Cerejeira japonesa colore ruas e jardins no inverno três-maiense

Planta chegou ao município no ano de 1987, através de sementes trazidas de São Paulo pela arquiteta urbanista, Carla Becker. As sementes originaram seis árvores, e destas, somente três sobreviveram. Porém, passados mais de 30 anos, cerca de 20 mil mudas já foram produzidas, que ornamentam espaços públicos e privados em Três de Maio, região e até cidades em outros estados. Encantados com a beleza da espécie, munícipes sugerem transformar a cerejeira japonesa em símbolo do município

Cerejeira japonesa colore ruas e  jardins no inverno três-maiense
Árvore plantada no jardim da residência da arquiteta Carla Becker tem 35 anos e é originária das sementes trazidas de Bragança Paulista
Cerejeira japonesa colore ruas e  jardins no inverno três-maiense

Primeiras sementes chegaram a Três de Maio em 1987

Planta chegou ao município através de sementes trazidas de São Paulo pela arquiteta urbanista, Carla Becker. Em mais de 30 anos, as três árvores matrizes já produziram mais de 20 mil mudas
 

Nesta época do ano, em meio aos dias cinzas de inverno, a cerejeira japonesa (Prunus serrulata) mostra sua imponência através de seu colorido especial. Em diversas ruas de Três de Maio é possível observar a paisagem de encher os olhos com a beleza destas árvores. Suas flores  pequenas e delicadas – e com uma coloração única –, dão um novo visual à cidade.
A cerejeira japonesa chama atenção dos três-maienses e foi uma pauta sugerida por leitores do Semanal, que encantados com sua beleza, inclusive sugerem que a árvore seja adotada como símbolo do município que é conhecido como Cidade Jardim. 


Diante disso, o Semanal entrou em contato com a arquiteta e urbanista, Carla Becker, responsável por trazer as primeiras sementes da árvore para Três de Maio e com a Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente para saber se há algum projeto relacionado à cerejeira japonesa. Nossa reportagem também falou também com o vereador Paulo Fábio Pereira (MDB) que é um defensor de mais arborização no município e tratou do tema na sessão da Câmara, na última segunda-feira; além do secretário da Agricultura e Meio Ambiente, Volmir Rettore.


Das primeiras sementes, apenas seis germinaram

 

Carla Becker, arquiteta urbanista


A arquiteta urbanista, Carla Becker conta que em junho de 1987, conheceu a árvore quando visitou familiares em Bragança Paulista, SP. “Enxerguei estas plantas, ainda em forma de arbustos, no estacionamento de uma fábrica japonesa (OSG) de peças automotivas. Juntei do chão algumas sementes e tentei encontrar mudas nas floriculturas de lá, mas sem sucesso”, explica a arquiteta. 


Ao chegar a Três de Maio, ela conta que plantou em uma caixa cerca de 20 sementes. “Passaram-se dois anos até que elas germinassem, porém nem todas vingaram. Repiquei as mudas para embalagens adequadas e destas, somente seis foram aproveitadas. Disponibilizei duas mudas para uma floricultura que não conseguiu conduzi-las e elas acabaram morrendo”. 
Das quatro que restaram, Carla conta que ficou com três e uma deu de presente para uma tia, mas acabou morrendo por conta da aplicação de um herbicida aplicado no gramado onde a árvore estava plantada.

 

A cerejeira japonesa encanta com seu colorido especial em diversos locais públicos, como na praça Henrique Becker Filho, por exemplo

 

Mais de 20 mil mudas já foram distribuídas  

Carla explica que restaram três árvores. E estas são consideradas matrizes da maioria das plantas que estão em nossas ruas e casas, e também em várias cidades da nossa região e até em outros estados. “Nestes mais de 30 anos, mais de 20 mil mudas foram produzidas das sementes destas três árvores matrizes, além das sementes recolhidas por funcionários do Horto Florestal da Prefeitura de Três de Maio. A maioria das mudas que nasciam sob a copa das árvores foram doadas para o Horto, que começou a implantá-las nas vias públicas”, relata.


Carla explica que a cerejeira japonesa é classificada como uma espécie ornamental, originária do Japão, onde são conhecidas como Sakura. No Japão elas são muito simbólicas e são estampadas em embalagens de vários produtos comercializados, inclusive nos Mangás – desenhos típicos da cultura nipônica. 

 

Aparência é frágil, mas são muito resistentes

De acordo com a arquiteta e urbanista, a cerejeira japonesa tem características muito interessantes, pois “aparentam ter uma estrutura frágil, ramificada e de galhos finos, porém, são muito resistentes ao cisalhamento, suportam muito bem o inverno rigoroso – no Japão a temperatura no inverno chega a 30 ºC negativos com muito vento e neve –, não precisam de solo rico em nutrientes, preferem solos bem drenados”. A floração ocorre nos meses de junho/julho e a sua densidade vai depender se o verão for rigoroso ou não. Verão seco e quente reflete em floração densa. Se o inverno for frio e seco, as flores têm durabilidade maior, de 2 a 3 semanas.


“Muitas pessoas reclamam no período em que elas perdem as folhas, que dura em torno de 30 dias, mas é o ciclo natural delas. Após a queda destas, os galhos ficam repletos de pequenos botões que, quando abrem, tem uma coloração rosa clara passando a um rosa mais escuro com o passar dos dias”. Carla explica que durante a floração, as pétalas caem e começam a se formar os frutos e, neste mesmo tempo, começam a brotar as folhas. Com as folhas, a copa fica bem fechada e ao mesmo tempo ventilada, dando um sombreamento homogêneo sem muita umidade.


“São milhares de frutos que se formam e levam aproximadamente 60 dias para atingirem a maturação, depois caem ao solo e demoram em torno de dois anos para germinarem, porém, talvez de 3 a 5% destes frutos tornando-se mudas”, revela.


Um ano após a germinação, as mudas atingem uma altura aproximada de 70 cm e em 3 anos elas chegam a 3 metros de altura. Entre 3 e 5 anos começa a floração com poucas flores, aumentando a florada a cada ano que passa. O plantio em local definitivo deve ser feito entre maio e julho, para que se adaptem melhor ao clima. Essas mudas precisam ser conduzidas e os brotos e galhos que ficam mais baixo no tronco precisam ser retirados, deixando para a formação da copa somente os galhos mais altos (de 2,5m para cima).


“Para vermos elas floridas da forma como estão é preciso ter muita paciência, dar às plantas a atenção necessária quando precisam ser conduzidas e na sua manutenção, com podas de limpeza. O plantio deve ser, preferencialmente, onde não houver rede de energia elétrica e a distância entre as mudas deve ser de 8 metros, pois é necessário considerar o tamanho da copa quando adultas”, explica a arquiteta.

 

Sugestão dos leitores foi levada à pasta da Agricultura e Meio Ambiente

 

Secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Volmir Rettore

 

De acordo com o secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Volmir Rettore, não há nenhum estudo na pasta relacionado a esta árvore, mas achou interessante a sugestão. “Vou trocar essa ideia com o pessoal do Executivo, do Urbanismo pois é uma dica muito legal. Eu não tenho nenhum estudo sobre isso, tanto que assumi esse ano e essas árvores vêm de mais tempo”, conta. 


Ele explica que o município possui diversas mudas de cerejeira japonesa para doação no Horto Florestal, que são distribuídas para incentivar o plantio. “Vamos fazer um estudo e, quem sabe, adotar mesmo essa árvore como um símbolo para nosso município”.


Em contato com o vereador Paulo, ele acredita que o município precisa investir mais em arborização, saneamento dos espaços urbanos, o que passa também pelo plantio de árvores ornamentais e flores. “Quero sugerir para a gestão um plano de urbanização, nas entradas do município e algumas áreas em especial, como parques, que se crie um plano de embelezamento da cidade, já que temos dentre outras características, o título de cidade jardim”. A ideia do parlamentar é aproveitar isso e desenvolver mais essa questão. 


“Não penso, de início, em tornar a árvore símbolo do município, mas é uma possibilidade. Essa árvore, por sua beleza, é uma das plantas que podemos incentivar o plantio. Mas vamos nos reunir e criar um projeto, ver quais são as áreas prioritárias de embelezamento e plantio de árvores e de flores”, finaliza.