crescimento de 31% no registro de armas novas em comparação ao mesmo período de 2020. Foram 97.243, enquanto na primeira metade do ano passado tinham sido 73.985. Os dados indicam que a maior parte desses armamentos foi adquirida pelo cidadão comum. No RS, essa categoria representa 86% do total de armas novas – no Brasil é um pouco menos, 78%. 


Entre os estados que tiveram maior aumento, estão: Acre, que passou de 450 para 1.332 (196%), Mato Grosso, de 3.100 para 6.998 (125%) e Tocantins, de 533 para 1.165 (118%). Neste ranking de crescimento percentual, o RS fica em 18º lugar. 
Apenas cinco estados tiveram queda na aquisição de novas armas: Amapá (61%), Bahia (54%), Distrito Federal (43%), Alagoas (36%) e Rio de Janeiro (15%). 
A política do governo Bolsonaro, que flexibilizou o acesso a armas e munições por meio de decretos é apontada como principal fator para o aumento.


Porte de armas cresce no Estado e cai no Brasil


Já com relação ao porte de armas, que possibilita ao cidadão andar armando, o Rio Grande do Sul também ocupa a segunda colocação, atrás apenas de São Paulo. Neste quesito o Estado teve um aumento de 23% com relação ao primeiro semestre de 2020, chegando a 909 portes de armas.


No Brasil, a procura pelo porte teve uma queda de 38% em relação ao primeiro semestre do ano passado. O que leva a crer que as pessoas compram armas para ter em casa ou no trabalho, não para andarem armadas.


Diferença entre posse e porte de arma


O registro concedido pela PF é o documento, válido por 10 anos, que autoriza o proprietário da arma de fogo a mantê-la em sua residência ou local de trabalho, exclusivamente. O porte é uma autorização que possibilita ao cidadão andar armado na rua, por exemplo. Existe ainda uma outra categoria, que permite a aquisição de armas. São os caçadores, atiradores e colecionadores — estes não precisam se credenciar na PF. A autorização, neste caso, é concedida pelo Exército.

 

Comerciantes do setor também registram aumento nas vendas em Três de Maio

O Semanal entrou em contato com as principais lojas que comercializam armas em Três de Maio para verificar como é o comportamento dos moradores da região com relação às armas.  Duas retornaram e ambas foram unânimes em afirmar que houve aumento nas vendas nos últimos meses e que as mulheres estão aderindo, principalmente a prática do tiro.


De acordo com Jackson Luis Balbé dos Santos, proprietário de uma loja em Três de Maio, a venda de armas nos seis primeiros meses de 2021, aumentou cerca de 70% em relação a 2020. Das mais vendidas, está a arma curta para defesa – que teve o maior aumento em vendas –, seguido pelas armas para tiro esportivo e caça de javalis.


Entre os compradores, cerca de 90% são homens. Mas o número de mulheres está aumentando aos poucos. “Ano passado eu poderia contar nos dedos o que vendi para o público feminino, hoje já tenho bem mais clientes, mas acredito que  ainda tem muito para crescer”.


O preço das armas, de acordo com Jackson, varia bastante de acordo com o modelo. “A arma de menor preço custa R$ 1.250,00 e fica difícil precisar qual a mais cara, pois existe uma infinidade de armas importadas que passam dos R$ 60 mil”, revela.


Para Jackson, o setor vem ganhando força no Brasil devido a políticas de conscientização e redução de índices de violência em relação ao aumento de armas de fogo.

 

Loja com clube de tiro vê público feminino aumentar

O empresário Jocemar Calza, que possui lojas em Três de Maio, Santa Rosa e Santo Ângelo, diz que a venda de armas aumentou não apenas em Três de Maio, mas em toda a região. “Na verdade, nós vivíamos antes uma legislação que não permitia a venda de armas. Hoje, com o novo governo, aumentou muito a venda, não apenas de armas, mas também a procura pelo esporte”, explica. 


Jocemar destaca que a venda de armas nos seis primeiros meses de 2021 aumentou cerca de 20% em relação ao mesmo período do ano passado. “Faz 11 anos que tenho loja e sempre vendi muitas armas. Os compradores são pessoas idôneas, que não respondem a nenhum inquérito policial”. Jocemar explica que para comprar uma arma, o cidadão passa por uma bateria de testes como: teste de tiro, teste psicológico. “As armas legais não vão dar problema para a sociedade. O que dá problema são as armas ilegais”, avalia o empresário. Quanto ao preço das armas, varia de R$ 2.200,00 a R$ 90 mil.


Hoje seus maiores compradores são produtores rurais. “Está aumentando cada vez mais a bandidagem no Interior, então eles estão tentando se proteger. E como a legislação está a nosso favor, eu acredito que todo mundo tem que se armar. A arma é como um seguro, tomara que o pessoal nunca precise usar, mas se precisar, tem”.   


Além das lojas, o empresário também oferece clube de tiro, um dos maiores da região Noroeste, que conta com uma grande estrutura. “Nós possuímos estande de tiro em Boa Vista do Buricá, Santa Rosa, Santo Ângelo e Três de Maio. Inclusive aqui estamos construindo um prédio que abrigará a loja nova com estande de tiro no subsolo”, revela o empresário. 


De acordo com Jocemar, as pessoas procuram o clube de tiro, para as mais diversas finalidades. “Alguns vem para a pratica do tiro esportivo; outros para ter contato com arma, conhecer o seu funcionamento e, ainda, tem aquelas pessoas que fazem uso para se desestressar.” 


Um ambiente que antes era muito masculino, está com o público feminino em crescimento. “Final de semana tivemos um curso em Boa Vista do Buricá, com a participação de 12 mulheres jovens, que nunca tinham tido contato com armas”, conta. 


Além da venda de armas e clube de tiro, a loja faz toda a parte burocrática. “Temos os meios para fazer tudo rápido e dentro da legalidade. Não precisa se deslocar para outra cidade, fazemos tudo aqui, temos psicólogos e instrutores credenciados”, explica Jocemar.